Elvis Costello Gritou Meu Nome

Tati Lopatiukinfo
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São Paulo - SP Blocker e eventualmente jammer na Ladies Of HellTown Escritora e web redatora 28 anos Colecionadora de gatos

A história de uma garota que decidiu ser feliz pra sempre.

29 de novembro de 2010

Carência.

Listaria todas as coisas que tem me tirado do sério, ou antes disto, tem me deixado séria. Assim séria e calada, cansada da vida e magoada com o mundo. Não me importa muito as desculpas que ouço dos outros ou as tentativas de chantagem emocional que recebo por meio de conversas muito bem articuladas - ou articuladas em silêncio - com quem eu nem quero conversar.

O que mais existe no mundo é gente se desculpando, mas com um timming totalmente errado.

Mas a coisa toda é que é ruim apenas reclamar, como se eu não visse nada de bom no mundo. Nem é o que eu quero. Estou um pouco cansada do mundo e é apenas isso o que está acontecendo. Não é você, nem nunca foi. É o mundo e eu.

Também é assim cansativo ter alguém sempre com uma interrogação no rosto, onde deveria ter um sorriso. O que agora eu gostaria de dizer, deixando de lado toda a mágoa, preguiça e cansaço, seria:

Você faz falta o tempo todo, mas quando sai de casa antes de mim, faz mais falta ainda. Por que eu saio do banho e não tem ninguém para me dizer o quanto estou bonita. Nem ninguém para eu tropecar no caminho da cozinha, ninguém para sentar do meu lado no metrô. Quando você sai de casa os gatos voltam a dormir, afinal, o que mais há de se fazer? Os gatos me olham com uma comiseração que é só deles, eles entendem o que eu sinto, mas é só o que podem fazer: me olhar.

Você tem um jeito só seu de me fazer sentir amada, alguma coisa no jeito que você me olha, como se tivesse descoberto em mim um grande tesouro.

Desculpa se ontem eu chorei ou não quis te olhar nos olhos.

Eu sei que essa é uma fase complicada, mas fácil de se passar. Com você eu aprendi que posso sim ser feliz, então sei que essa carência toda não dura muito. Contanto que eu tenha você.



27 de novembro de 2010

A história do gajo de Portugal

Bom, então tem essa história, que aconteceu esta semana. Vocês lembram que eu contei aqui, toda alegrinha, que o Elvis Costello era matéria de capa da revista Blitz de novembro? E que quando a revista chegasse às bancas eu seria a primeira a comprar? Pois é, epic fail prá mim, por que, BANG, a revista nem brasileira é.

De boa que eu confundi Blitz com Bizz, com tantas outras e nem pesquisei nada. Depois de "dar com a cara na porta" em várias bancas, o Alex pesquisou e matou a charada: a revista é de Portugal, galera. E eu indo em banca de rua aqui em São Paulo, aloka, deixando os jornaleiros culpados com a minha cara de tristeza diante da inexistência da revista em suas prateleiras.

E até em mega bancas eu fui, não achei nem importada. Ok, paciência.

Mas tem essa coisa do Alex ter diploma em tramóia (certificado by @congeminemos) e do nada ele me vem com a história de que conhecia um português de um fórum online ou sei lá o que que ele participa. E que ele pediu pro cara comprar a revista prá mim e me mandar. O Alex pagaria as despesas e tal.

O tal cara - Antônio Nunes Vidal, olha a fofura - prontamente aceitou comprar a revista e nos mandar. E assim, de boa, não aceitou que a gente pagasse nem o preço da revista e nem as despesas. Falou que daria muito trabalho essas coisas de depósito bancário (!) e tal. Dá prá acreditar que ainda exista gente fofa assim neste mundo?

O Alex trocou emails com ele, onde ele contou que além da revista ainda vinha um cd e um jornalzinho, que ele mandaria junto. Os emails eram os mais divertidos e singelos, pela diferença no idioma. Aqui o email que Antônio mandou quando postou a revista:

Viva!
A revista seguiu na 2ª feira.
Lamento informá-lo que, a conselho da empregada dos correios, registrei a encomenda, o que o pode obrigar a deslocar-se à estação dos correios para a levantar.
Outra coisa desagradável é que o prazo de entrega estimado é de 1 semana (5 dias úteis), pelo que só deverá receber a revista na próxima 2ª-feira.
Vai sofrer muito até saber se o CD chega partido ou não! :(
Quando chegar, conte-me como foi.
António Nunes Vidal

Tipo, aparece do nada um cara do Brasil pedindo que Antônio compre e envie uma revista para outro país e Antonio ainda se preocupa se o tal cara terá que ir ao correio buscar, ou se o cd que vem de brinde vai "se partir". E não, ele não pediu nada em troca.

Resumo da ópera? A revista chegou uma semana depois deste email acima, em um envelope com um "forro" especial (para não quebrar o cd, preocupação suprema do Antônio). Como prometido, além dela veio junto um jornalzinho sobre música e o tal cd, da Billie Holiday.

A revista é muito bacana e a entrevista com o Costello é maravilhosa. Mas o que mais me deixou feliz foi saber que ainda existe gente capaz de gentilezas destas, que se dispõe a gastar tempo e dinheiro só para fazer um "capricho" de alguém que mal conhece.

E foi assim que o meu epic fail inesperadamente virou um epic win, ó pá!





23 de novembro de 2010

Ledo engano.

Eis o que eu pensava, quando criança, sobre como seriam as amizades na vida adulta: inexistentes. Eu quero dizer, eu via meus pais sempre ocupados e cansados, chegando em casa no fim dia e tendo tempo apenas para jantar e ver a novela antes de ir dormir. Nos finais de semana, ir na casa da vó ou de alguma tia. Não havia ninguém fora do nosso círculo que não fosse da família e nenhum programa que não fosse familiar. Então, na minha lógica infantil, eu pensava que adultos eram pessoas sem amigos.

Claro, hoje a minha realidade de adulta é um tanto diferente. Eu não tenho filhos, o que me possibilita ter um pouquinho mais de tempo para mim. E para os meus amigos. Surprise, surprise, então adultos podem ter amigos! A pequena Tati se espanta.

Deve ter sido o fato de eu não ter pensado muito nisto quando criança (é, pois é, eu curto pensar muito nas coisas sobre as quais não adianta nada ficar pensando), achando que era um tópico desnecessário no aspecto prático, mas sabendo agora que amizades entre adultos existem, me espanta ver o quanto elas são infantis.

De algum modo eu achava que as amizades entre adultos, no caso de elas realmente existirem, seriam algo bem mais fácil de lidar quando você tivesse trinta anos do que eram aos 15 anos, para mim. Oh, pois é. Ledo engano.

Eu acho que você pode pegar duas pessoas amigas com quinze anos de idade e outras duas de trinta anos e você vai ter basicamente o mesmo comportamento. Com a diferença de que as pessoas de trinta anos provavelmente falam mais baixo enquanto conversam, enquanto as de quinze anos soltam gritinhos e risos bizarros.

Mas os joguinhos de atenção, as carências, as cobranças, as chatices, estão todas lá. Eu fico absurdada em ver que beirando os trinta anos de idade ainda tenho que lidar com amiga que fica brava comigo e me dá "gelo". Pode? Que faz birra, conversa com todos, menos comigo. E eu também achava que quando fosse adulta seria mais confiante e não ficaria a ponto de chorar ao saber que alguma amiga minha vem prá minha cidade e vai embora sem eu nem saber e muito menos receber uma visita dela. Sabe? Outra: achava que eu saberia conversar com qualquer pessoa que aparecesse na minha frente. Afinal, sou adulta, não? Nada deve ser um bicho de sete cabeças para mim, muito menos amizades com outras pessoas, que são tão adultas quanto eu.

De um modo geral, em um julgamento apressado de quem teve que pensar nisto em cima da hora, pode-se dizer que eu achava que as amizades entre adultos eram mais... adultas. É. Achava isso.

Deveria ter pensado melhor nisto quando era criança e não ter deixado este tópico de lado como se ele nunca fosse ser necessário na minha vida. Pelo menos agora eu estaria mais preparada.


21 de novembro de 2010

Já posso dizer.

Nem sempre parece tudo tão bom. Em alguns momentos cansa, em outros você se desespera, depois você se cala, toma um café e tenta respirar. É uma época boa, é a melhor época da minha vida, não me canso de me fazer lembrar. Tem amor, gatos, passeios, sexo, trabalho, dinheiro, saudade e preguiça. Tem um pouco de medo, mas tem também muita gratidão e vontade de fazer as coisas darem certo. Tem o carinho de vocês, a cada comentário.

Algumas pessoas são super abertas à novas amizades. O problema é que o conceito de amizade delas é ter os outros sempre por perto vendo o quão maravilhosas elas são, mas não deixando você de fato interagir com elas. Cansa um pouco. Encana a cabeça da gente. Será que o problema é comigo? Sei lá, também não faz diferença, quem volta sozinho prá casa sou eu.

Mas olha, eu só não posso perder o foco. Eu estou indo muito bem, queria que vocês vissem. Claro, algumas coisas nunca mudam, mesmo. Mas... Será? Quem sabe não mudava por que era eu que achava que não tinha jeito. Quem sabe tenha. Um dia de cada vez e vou achando o meu caminho. Sem medo, desta vez.



18 de novembro de 2010

(oh) Pretty Woman

Você lembra daquela cena de Uma Linda Mulher, em que a Vivian tem que mudar o seu estilo de roupa para acompanhar o Edward em algum evento social lá (não lembro qual)? E aí um cara random qualquer trata ela mal e ela fica muito brava? Na verdade ela fica brava mesmo por que não soube se defender, lembra? É quando ela fala para o Edward que se pelo menos ela estivesse com as roupas dela ela conseguiria se defender... Não sei explicar por que, mas desde a primeira vez em que vi o filme esta cena me marcou muito.

Não se trata do jeito certo ou errado de se vestir, mas sim de estar com aquelas roupas que fazem você se sentir bem, segura, não importando se é uma calça de grife ou uma camiseta surrada. Is all about that.

Eu sempre reclamei de ter que usar roupa social, posar de mulher executiva, usar sapatos que destruiam meus pés. Pois bem, agora não preciso mais. Posso usar a roupa que eu quiser para ir trabalhar. E adivinha só: não sei o que vestir. Me sinto desconfortável, feia, inadequada em toda roupa que uso.

Se ao menos eu estivesse com as minhas roupas, diz Vivian em Uma Linda Mulher. E eu, que nem sei que roupa uso mais?



15 de novembro de 2010

Nem ri.

Eu estava desconfiada de que uma coisa havia mudado em mim e tive a certeza neste sábado. Pois é, foi sábado cedinho, antes das nove da manhã que cheguei à seguinte constatação: ou eu deixei de ser besta ou eu comecei a ficar chata. Um dos dois.

Eu explico: assisti a um stand up no sábado e o comediante, se podemos chamá-lo assim, só fazia piadas denegrindo as mulheres. Que a mulher dele só quer gastar, que fala alto, que está gorda. Que é feia. E que enquanto ela estava de resguardo, após ter um filho, o cara queria "comer todo mundo", por que é assim que homem é, né gente?

Eu nunca fui um exemplo de feminismo, na verdade eu sempre fui até que bem machista e filmes como Cara, Cadê Meu Carro? e American Pie me fazem rir até passar mal. Isto não mudou. Mas de alguma forma, este tipo de humor rasteiro começou a me incomodar ultimamente. E me enoja ver um auditório lotado rindo aos borbotões de um cara pregando que homem come geral e mulher tem que se preocupar com esmalte e tinta de cabelo. Normalmente a minha reação à espetáculos como estes seria manter minha cara de paisagem, olhar para o relógio compulsivamente e até rir, por condescendência. Coitado do cara, né gente. Ele pensa assim.

Mas naquele sábado eu percebi que não tem mais graça mesmo. E que se o cara pensa assim, ele não é um coitado, ele é um idiota mesmo. E agora nem se eu tentasse ver este tipo de coisa apenas como um idiota no palco dizendo besteiras eu acharia graça.

É muito fácil usar velhos clichês para fazer rir. Falar mal de mulher, posar de comedor, destilar preconceito e babaquice em troca de risos de uma platéia. Antes eu via isso como uma brincadeira entre iguais, estou aqui tirando onda de você, mas você pode subir aqui e tirar onda de mim. De repente percebi que não posso. Por que se um cara sobe no palco e diz que nem todas as mulheres são comíveis, ele é um gênio do humor. Se uma mulher faz o mesmo, ela é uma feminista mal-comida. Por isso percebi que não tem graça. E percebi que não é preciso ser uma guerrilheira feminista para se ofender com o que falam sobre as mulheres. Nem tudo me ofende, é verdade. Mas algumas coisas eu não consigo mais deixar passar e relevar.

Nessas não sei se fiquei mais chata ou se deixei de ser besta, como disse no começo. Em todo caso, é de uma liberdade indescritível não rir junto com a platéia simplesmente por que você não gostou da piada. Sim, você entendeu a piada. Entendeu muito bem, aliás. Mas não gostou. E ponto.


Mais um.

Tudo tem sido bem corrido por aqui. Novo emprego, novas amizades, muita coisa prá absorver e muito, muito aprendizado. Sábado teve o Café Com Blogueiros, evento simplesmente sensacional, onde passei o dia todo imersa no mundo da blogosfera e da social midia, tudo o que eu mais amo.

Ou quase tudo, por que chegando em casa tinha mais amor ainda: o Alex pegou mais um gatinho prá gente. Na verdade é para a Bibi. É que como agora chego bem mais tarde em casa depois do trampo, a Bibi andava muito sozinha e aprontando muito. Resolvemos pegar mais um gato para fazer companhia a ela. Foi assim que o Da Guia apareceu na nossa vida.

O nome Da Guia é em homenagem ao jogador de futebol que fez história no Palmeiras, Ademir da Guia. Idéia do Alex, claro. A verdade é que desde do começo queriamos um gato "loirinho", justamente para lhe dar este nome. A nossa pretinha Bibi apareceu antes, mas finalmente o "loirinho" apareceu.

No primeiro dia eles se estranharam bastante. Agora até se toleram e na hora de dormir é amor eterno, amor verdadeiro. Engraçado é que a Bibi super quer brincar com o Da Guia, quer lamber, ficar perto. E o Da Guia é o maior encrenqueiro, briga com a Bibi, foge, uma coisa. Aos poucos eles vão se acostumando com a presença um do outro.

Tem sido mesmo muitas mudanças por aqui. E que seja sempre assim, sempre prá melhor.





10 de novembro de 2010

Hardly news na repartição

Não sei quando vai chegar o dia em que centenas de pessoas irão se reunir para ver como ele faz seus balancetes, suas demonstrações de resultado, como ele soma números e os apaga quando erra. Damas e cavalheiros, meninos e meninas, do norte da República, formado em colégio público, com diploma de contador público e privado, Otiliano Ruiz de La Vega. Admirem como este intrépido homem desdobra suas folhas contábeis e escreve um número seis seguido de um oito, seguido de um quatro, seguido de um dois; vejam como bebe um gole de café que pouco a pouco vai esfriando e imediatamente notem a precisão com que fuma seu charuto, soma e subtração. São números amestrados, fazem exatamente o que ele pede; números mágicos, desaparecem ganhos e aparecem gastos, tornam-se vermelhos e azuis ao gosto do mágico; números fortes e valentes que resistem a qualquer auditoria... Que tédio. Se a minha coisa for coisa de mulher, a dele, sem dúvida, é coisa de idiota. Eu preferi fazer alguma coisa extraordinária.

- David Toscana in Santa Maria do Circo


Após mais de cinco anos trabalhando como contadora, decidi deixar a profissão. Pedi demissão hoje. Vou começar algo totalmente diferente, vou fazer o que realmente quero. Aguardem mais novidades. E me desejem sorte.


9 de novembro de 2010

Hey, soul sister!

Devo dizer que quem começou foi ela. Há quase um mês atrás tive a felicidade de conhecer pessoalmente a minha musa Ju Dacoregio, que estava passando uns dias aqui em São Paulo. Em em um rompante no meio da conversa, ela me mostrou a sua nova tatuagem: a frase paperback writer escrita no braço, com letra de máquina de escrever (tem coisa mais fofa)?

Ju é fã apaixonadíssima de Beatles (aliás, nosso encontro foi em uma lanchonete temática da banda, lá na Vila Madalena) e tinha recém se lançado "oficialmente" como escritora, quando do lançamento do seu primeiro livro Diários do Purgatório (que resenhei aqui).

Tatuar o nome de uma canção tão cheia de significados tinha para ela um sentido que eu podia entender muito bem, por ser algo tão parecido com o que eu mesmo vinha sentido. De fato, eu e Ju temos muito em comum, muito mesmo.

Pois bem. E eu que sempre quis ter uma tatuagem mas nunca soube do que, de repente vi tudo fazer sentido. Era por isso que eu não achava um desenho ideal: por que era uma frase que eu queria, não um desenho. Uma frase diria mais sobre mim do que mil imagens, contrariando o famoso ditado.

Levei um mês digerindo a idéia e um belo dia a frase que eu deveria tatuar caiu na minha cabeça, como costuma ser com todas as constatações óbvias: do nada e com urgência. Em menos de uma semana após ter a idéia definida eu já estava no estúdio, dando o braço à tatuar.

Foi inconsciente, mas o lugar que escolhi para tatuar foi quase o mesmo do da Ju e me parece que até isso tem certo sentido de ser. Percebo que eu e a Ju temos a plena certeza de que nossas convicções, quando são assim verdadeiras e firmes, tem de ser levadas à frente, à mostra. Tem que ser a primeira coisa que se vê quando você chega.

Não contei nada disso à Ju, até ter feito a tattoo e ela ler este blog, este post. Ela reagiu muito bem à minha inspiração, homenagem ou cópia, generosa que é. E agora somos irmãs de tattoo, como que para confirmar o que nós duas já sabemos há tempos: que na verdade somos souls sisters.




8 de novembro de 2010

Como era.

Não era uma alegria assim transbordante, que fizesse perdoar todos os pecados alheios, que apagasse todas as mágoas. Não era uma euforia, que fosse se desmanchar no primeiro eco de solidão na volta para casa.

Era quase imperceptível para quem olhava de fora, era uma alegria assim, mansa, calada. Como a tristeza sempre foi. Era na mesma medida e confortava da mesma forma. Era um jeito calado de ser feliz, de quem sempre teve um jeito calado de ser triste.

Era, é, será. Uma felicidade quieta, que dava os primeiros passos e sambava em seu peito sem que música alguma precisasse tocar.



7 de novembro de 2010

My aim is true.

My aim is true é o nome do primeiro àlbum de Elvis Costello, lançado em 1977. O disco não foi um sucesso de vendas, mas aos poucos foi virando lenda. O álbum contém o primeiro hit de Costello, a canção Alison, sobre a qual Costello fala no encarte de My aim is true:

Tudo parece muito novo quando você mora em um subúrbio. Eu tinha várias idéias para discos. Com uma família para sustentar, não tinha dinheiro para frequentar clubes. Na manhã seguinte em que os Sex Pistols apareceram na televisão, eu estava em um trem de carga com tablóides lotados de manchetes escandalizadas. Imaginei que algo deveria mudar e passei muito tempo com um garrafa de café instantâneo e ouvindo o primeiro disco do Clash e acabei pegando meu último dinheiro para fazer “Watching The Detectives”. Escrevi Alison e a maioria das canções tarde da noite cantando baixinho para não acordar minha esposa e meu filho. Eu ainda não sabia como soariam até entrar em um estúdio.

O refrão de Alison diz:
Alison / I know this world is killing you /Alison / my aim is true.
Foi daí que surgiu o nome do àlbum. My aim is true é meu àlbum favorito do Elvis Costello, o primeiro àlbum dele que ouvi e o que mais ouvi até hoje. Alison é a minha música favorita de toda a obra do Costello. My aim is true significa meu objetivo é verdadeiro.

Por todos estes motivos e por muitos outros que só dizem respeito à mim e que provavelmente só eu entendo e me importo, my aim is true é o que diz a minha primeira tatuagem. Que fiz ontem à tarde, depois de um almoço maravilhoso e de um tanto de ansiedade.

Algumas canções nos marcam mais do que podemos mensurar. E de todo modo, não importa o que dirão ou como as coisas irão acontecer. Tenho em mim todos os sonhos do mundo e meu objetivo é verdadeiro.

Como agora se pode ver.

4 de novembro de 2010

Gritando por calma.

Não me critiquem por eu roer as unhas, é o que me impede de matar todos vocês. Olha, esta frase não é minha, li no twitter de alguém (não lembro quem), mas bem que poderia ser. E eu não rôo (sic?) unha, mas o sentimento é o mesmo e eu entendo muito bem o que essa pessoa quis dizer.

Para me controlar, faço listas. Rabisco em um papel minhas cinco bandas favoritas (Elvis Costello, Queens Of The Stone Age, Autoramas, Seu Jorge e Fratellis - nesta ordem). Não adianta. Rabisco meus cinco filmes favoritos (Grease, Manhattan, Saturday Night Fever, Death Proof, O Iluminado - não nesta ordem). Também não funciona, mas pelo amor de Deus, não me faça listar os livros favoritos por que aí a gente nunca mais sai deste post.

Sorte que eu tenho amigos, namorado e familia para me ajudar a controlar esta ansiedade, né? Só não sei sorte de quem. Deles com certeza não, por ter que me aguentar psicopatiando quase que full time e insistindo, insistindo, insistindo para que OLHEM PRÁ MIM e me ajudem nos problemas que eu agiganto só para me distrair. Sorte minha, que vou minando toda relação que tenho, soterrando as pessoas com preocupações que depois se mostram patéticas? Que vivo bancando a louca e depois morro de culpa?

A sorte, mesmo, é que eu ainda tenho algum senso de humor para lidar com os ataques de ansiedade e aos 26 anos se ainda não atingi o nirvana, ao menos já me conheço muito bem e sei quando estou exagerando. Às vezes só percebo depois do estrago feito, é claro. Na maioria das vezes, tá bem, eu assumo. Mas já é um avanço, eu acho.

Avanço este que, infelizmente, ainda não conseguiu mudar o fato de que na minha cabeça o relógio sempre corre devagar demais, as pessoas demoram SÉCULOS para responder meus email ou sms e todos, todos no mundo se amam - mas não amam a mim.

Fica então óbvio perceber que só namorado, familia e dois ou três amigos me amam de verdade. Que a sorte é minha, mesmo.

Paro de gritar por calma e a calma vem.


3 de novembro de 2010

O outro lado do verão

The sun struggles up another beautiful day
And I felt glad in my own suspicious way
Despite the contradiction and confusion
Felt tragic without reason
There’s malice and there’s magic in every season

- The Other Side Of Summer (clip impagável) - Elvis Costello


Para a maioria das pessoas parece não fazer mesmo muita diferença e nos jornais os velhinhos dizem não gostar do horário de verão, mas é inegável a alegria que ele traz para a minha vida.

Antes era assim: eu saía do trabalho e voltava à pé para casa. Não lembro quantos quilômetros eram (sou péssima para essas coisas), mas sei que em uma hora estava em casa. Durante esta uma hora de caminhada eu pensava e repensava tudo, me acalmava, planejava mentalmente o resto do dia. E era bom chegar em casa exausta e disposta, ao mesmo tempo. Encontrar o jantar pronto, a casa limpinha, mãe na vizinha tomando chimarrão e me chamando para uma cuia antes do banho.

Depois mudou. Mudou tudo, mudou muito mesmo. E agora saio do trabalho (isso não muda!) e volto de ônibus, nada de longas caminhadas neste lugar onde ainda estou aprendendo a andar. Mas é o chegar em casa que mudou demais. Agora chego e só uma gatinha peralta me espera. Abro a porta, pego a gatinha no colo e vou entrando em casa. Na minha casa. Sapatos vão para o canto certo, bolsa no cabide e então abro portas e janelas, deixando o Sol entrar.

A gatinha pula do meu colo e corre aproveitar o Sol na àrea de casa. Corro atrás dela. Fico um tempo ali, enquanto o Sol fica também. Depois varro a casa, tomo banho. Penso no jantar. A noite cai e só falta agora o melhor do dia, quando meu amor chega e eu e a gatinha disputamos quem ganha primeiro o abraço dele.

E é uma doce rotina que eu amo a cada dia mais. Mas tenho sentido saudades do dias de verão em Foz. De chegar em casa e tomar chimarrão e também dos sábados, das tardes de sábado em que minhas amigas vinham me buscar para passear. De ir ao cinema sozinha e ligar pro pai vir me buscar.

Só que não é daquelas saudades tristes, de quem perdeu todas as alegrias que tinha. Pelo contrário, é tão diferente. Tivesse continuado lá a vida toda quem sabe jamais me daria conta do valor que essas coisas tem. Agora a saudade vem acompanhada de um sorriso, de quem sabe que era (e é) feliz onde quer que esteja.

Deve ser por que sou uma saudosista. Ou pode ser apenas que eu goste muito dos dias de Sol.


2 de novembro de 2010

Mais desejos.

As casas espiam os homens
que correm atrás de mulheres.
A tarde talvez fosse azul,
não houvesse tantos desejos.

~ Poema de 7 Faces - Drummond

Fosse considerar o enorme saldo positivo deste ano, quem sabe eu não deveria querer mais nada dele. Mas quero. E antes que dezembro chegue ao fim ainda há aí duas ou três coisas que quero realizar.

Sendo sincera e fazendo a conta na ponta do lápis, acho que são mais do que dois ou três desejos. Quem sabe sejam quatro ou cinco. Quem sabe cheguem a dez.

Oh, Deus.

Mas estou otimista, como nunca estive. Descobri que não é tão difícil assim ter o que se quer, basta lutar. E, diante disso, descobri que posso sim lutar pelas coisas que quero. E consegui-las, então.

"Quem te viu, quem te vê, minha cara."

Aham. Vai vendo.


1 de novembro de 2010

Desejo do dia.

Eu caio no suingue é pra me consolar
É que essa vida não tá mole,
eu faço assim para me segurar
~ Caio no Suíngue - Pedro Luís e A Parede


Sem essa de rock, punk ou barzinho e violão. Não é de hoje que tô precisando de um samba-rock firmesssa. Vamos?