Elvis Costello Gritou Meu Nome

Tati Lopatiukinfo
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São Paulo - SP Blocker e eventualmente jammer na Ladies Of HellTown Escritora e web redatora 28 anos Colecionadora de gatos

A história de uma garota que decidiu ser feliz pra sempre.

30 de setembro de 2011

Licença poética e religiosa.

Sempre que vejo essas velhinhas com camisetinhas de grupo de oração, com rosários nas mãos, muito bonitinhas esperando o ônibus ou paradas na rua conversando com outras amigas velhinhas de camisetinhas de oração eu não consigo deixar de pensar em uma coisa bem boba, mas é um pensamento meu. 

Não consigo deixar de pensar que são essas velhinhas engajadas na vibe da oração, que rezam dia e noite por seus ~entes queridos~ é que tornam possível que seus filhos, netos e bisnetos se deem ao luxo de se dizerem "ateus".É como se o cara lá, todo formoso e belo, cheio de saúde pudesse - mesmo sem saber - dar carteirada na divina providência, se dizendo forte sem precisar de ajuda divina. E as coisas só dão certo (ou não dão errado) para ele por que nos bastidores, em silêncio, em seus grupos de orações de finais de semana na varanda de casa, a avozinha dele tá lá, rezando por ele, falando pra Deus & pras colegas de terço: "cuida do meu menino, que anda pelo mundo sem saber que rezo por ele".

Então ele meio que nem precisa acreditar em nada, nem rezar pra ninguém, por que já tem quem o faça em nome dele, por ele, pensando nele.

Espero que ateus e cristãos não se ofendam, a idéia não é essa. É só um pensamento meu e nem tenho certeza de que é assim mesmo que acontece. Será que é?

A gente não tem como saber. 


29 de setembro de 2011

Psiu.

Hoje vivo em suas mãos
Sou refém dos seus sinais
O seu jogo sedutor
Me levou à lona no primeiro round
[Primeiro Round - Renato Godá]

Em um dia tudo é simples e fácil, no outro tudo pesa e dói. Acho que estou desaprendendo a conversar, já chego com pedras nas mãos e um escudo feito de mágoa. Desaprendendo pra vida inteira. Ao fim do dia estou cansada de tentar interpretar gestos, atitudes, frases, silêncios. Só quero que me pegue pela mão e me diga o que fazer, eu já estou cansada de tentar adivinhar.

Cansada de tentar não me magoar. Eu só quero que me diga. Estou dormindo em pé, na cadeira do dentista, eu já não penso direito, preciso dormir mais e melhor. Preciso que converse comigo, que olhe pra mim. Preciso saber onde pisar, para não errar nunca, eu nunca quis errar.

Preciso dos seus olhos grudados em mim. Hoje eu acordei egoísta, eu tenho acordado egoísta há tempos, só queria que você soubesse.



27 de setembro de 2011

Melodias.

Por mais que existam novas bandas serão sempre os versos antigos que você irá lembrar, e serão os velhos versos que você dirá para si mesmo, todos os dias enquanto espera a condução e lembra que nada muda mesmo.

Mentira, por que muda sim. Existem amarras lá atrás, algo que não deixa de te incomodar, mas você se cerca de coisas boas, de pessoas boas e assim espera que um dia as coisas ruins se apaguem, sumam, esqueçam de te procurar no meio de um pensamento bom.

As marcas só aumentam, mas agora são marcas felizes, que terminam por sufocar as marcas ruins. E as ruins vão ficando para trás, vão sendo esquecidas, vão se tornando menores e mais fundas. Olhando bem, não tem cicatriz amarga nenhuma. Só tem se você quiser que tenha.

O batom transborda da boca grande cheia de vontade de ter cor. O perfume vai de três gotinhas que enchem de vida por onde ela passa. E eu passo adiante os conselhos que me dão. Não consigo aplicá-los a mim, por mais que saiba que é o certo a fazer. Durmo sorrindo, embalada na certeza de ter decido pelo caminho certo. Tenho a consciência tranquila e a memória condicionada a só lembrar de coisas boas.

E as velhas canções tomam um novo sentido.


26 de setembro de 2011

Agora é que são elas.



Fazer algo que a gente gosta é a receita certeira para viver bem. E isso acaba se tornando um círculo vicioso da melhor qualidade: quanto mais você gosta do que faz, mais feliz é, e assim por diante. Encontrar algo assim, que nos deixe instantaneamente feliz, não é algo muito fácil, mas não é impossível. E pode estar onde você menos imagina. Basta se dar a chance de tentar. Será que você não está encontrando nada que ame ou não está se dando uma chance de amar o que encontra?
 - Onde encontrar paixão pelo o que se faz, texto meu para Lipton. Leia o resto aqui.

Perto de completar um ano desde o dia em que eu finalmente decidi chutar o balde e viver de fazer o que gosto, começo a pensar no quanto a minha vida mudou desde então. Hoje eu tenho até mais graninha do que ganhava então, mas a questão maior nem é essa. O que rola é que hoje me sinto infinitamente mais feliz, mais capaz, mais bonita até. Isso por que fiz mais por mim neste úlitmo ano do que fiz na vida inteira. Gosto mais de mim hoje do que gostava até dois anos atrás. Por que tive coragem de dar o passo inicial para mudar minha vida por completo.

Isso é estranho. E bom. Hoje mesmo em um dia ruim eu consigo ter algum motivo para sorrir. O resultado final disso é que sendo feliz sobra mais tempo pra fazer um bocado de coisa, também. Antes era uma bagunça completa, sem motivação ou perspectiva nenhuma. Agora é hora de fazer acontecer, no caminho que eu mesma construi pra mim. 

Soa bem. E é doce também.


18 de setembro de 2011

Deixa que digam, que pensem, que falem.

Acabei de escrever um texto inteiro com o briefing errado. Acabei de passar uma semana inteira me culpando por babaquice dos outros. É estranho isso, se te elogiam você acha que estão exagerando. Se te criticam, você sempre acha que não poderiam estar mais certos. Por que a gente é assim, né? Concordar com hater? Pelo amor de Deus! Clamo aos espertalhões que estão aí sentados na janela vendo a minha vida e dando pitaco: como é ser perfeito? E por que a sua vida não é perfeita, então? Por que ela é tão vazia que você tem que gastá-la sentado na janela cuidando da minha?

Quem eu amo, quem me ama de verdade, estes eu levo comigo e não preciso de nada pra saber que eles me levam com eles também. Não precisei de muito para ter a prova disso, alguns meses atrás quando fiquei mesmo doente. Que seja. A questão não é essa.

A questão, bem da verdade, não deve nem existir. Olhando bem pra minha vida, não tem questão nenhuma. Sei da verdade e sou feliz, como diz o poema. Se o espertalhão das linhas anteriores quer analisar a minha vida e dizer onde estou errando e dar os motivos da minha "maldade", pois bem. Adianta eu tentar falar algo pra alguém que já tem opinião formada? Opinião formada sobre mim! Não adianta. Então segue aí o seu circo, com um a menos na platéia. Se me escolheu pra tema do seu show, problema seu, não meu. Eu tô bem feliz aqui, colega.

Claro que, pra quem te odeia, qualquer atitude sua é motivo pra aumentar a lista dos seus defeitos. Um dado interessante: eu tenho uma lista com os meus defeitos. Não gosto muito de lê-la, mas tá lá em um dos meus caderninhos. Então você vê que é tempo perdido querer dizer pra mim os meus defeitos. Sei de tudo, colega. Páginas e páginas. 

Mas eu sou minha. Meus defeitos são meus. Você não manda nada aqui. E não é seu dedo sujo apontado pra mim que vai me fazer mudar. Tá nervoso comigo, cospe no chão e sai nadando. Eu tô de boa, aqui no meu velho e querido banco, sabendo que você vigia tudo o que faço pra falar mal de mim depois. E é bem isso que você merece.

Você sabe que eu vencerei / que eu triunfarei / isso incomoda você / isso vai matar você.

Risos.


16 de setembro de 2011

Se eu fosse um robô...

Tenho pensado em robôs, tenho pensado nestes três meses que não passam logo e nas passagens de avião guardadas no fundo da gaveta. Tenho pensado em ficar quieta e parar de falar o que penso. E em como tem gente que simplesmente não consegue aceitar que você deixou de gostar dela. Deixou de gostar por nada, ou por tudo. Ou simplesmente por que as coisas mudaram e é certo que as coisas mudam.  É certo que as coisas mudam, vamos olhar para frente. Para o alto e avante.

Hoje meu irmão fez este desenho pra mim e me mandou.

Eu quero ir logo pra Foz.

13 de setembro de 2011

Agora em livro.

Nick Jonas: Eu estou lendo um livro agora sobre você - "Complicated Shadows: The Life and Music of Elvis Costello".
Elvis Costello: Meu Deus.
 - Nick Jonas entrevista Elvis Costello para a Rolling Stones.

Muito boa (risos) essa mania que eu tenho de querer muito uma coisa e de tanto querer, achar que é impossível e nem tentar. Ainda bem que tenho amigos que lembram de mim quando veem coisas que eu possivelmente quero - e correm atrás delas por mim, por gentileza.

Foi assim com o livro  "Complicated Shadows: The Life and Music of Elvis Costello", sem tradução no Brasil, lançado em 2005. Desde que soube do livro, através da entrevista que Costello concedeu a um dos Jonas Brothers, fiquei querendo muito tê-lo. Mas como não tinha no Brasil e eu manjo nada sobre compra em site gringo (tô malemal aprendendo agora), deixei de lado.

Quis o destino e a internet que o meu querido e dylanesco amigo Pedro Couto se deparasse com o tal livro nas Amazons da vida e viesse me perguntar: tu quer esse livro? 

ORRA.

Aí foi lá o Pedro comprar o livro pra mim, com seu lindo cartão internacional (que nem é dele, é do irmão) e depois de muita espera, chegou meu livrinho, eu entreguei o dinheirinho e tá aqui o meu livrinho. Meu livrão: 400 e tantas páginas. Complicated Shadows é uma biografia não-autorizada do Costello (que ele morre de vergonha), recheada de fotos e fatos. É um dos poucos livros sobre Costello que existem. Até já baixei uns app de tradução pro meu celular e comecei no metrô mesmo a leitura. Tem jeito melhor pra treinar meu inglês?

Tô apaixonada pelo livro.

- Meu Deus, diria o Costello.




12 de setembro de 2011

Qualquer coisa que destoa.

Já disse no FB, mas reforço aqui: as fotos ficaram maravilhosas! Captaram sua alegria, sua doçura e a menina feliz que você às vezes procura. Olhe sempre para elas: são você e sua beleza (dentro e fora).
- via Cristina Hiba, neste post.

Tenho procurado mesmo por esta menina feliz. Essa menina que às vezes se perde - e se perde muito. E sai perdendo coisas e pessoas pelo caminho. Então faz listas para se organizar. Listas de defeitos e atitudes erradas, sonhando em dia poder riscar algum item e poder dizer que está curada. Mas nunca vai conseguir, sejamos sinceros.

Não quero perder de vez essa menina, embora tenha dias em que ela definitivamente escape das minhas mãos, depois de ouvir coisas que a machucam e de ser machucada de verdade mesmo. Se olhasse todos os dias a lista de defeitos, quem sabe as coisas poderiam ser melhores.
Mas é claro que não olha, a menina feliz tenta esquecer que problemas existem e foge correndo quando eles aparecem. Foge correndo e só volta com a promessa de que está tudo bem. Mas no fundo ainda existe qualquer coisa que destoa, qualquer coisa que nunca desentoa.

E assim vai.

4 de setembro de 2011

Top 5 - Costello & amigos


Vamos de continuação da nossa empoeirada série Top 5, que começou listando os covers mais legais que o Costello já fez. Na minha opinião, claro.

Hoje vou falar dos 'participações especiais' mais legais (de novo: na minha opinião, claro) que o Elvis Costello fez. O que fizeram com ele, tanto faz. Uma coisa interessante sobre o Costello é que ele é um cara muito bem relacionado no meio musical. Tem muitos amigos. Ou simplesmente é um arroz de festa, tanto faz. Fato é que ele adora dividir o palco com quem quer que seja. Até por isso é meio complicado escolher apenas 5 participações legais.

Mas se eu disse que vou fazer uma lista, então eu vou fazer uma lista. Por ordem de importância emocional, essas são as minhas 5 "with friends" favoritas do Costellelvis. Enjoy!
  1. Com Diana Krall e Willie Nelson, cantando Crazy - Aqui o clima é de sedução, mistério e perigo. Costello divide o palco com a 'patroa' Diana e de bônus ainda temos a presença luxuosa de Willie Nelson como segurador de vela e segunda voz. Coisa fina.    
  2. Com Billie Joe cantando Basketcase: Na verdade isso aí acho que foi um freela de fim de ano que o Costello fez, por que se você procurar no youtube tem vídeos de hits de pelo menos uns quatro àlbuns do Green Day com o Costello e o Billie tocando juntos ao vivo. Minha impressão é de que o Costello virou guitarrista do Green Day na turnê de American Idiot. Não estou reclamando.
  3. Com Sting, cantando Alison: Me dá um pônei, por que é só o que me falta pra ter eu ter convulsões de doçura depois de ver esse vídeo. =^_^=  
  4. Com Beastie Boys, cantando Radio, Radio: Aqui vou citar um post do próprio ECGMN pra explicar o contexto da parceria de Beastie e Costello: "Em 1977 Costello foi convidado para tocar no Saturday Night Live e foi expulso do palco. Motivo: o combinado era ele tocar Less Than Zero, mas ele tocou só a introdução e mandou Radio, radio, música que os produtores não queriam que ele tocasse devido à sua mensagem anticorporativista. Ele só foi aparecer novamente na TV americana em 1989, no próprio SNL. Em 1999 Costello retornou ao SNL, na comemoração dos 25 anos do programa. Beastie Boys no palco, prontos para tocar o hit Sabotage, Costello invade o palco, diz "Desculpe senhoras e senhores. Não há motivos para tocar esta música" e manda Radio, radio novamente, como havia feito há 22 anos atrás. Elvis estava perdoado. E vingado, claro." 
  5. Burt Bacharach & Elvis Costello cantam I'll Never Fall In Love Again: Parceiros de longa data, Costello já fez vários covers de Bacharach e eles até já gravaram um àlbum juntos, o sem defeitos Painted Of Memory. Mas o meu registro favorito dos dois juntos é mesmo na cena final de Austin Power 2, onde a gente pode ver todo o mojo de uma música perfeita.

3 de setembro de 2011

Entre aspas.

São Paulo é uma cidade que lhe agrada muito - aquela combinação abstrata de linhas e formas infinitas quadriculando o mundo inteiro e fazendo dele uma obra tão brutalmente humana que não há fissura por onde a natureza possa entrar. Um mundo de cabeças se movendo; todos habitam um mapa, não um espaço. São ideias e projetos que se movem, não pessoas. Ele se sente em casa, ainda que na última camada da memória ressoe a maldição de seu guru da infãncia contra as megalópoles como o clímax do anti-humanismo e a derrota final do bom selvagem. O rio Tietê apodrece, os prédios sobem para o céu; o asfalto que nos separa da natureza é também o homem passado a limpo. Ou - ele imagina, sorrindo - eu gostaria de ficar de cócoras (volta-lhe a imagem clássica do Jeca Tatu de Monteiro Lobato) picando fumo acocorado no chão ou sentado num banquinho de três pernas para não complicar o equilíbrio? Os moderados diriam que o progresso e natureza são incompatíveis, mas é preciso alguma civilização entre uma coisa e outra, e no Brasil parece que não há tempo para nada, entre um projeto e outro há um mar de pessoas que vão sendo esmagadas no caminho - o país não dá para todos, paciência. Uma nação tão grande! Mas o que se pode fazer?
Cristovão Tezza in O Filho Eterno.

É bom voltar a ler Tezza, depois de tanto tempo e ver que continua fazendo sentido. Quem sabe até mais agora. Quem sabe até mais.