Elvis Costello Gritou Meu Nome

Tati Lopatiukinfo
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São Paulo - SP Blocker e eventualmente jammer na Ladies Of HellTown Escritora e web redatora 28 anos Colecionadora de gatos

A história de uma garota que decidiu ser feliz pra sempre.

28 de maio de 2011

Surpresas.

Então, dormi até tarde hoje e no meio de toda a preguiça resolvemos, eu e o meu menino, juntar forças e ir até ali no shopping tomar um café. No meio do caminho deu fome, almoçamos e só então fomos tomar o dito café. Cafeteria que fica dentro de uma livraria, livraria que já na entrada exibia um banner que me deixou eufórica: Às 16hs sessão de autógrafo com Mauricio de Sousa. Olhei para o relógio: 15h55.

Corremos pra fila do local onde Mauricio estaria autografando. Chegando lá, fomos informados que só poderia entrar quem tivesse com o exemplar mais recente do gibi Turma da Mônica Jovem, aquele em que a Mônica e o Cebol(inh)a começam a namorar - edição esta que só tinha na boca do caixa da livraria. Corremos comprar o gibi, na volta o salão já estava lotado e a fila só crescia. Peguei a senha número 90.

Na fila por quase uma hora, vi Mauricio de Sousa passar por mim. Baixinho, velhinho e super simpático. Quando finalmente entrei, ainda esperei por mais uns 20 minutos, até chegar a minha vez de conhecê-lo. Ensaiei mentalmente mil coisas pra dizer. Que foi com a Turma da Mônica que eu aprendi a ler. Que eu cuidava com o maior cuidado do meu Almanacão de Férias, para que ele durasse o ano todo e não apenas o verão. Que eu tenho o Cascão n. 01, lá em Foz. Que vim de Foz para São Paulo para ser escritora e que foi lendo os gibis dele que eu aprendi a gostar de ler.

Na hora, claro, não falei nada. Falei só: Oi, Mauricio! e ele me chamou pelo nome, autografou meu gibi recém comprado. Segurei as lágrimas e a tremedeira na mão e agradeci.

Na saída ainda tirei foto com a Mônica e o Cebol(inh)a. E fui tomar o café, que foi o que tinha me levado até ali, pra começo de conversa.

Ele escreveu "Oi Tati!" no meu gibi e autografou. Nunca vou esquecer deste dia em que sai só pra tomar um café e voltei pra casa com um sonho realizado.


25 de maio de 2011

"Consegui o que queria. E agora?"

Passando rápidinho só pra me exibir mostrar uma matéria que saiu no IG essa semana e conta com a minha modesta colaboração. A pauta era: o que fazer quando você finalmente realiza seu sonho? Em entrevista à Verônica Mambrini eu contei um pouco sobre como lidei com esta situação, pela qual passei há alguns anos atrás. Meu nome tá errado na matéria, mas tudo bem. ^_^

O link é este. Por favor, leiam e me digam o que acharam. Compartilhar experiências é sempre bom.


24 de maio de 2011

Na raiz.

O lar de uma pessoa é como um delicioso pedaço de torta que você pede no restaurante de uma estradinha campestre em uma noite agradável — o melhor pedaço de torta que você já comeu na sua vida — e que nunca mais encontra de novo. Depois que você sai de casa, pode sentir saudades do lar, mesmo se estiver numa casa nova que tem um belo papel de parede e uma lava‑louças mais eficiente que a da casa em que você cresceu, e não importa quantas vezes a visite poderá nunca realmente se curar da sensação palpitante de saudades no seu peito. A saudade do lar pode atacar até quando você ainda está vivendo no seu lar, porém é um lar que mudou com o passar dos anos, e você sente falta do tempo — mesmo se esse tempo só existiu na sua imaginação — em que o seu lar era tão delicioso quanto na sua lembrança. Você pode procurar na sua família e na sua mente — assim como pode procurar em estradinhas campestres escuras e sinuosas — tentando recapturar a melhor época da sua vida, para poder curar a sua saudade do lar com um segundo pedaço daquela torta de um sonho distante, mas a sua busca terminará em vão, pois você perdeu o mapa que lhe dizia onde virar, e o restaurante pegou fogo há muito tempo, e a cozinheira que fez a torta se cansou de esperar por você e em vez disso dedicou a vida a fazer massa de tomate, mas ela não é muito boa nisso, e agora você está perdido na vida, as trevas se fecham sobre você, sem nada a não ser uma palpitação triste no peito e um gosto amargo na boca.
~ Lemony Snicket, em Raiz-Forte.


Não quero que isso soe mais triste do que realmente é. É só um trecho em especial de um livrinho que li hoje pela manhã. O livro, como diz o subtítulo, contém verdades amargas que você não pode evitar, mas assim é a vida. Hoje fui ao médico e levei uma bronca homérica. Li ontem algo sobre o modo como os comerciantes espertos tratam seus clientes: como criança. A ligação aqui é que me senti mesmo uma criança levando bronca. E fiquei muito triste, claro.

Ainda bem que eu tinha lido este livrinho antes da falar com a doutora. Deu pra digerir melhor a raiz-forte que foi a consulta médica. Agora é ver se consigo reverter esta situação. Vamos acompanhar.

23 de maio de 2011

I'll be there for you.

Falando nisso, a festa de sexta era retrô, anos 90. Sou oitentista, sim, mas é óbvio pela minha idade que eu aproveitei bem mais os anos 90 do que os 80, então você pode entender o frisson de ir à uma balada dessas. Foi também a primeira vez em um bom tempo que saímos à noite pra balada - ultimamente o tempo, a grana, as zicas e o cansaço não tem deixado.

Então, fomos. A balada era a Tiger Robocop.

É raro quando uma noite dá certo do começo ao fim. Do comecinho escolhendo a roupa em casa e dançando na frente do espelho, ao fim, às 7 da manhã do outro dia, se enfiando embaixo das cobertas pra dormir abraçadinho. E assim foi.

Sabe, tinha muitos jovens sensualizantes por lá. Fiquei lembrando deste tempo, quando eu era assim e lembrei do quanto parecia legal, mas depois, quando eu ficava sozinha era tão vazio. Voltar sozinha pra casa era sempre tão vazio. Parecia que toda a noite tinha sido uma farsa. Mas não é uma crítica. Entendo que é uma fase. Por isso, como disseram no post anterior, a gente tem que olhar pro passado e ver que as coisas evoluiram, por mais que bata uma nostalgia involuntária.

Por que hoje eu chego na balada já com o gatinho garantido, que fica comigo a noite toda, que dança comigo nas músicas mais bobas, que segura a cerveja pra eu amarrar o cadarço. E depois vamos tomar um café antes de ir pra casa. E depois ele dorme comigo, arruma minha coberta, beija minha nuca antes de dormir - mesmo eu "reclamando" que me dá arrepio.

E depois tenho ele todos os dias comigo. Quando eu chego em casa e estou triste. Quando preciso que me imprimam um treco de um boleto que tem que pagar hoje sem falta. Quando quero dançar uma música louca em casa. É ele quem me abraça todos os dias, que escuta meus lamentos, que ri das minha bobeiras e me protege de mim mesma quando eu surto.

É ele, sempre ele, que quero comigo pra sempre, pra onde eu for. Só ele e ninguém mais.


22 de maio de 2011

So, no one told you life was gonna be this way?

Quando você assiste aqueles episódios antigos de Friends não tem vontade de chorar e pedir que eles: por favor, não mudem, tenham cuidado, a vida passa, tudo vai acabar, fiquem aí onde estão, não envelheçam, não saiam dai.

Não deixem o tempo passar, vamos continuar onde estamos. Vamos ficar parados aqui, aqui é tão bom.

Mas não dá.


20 de maio de 2011

Se eu pego uma canção, faço dela a minha vida.

Com todo esse burburinho sobre a Banda Mais Bonita da Cidade (que eu não curti), acabei lembrando de Teatro Mágico (que eu também não gosto) e no fim das contas lembrei da possível única banda desse nicho "paz, amor e bicho-grilo" que eu gosto, a Formidável Família Musical.

Eu acho que quem me mostrou essa banda foi o meu amigo Crevilaro, mas não tenho certeza. O caso é que é uma banda soteropolitana muito bonitinha, aqui dá pra ouvir umas músicas dela. A verdade é que eu não gosto muito dessa vibe resgate dos bailinhos, mas enfim, não é algo com o que eu vá me incomodar. O problema é quando ficam sete milhões de pessoas falando sobre a mesma coisa, aí começa a irritar. Por mim, posso passar muito bem sem esse new tropicalismo plus preguiça - inclusive por que minha opinião sobre o tema não acrescenta nem atrapalha o seu desenvolvimento.

O que estou tentando dizer é que não me importo com a música, o que me incomoda é a histeria coletiva que ela pode causar. E aí a coisa não se restringe ao tal new tropicalismo. Aí abrange nego querer botar fogo no mundo por que Restart disse que se inspira em metal ou por que Detonautas regravou AC/DC. Isso que me incomoda. Por que as pessoas se incomodam tanto com as músicas que são feitas, se no fim ouvi-las depende exclusivamente delas, das pessoas?

Isso que eu não entendo. Acho que no fim quando você ataca muito uma banda é por que você quer atingir o tipo de pessoa que ouve esta banda, então mesmo isso eu tenho evitado. Sei que sou bem chata neste quesito, mas estou tentando me policiar. Por que é tão cansativo querer dizer o que os outros tem que fazer, mas é ainda mais cansativo tentar definir o que é certo ou o que é errado. Eu tô caindo fora da disputa, decidam aí e me deixem em paz ouvindo o que eu quero e o que eu gosto. Até onde sei, pra isso é que foi feita a música.



19 de maio de 2011

Mocca

Hoje vou fingir que não aconteceu nada, que não vai acontecer nada. Que não está acontecendo nada. Vou beber meu café favorito, encontrar meu menino e aproveitar o frio. Amanhã é outro dia. Dias melhores virão, eu acho.

(E eu sou só um amontoado de clichês, até aí nenhuma novidade.)


18 de maio de 2011

Paralisante,

O frio me pegou desprevinida, saia e meia-calça não esquentam as pernas grossas, compras não acalmam o coração cansado e com certeza, dores de última hora não melhoram humor nenhum.

Decidi ir andando a pé até o metrô, falaram em greve de ônibus, bem da verdade não vi diferença alguma. Era estranho a rua toda escura, as luzes dos prédios acendiam conforme eu passava. Meus dentes latejavam.

Chegando em casa a dor aumentou, corremos pro dentista. Toda a mágoa que eu tenho de ficar doente se multiplica por mil, por ficar doente justo agora. Não tenho tempo pra ficar doente. Estou cansada demais pra ficar doente. E fico, fiquei doente. E tenho medo de ficar mais. E sofro por antecipação, sofro por medo da dor. Bem assim. E tudo estraga, perde a cor, perde a vontade.

As compras para chegar, a passagem de avião, o trabalho, o amor. Mas fica tudo sem cor, de tanto medo. E tudo perde o gosto. E nem fome se tem mais.



11 de maio de 2011

Pra voltar.

Now I have nothing
So God give me strength
'Cos I'm weak anyway
And if I'm strong I might still break
And I don't have anything to share
That I won't throw away into the air
That song is sung out
This bell is rung out

- God give me strength ~ Elvis Costello

Às vezes tenho vontade de rezar agradecendo ou de rezar pedindo algo, mas penso que seria muita cara-de-pau da minha parte. Quantos anos sem rezar antes de dormir? Muitos, perdi as contas. Como quem simplesmente esquece de passar um creme no rosto todos os dias, como quem esquece de tomar um remédio por que a dor já passou. Assim, sem motivo nenhum, perdi o costume.

E de repente você se vê em uma situação em que dá vontade de (né?) rezar, sei lá, e fica sem jeito. Parece meio vazio fazer isso agora. Parece meio falso, não sei. Não sei se acredito ou se desacredito em Deus, não fica meio estranho chegar do nada e mandar um pai-nosso? Eu acho. Mas em momentos de desesperança sempre se pensa em Deus. Este tal Deus de quem já não sou mais tão íntima.

Se fosse fazer uma promessa, nem sei o que prometeria. O que se promete, hoje em dia? Quando era pequena tinha bronquite e minha mãe prometeu que se eu me curasse ela ía comigo na primeira missa do domingo durante nove domingos seguidos. Deu certo. E então, há quanto tempo não vou à missa?

Aí por um motivo ou outro você se vê triste e sem esperança e uma música bonita começa a tocar. E você pensa "Bom, quem sabe eu possa voltar". Mas fica aquele vazio, aquela incerteza.

Fica você de um lado, Deus do outro, os dois quietos. Você sem saber o que falar, ele sem saber se adianta dizer. E a música ao fundo.



9 de maio de 2011

Este é mais um discurso cansado de alguém que não desiste.

Não sei você, mas eu ganhei um hidratante. É, um hidratante. Daqueles bem cheirosos, que a gente passa depois do banho e fica sete vezes mais bonita. Também ganhei um tanto de presentes e carinho, por que foi o meu aniversário. Faz bem, né?

Blogueiro que publica receita, look do dia, review de filme, resenha de livro, foto bonita de passeata pró gay marriage. Poxa, querem tanta coisa de mim. E todo mundo, todo mundo, tem uma opinião. E sempre é, assim, a melhor opinião e ele não pode guardar só pra si, tem que cuspir na cara dos outros. Os outros querendo ou não.

Por isso, cansei. Por que tem um mundo todo aí de gente cheia de razão. E eu quieta, levando porrada. Depois, pensei que não adianta. Eu mesmo não consigo calar esta minha boca grande. Resta apenas, eu acho, maneirar um pouco. E me proteger das eventuais bocas gigantes que sempre têm uma opinião - que eu, por acaso, não quero ouvir.

Daí a importância dos hidratantes que nos deixam sete vezes mais belas. Das cartinhas dos amigos, dos presentes mandados com o preço (constrange e enternece). Daí a importância dos passeios em dias de Sol e de desligar o notebook tão logo quanto possível depois do jantar.

Eu vou tentar mais uma vez por que, veja só, é só o que eu posso fazer. É só o que eu sei fazer. Que outra escolha eu tenho, senão conquistar o mundo todas as manhãs? Essa costumava ser a minha frase favorita. Olha, hoje quase não consigo. Tem dias em que não consigo mesmo. Tem dias que choro até esquecer como é o meu rosto quando sorrio. Tem dias em que desconto nos outros, depois me torturo de arrependimento e vergonha. O barulho do tapa é que humilha. Mas, passa. O bom é que passa.

O mundo pode ter milhões de opiniões e intenções a meu respeito. Quem decide o que vai me afetar sou eu.

E eu não desisto. Todo dia é uma nova chance. Sigo tentando.


5 de maio de 2011

Eu mereço.

Sem mais idade pra se esconder, mas sem vontade, dinheiro, você. Ou planos, até os meus cem anos. Como havia de ser, com vergonha a perder de vista. Como todo paulista, capaz de entender o quão profundo te faz parecer um microfone, uma rostinho blasé, um grito, um boné bem bonito, um tipo pra fazer, um troço pra beber, um vício, pular de um precipício, falar que quer morrer... Às seis da tarde parar de correr, ser de verdade, a vida pra viver... Que chato. Não me vendo barato só pra não ser clichê, até mesmo porque desisto de ver e ser visto, disso e de querer ir lá no frente do pico dizer: "Não acredito em gente que crê no rock". Então não provoque, isso é com você e com todos os teus amigos. Esquece o que eu digo. Mas deixa dizer.

Até que ponto chega a ingenuidade, existem coisas que eu jamais imaginei que iriam acontecer comigo. Conclusões que as pessoas tiram sobre algo que eu já tenha feito e essas coisas eu nunca pensei que sequer existiam. Um dos meus erros foi não ter me informado: eu deveria ter tomado muito mais cuidado. Cuidado com o que eu digo. Cuidado com o que eu sou. Cuidado pra que a espontaneidade não vire algo errado. Eu mereço, eu sou inocente e a culpa é toda minha. Você fala por códigos, se comunica por sinais. Eu não sou obrigado a detectá-los. Você se irritou. Tudo bem, eu não faço mais. Cada um sabe onde lhe apertam os calos. Eu mereço, eu sou inocente e a culpa é toda minha.

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Esses textos não são meus. São daqui e daqui. Por que da minha boca não sai mais nada. Cansei.