Elvis Costello Gritou Meu Nome

Tati Lopatiukinfo
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São Paulo - SP Blocker e eventualmente jammer na Ladies Of HellTown Escritora e web redatora 28 anos Colecionadora de gatos

A história de uma garota que decidiu ser feliz pra sempre.

29 de junho de 2010

Crazy Bitch

"Isso só soma", é o mantra do senhor que trabalha comigo. A cada nova e reluzente aporrinhação que é despachada em sua mesa, ele diz: Isso só soma. E ri.

Algumas coisas eu queria aprender/entender. Por exemplo, quando eu me desespero ou me angustio demais com algum problema, então eu ligo para a minha mãe e conto prá ela a coisa toda. Ela sempre se mantém calma, ela até ri, ela sempre me aponta uma saída, sempre me acalma. Queria saber se ela é calma assim por que:

a) Só quer me acalmar.
b) Realmente não acha que o meu problema seja um grande problema.
c) Ela já passou por isso e não deu em nada.
d) Ela já passou por isso, foi foda, melhor dar uma descontraída prá que eu não pire de vez.
e) Ela já passou por isso, não deu em nada, foi foda e descobriu que chorar feito louca (feito eu) não adianta muita coisa, não resolve nada.

O complicado é que no momento DA LOUCURA DO PROBLEMA eu não consigo colocar a mão na barriguinha e falar: Hahaha, já vai passar, meow béim, como minha mãe fala. Eu não consigo. Nem consigo falar: Isso só soma!, com um ar meio triste como meu colega fala. Eu fico, não sei, doida. Perco a mão nas atitudes e etc. Acho que ainda não encontrei meu tom certo diante de problemas. Por que não acho que reagir loucamente seja um tom correto, queria algo assim feito os mais velhos, algo entre otimismo e conformismo, algo aí nessa linha. Mas não, me dê um problema prontinho e eu consigo piorá-lo, com esse meu jeitinho escroto e cativante de me desesperar com tudo.

Complicado.

Inclusive, se vamos mesmo por um freio nessa loucura, o ideal mesmo seria eu ficar bem na minha e não falar nada, quer dizer, fico aqui blogando meus problemas e criando essa imagem de blogueira performática mimimimi from hell. É, eu sei. Mas a verborragia tá aew prá isso, pessoal ficaria MALUCO se soubesse o quanto sou calada pessoalmente e como deixo pro papel (pra tela) em branco todas as minhas angústia. A não ser, é claro, quando a coisa aperta e eu fico MALUCA DA CABEÇA.

Não é uma qualidade, at all.

De mais a mais, tinha outras coisas que eu queria aprender/saber, mas vamos deixar prá outros posts futuros. Quem tiver uma elucidação modesta que seja para as questões apresentadas aqui neste post, caixa de comentários é a serventia do blog. Be my guest.



28 de junho de 2010

De cobertor

O dia amanheceu bonito, mas gelado. E permanecemos embaixo das cobertas, vendo o Uruguai mandar prá casa a Coréia do Sul, na Copa do Mundo. Intervalo do jogo ele me trouxe café da manhã, como faz todos os dias. Depois a gente levantou e eu fui lavar roupa. Ele limpava a casa, um olho na vassoura, outro no jogo. E com dor-de-cabeça.

Casa toda limpa, almoço almoçado, mais um jogo na tv. A gente deita só um pouquinho, vamos prestar atenção por que este jogo tá bom. Quinze minutos depois, ambos estão dormindo. Eu acordo no começo da noite, lembro do mercado, ele acorda ainda manhoso de sono mas se levanta. Vamos ao mercado, no ar frio da noite. Não levei blusa.

Duas ecobags cheias vão dar conta das compras, ele coloca as coisas menores e mais leves na minha e vamos aos tropeções até o ponto de ônibus. Chegando em casa eu faço doces e mais doces para ele, que trabalha no computador e grita do quarto as coisas engraçadas que lê na internet, para mim que estou lá na cozinha, para a gata que dorme na cama, no meio do caminho. E sorri.

No outro dia a gente vê mais jogos, sai na metade de um e vai ao teatro. Meu primeiro teatro em São Paulo, um espetáculo circense, uma comédia rasgada. A nossa fila é a primeira e um palhacinho me dá a mão antes do show começar. Gargalhamos tanto que minhas bochechas doem, minha barriga dói, minha cabeça apita. E gargalhamos mais. Durante o tempo mágico do espetáculo a gente esquece a vida lá fora, esquece os problemas, os medos de gente grande. Rindo das piadas sujas dos palhaços com jeito de criança. No fim do espetáculo chamam meu menino ao palco e ele dá uma tortada na cara de uma palhacinha. Olha prá mim de canto de olho, o tempo todo.

Voltamos prá casa e já na saída do teatro os problemas voltam à nossa mente. Fazemos contas, comparamos antes e agora, acreditamos que tudo vai melhorar. Lembramos das piadas do espetáculos, tentando manter aquela alegria dentro da gente. O ônibus demora. Fazemos contas no celular, quantos dias até a gente voltar a ter paz? Fazemos planos tão doces e simples, eu penso que é quase um pecado ter certas pequenas alegrias negadas prá nós que sonhamos tão pouco, tão além do sonho médio. Mas, por enquanto, é assim que é. Vamos ter que fé que não será por muito tempo ainda.

As preocupações, os medos, os problemas, todos eles se dissolvem lentamente no calor das cobertas enquanto você me abraça e tentamos impedir a gata de ficar bem no meio da gente (coisa que ela adora). E no meio de uma conversa qualquer você silencia um pouco, conta um plano e me pede em casamento. Simples assim. Eu que nunca quis casar, que jurei nunca mais amar alguém. Você me aparece assim sem flores, sem jantares, sem promessas infinitas. Só você e seu amor, tudo o que eu tenho e isso basta. E tudo o que posso te oferecer sou eu, o meu amor e uma gatinha meio delinquente.

E eu digo sim.



23 de junho de 2010

Por você

Eu vou te dar alegria
Eu vou parar de chorar
Eu vou raiar um novo dia
Eu vou sair do fundo do mar
Vou sair da beira do abismo
E dançar e cantar e dançar
A tristeza é uma forma de egoísmo
Eu vou te dar, eu vou te dar, eu vou...

~ Alegria - Arnaldo Antunes


Uma vez estávamos tomando banho juntos e eu cantarolava que "a tristeza é uma forma de egoísmo.." e você me perguntou se eu achava mesmo que a tristeza era uma forma de egoísmo. E eu disse que sim.

É egoísmo negar um sorriso prá quem se ama, chegar do trabalho e ir dormir, só por que não quer mais ver o mundo por hoje. Esquecer que um bom pedaço do seu mundo é esse cara que mora com você e só quer o seu bem. Mas é tão difícil fugir da tristeza, é mais fácil ser egoísta e acreditar que a sua tristeza é tudo o que você tem.

Me fecho e quase me deixo esquecer que tenho seu sorriso, seu abraço, seu jeito de cuidar de mim, de guiar meus passos e me ensinar a andar pela cidade grande.

É egoísmo, eu sei. E é o meu jeito. E quando digo que é o meu jeito, não estou querendo dizer que por isso ele tem que ser aceito e não pode ser mudado. Só quero que você entenda que é o meu jeito com o mundo, não com você. Que não ajo assim prá te magoar e sim por que o mundo me magoa. E eu me defendo quieta.

Tem sido tudo tão difícil para mim, eu não quero ser quem te traz mais tristezas. Eu não quero me fechar no meu mundinho de reclamações e ficar de fora do mundo de alegrias que você me trouxe.

Mas às vezes parece que a gente cai em um abismo do qual não consegue sair tão fácil, onde vai escorregando lentamente, cada vez mais fundo. Pensei esses dias que não conseguiria achar a mola prá me fazer sair dele. Depois lembrei de você. Depois você me abraçou no fim do banho. E eu não disse isso tudo que pensei e acabei de escrever aqui. Me limitei a fazer uma gracinha sobre o clipe da música, me escondi um pouco mais no seu abraço, me esquentei um pouco mais na àgua do chuveiro e de repente tinha achado a saída: você.

Eu vou te dar alegria, eu vou parar de chorar. Por você, meu amor.




21 de junho de 2010

Dez razões para amar: Queer Eye For The Straight Guy

Postzinho Off Topic prá dar uma descontraída de tanta filhadaputagem que tenho visto. Abstrair é o canal.

Queer Eye é um seriado já cancelado (teve cinco temporadas, de 2003 a 2007) reprisado atualmente pela Fox Life. Infelizmente a Fox Life tem um site tão porco que não achei o horário das reprises, só sei que eu assisto o programa toda madrugada de sábado para domingo, por volta de uma da manhã. O reality show mostra cinco gays assumidos (os "Fab Five") tentando ajudar um homem hetero (chamado de "Make Better") a dar 'um tapa no visu", além de dar várias dicas em várias àreas. Os Fab Five são: Ted Allen (Gastronomia), Kyan Douglas (Aparência), Thom Filicia (Decoração), Carson Kressley (Moda) e Jai Rodriguez (Cultura).


1. Embora a proposta tenha tudo para cair em um looping infinito de clichês, o programa não soa forçado em momento algum. Os Fab Five realmente dominam as àreas em que opinam e não tentam impor a opinião ou a sexualidade deles como "o certo".

2. No fim do programa cada Fab Five dá uma dica randômica sobre a àrea dele. Muitas dicas eu já peguei prá mim, toda straight girl que sou.

3. Ted Allen (Gastronomia): O mais sério dos Fab, Ted sempre ensina um prato chiquérrimo para ser preparado em cinco minutos. Meu momento favorito dele: quando ele ensinou um prato que levava alho e o Make Better da vez ralou o alho com casca e tudo. Comentário de Ted diante da cena: Tudo bem, ele tem mau hálito mesmo!

4. Kyan Douglas (Aparência): O mais lindo! Ele dá dicas de beleza, de cremes, cuidados pessoais. É também o mais tímido, não entra muito nas brincadeiras dos outros meninos e leva super à sério o programa. Frase dele: And then you stand in the shower with an electrical device. Which always seems like a good idea.

5. Thom Filicia (Decoração): Um fofo, ele é o responsável por mudar a decoração da casa, sempre escolhendo algo da personalidade do participante para ser explorado. Meu momento favorito dele: Em um episódio em que o Make Better era nudista, ele colocou um ôfuro no quintal do cara. Ao ver que DEZENAS de nudistas entrarem juntos no ôfuro, momentos depois, Thom falou apavorado: Meu deus, inventei a sopa de sífilis!!!!

6. Carson Kressley (Moda): Oh, Deus. O mais baphônico, mais divertido, mais engraçado, mais TUDO. Carson é a alma do programa, ele quem sempre quebra o gelo em n situações. Não tem como dizer um momento dele que eu goste mais. Carson é amor e eu amo tudo que ele faz. SRSLY. Uma frase dele: My mother used to say, "Only whores and children wear red shoes". Elvis Costello mandou um beijo, Car!

7. Jai Rodriguez (Cultura): O Fab Five latino é quem dá o tempero do programa. Fofo de tudo, Jai sempre fica com o papel de escutar as histórias tristes (quando existem) dos familiares do participante da vez. Frase de Jai: You guys! I found a book about gay people! The Rainbow Goblins! Recentemente apareceu no clipe de Telephone, de Lady Gaga. Ele é repórter que aparece rapidinho na TV.

8. Queer
tem sido a minha salvação, na minha atual fase de não ter paciência alguma para seriado algum. Perdi o interesse por praticamente todas as séries que assistia e agora tenho assistido só realities. Além de Queer Eye, tenho visto: Dance Your Ass Off (trasheira da boa) e Man Vs Food (este também merece um post).

9. Embora o tom do programa seja de comédia, muitos episódios me arrancaram lágrimas. Principalmente um em que o Make Better era um sobrevivente de guerra, que teve as duas pernas amputadas. Os Fab Five montaram uma casa novinha pro cara, toda adaptada e linda. O Extreme MakeOver ali pareceu ser apenas o pano-de fundo, a idéia era mesmo ajudar o cara a recomeçar a vida. Lindo demais.

10.
Se você gosta do babado ou pelo menos não tem preconceito, vai amar Queer Eye. Mas o seriado não é apenas para entendidos. Tem uma linguagem divertida, leve, envolvente. E as dicas são ótimas!


Os Fab Five: Ted Allen, Jai Rodriguez, Carson Kressley, Thom Filicia e Kyan Douglas.


18 de junho de 2010

Notícias de uma guerra particular.

É difícil aceitar que o mundo não é só seu e que, bem, não é nem muito seu, na verdade. E ter que dividi-lo com tantas pessoas tão diferentes de você e até odiá-las por isso. Dentro do coração triste vai crescendo uma raiva muda, irracional, para com todos à sua volta. E perde-se a paciência. Os mais dramáticos (opção a) aparecerão com uma arma dizimando dezenas, os mais nervosinhos (opção b) se contentarão em xingar e descontar em quem não merece, os mais românticos (opção c) se isolarão em um canto esperando ardentemente que o veneno que os consome por dentro acabe com que nem dá por isso, lá fora.

É dificil. A multidão na rua, as milhares de vozes e palavras na internet. Um dia você vai cansar, vai achar que todo mundo ficou idiota. Coisa de dias (pode demorar), você se dará conta de que, BANG, o idiota é você. Boa, cowboy. E agora?

Na falta de coragem e sem o ímpeto de Um dia de Fúria você escolhe a opção "c" e se isola. Mas a vida é irônica, Alanis te disse e você deve lembrar, você já teve dezesseis anos e sabe que já foi bem pior. A vida é irônica e de "c" você pula para uma opção "d", que você nem sabia que existia, vejam só!, que é quando o seu isolamento acaba por magoar quem não merece ser magoado.

A vida é essa, meu amigo. A bomba estoura dentro de você, os estilhaços machucam quem está por perto. Não é justo, mas você nunca foi muito justo com ninguém, muito menos com você mesmo, convenhamos. A vida é essa, get over it.

Não sei mais com que armas lutar e essa guerra nunca, nunca tem fim. Por vezes ataco usando palavras mordazes que atingem o vazio, por vezes me calo e meu silêncio é um tiro pela culatra, acerta meu próprio pé. Mas veja, eu -por pior que seja- não tenho como fugir de mim mesmo. Sou essa criatura aqui e tenho que me aguentar. O que me preocupa, o que me tira o sono e o apetite é até quando você me aguentará. Depois você me acalma e eu percebo que a questão nem é essa, a questáo é outra agora. Se essa guerra não tem fim e se sou eu contra o mundo, o fim dessa história é óbvio. Voltamos então à questão inicial. Até quando eu aguentarei? Nem todos os dias são assim, mas e quando todos são, ao mesmo tempo?




Adeus.

"Sim, tenho o Prêmio Nobel. E quê? Não que eu achava pouco ter o Prêmio Nobel,
não, não. É que no fundo, no fundo, tudo é pouco, tudo é insignificante."


- José Saramago



Quem se importa com o meu silêncio? Hoje calou-se uma voz muito mais importante. Faleceu José Saramago, um dos meus escritores favoritos. De escrita díficil de ler e mesmo assim, apaixonante. Fernando Meirelles disse que hoje o mundo ficou cego. E eu, se é que importa o que eu vou sentir considerando a vastidão do mundo, fiquei ainda mais triste.

Descanse em paz, Saramago. Perdoa a homenagem pobre e feita às pressas. É só o que tenho a oferecer, infelizmente.

16 de junho de 2010

Enfim.

They beat him up until the teardrops start,
but he can't be wounded 'cause he's got no heart.
(...)
I get so angry when the teardrops start,
but he can't be wounded 'cause he's got no heart.

- Watching The Detectives ~ Elvis Costello


Falei em não desistir, mas posso usar minhas palavras de tantas formas. E das coisas que eu falo, os mil e um significados provavelmente nem eu vou saber distinguir de todo. E das palavras que uso para acalentar, fazer rir e até mesmo agredir, claro que tem volta. Solto palavras a esmo, ao vento, elas se voltam todas contra mim, com meu nome e endereço.

Então eu canso. Não posso dizer que não seja culpa minha também, claro. E exatamente por ter consciência disso, não vou tentar mudar ou corrigir ninguém. Eu que me cale. Que seja. Contanto que assim eu consiga pelo menos um pouco, um pouquinho só, de paz de espírito, que seja. Anda em falta aqui dentro e não tenho encontrado nem recebido de volta nas palavras que escrevo.

Que seja.





14 de junho de 2010

Motivacional de geladeira

Dia desses Marina esteve aqui. Fomos as duas, mais nossos respectivos meninos, passear pela Calixto, possívelmente o lugar que eu mais gosto nessa cidade. Marina não precisava ter feito nada, só a sua presença vinda de Foz já enchia meu coração de alegria, mas ela ainda teve a doçura de entrar em contato com a Mica (mãe do meu sobrinho Arthurzinho) e trazer cartinhas do Arturzinho, da própria Mica e da minha mãe prá mim, de surpresa

Era um dia ensolarado e frio enquanto nos passeávamos pela feira. No restaurante onde almoçamos, Marina me entregou as cartas. Me segurei prá não chorar enquanto lia os rabiscos do Arthurzinho e o amor nas cartas da minha mãe. Me deu saudade de tudo e ao mesmo tempo estava feliz de estar ali, mostrando orgulhosa a minha nova cidade para a minha amiga mais querida. Fiquei dividida entre estes dois sentimentos e acho que isso de crescer tem muito disso: sentir duas coisas contraditórias ao mesmo tempo. Ou, pelo menos, que eu pensava serem contraditórias.

Minha mãe escreveu uma carta pro Alex também. Ele me deixou ler e nela minha mãe pedia para ele falar a verdade, se está mesmo tudo bem. Ela deve pensar que eu escondo as coisas, mas não é bem assim. Se a gente for contar prá mãe cada problema que tem ela não deixa nem ir na escola, que dirá sair de casa. Tá tudo bem, mãe. Seria melhor teu abraço e o do pai no fim do dia, mas tá tudo bem.

Depois saímos andar pela feira e acabamos em uma loja ali na rua, que tinha zilhares de imãs de geladeira, alguns engraçados, outros com referências pop... Perdemos uns bons minutos lá, mostrando um pro outro os mais legais que achávamos e indecisos escolhendo qual íamos levar. Dos que eu gostei o que mais me chamou atenção foi um todo preto, em letras brancas e definitivas que diziam "Never, never, never give up", frase creditada a Winston Churchill no rodapé do imã.

Comprei e coloquei na geladeira de casa. Não curto frases de efeitos, prontas, mas desta eu gostei. É bom ter algo de fora me lembrando o que devo manter como meta aqui dentro. Pode ser uma carta, uma visita de Foz, pode ser até um imã de geladeira. Contanto que nos faça bem e nos motive a sempre seguir em frente.



13 de junho de 2010

The same old fears

We're just two lost souls
Swimming in a fish bowl,
Year after year,
Running over the same old ground.
What have we found?
The same old fears

- Wish You Were Here ~Pink Floyd


E mesmo estando tudo bem sempre haverá um medo quieto, parado dentro de você. Que te fará acordar no meio da noite sem motivo algum, que fará doer qualquer pequena lembrança. Alguns dirão que é você que está crescendo, enquanto sua vida toda muda a sua volta. Por dentro você vai jurar que sempre foi medrosa e estar crescendo não muda em nada, não acrescenta nem piora.

Mas algo muda, sim.

Tinha medo de ficar doente estando longe da minha mãe. Há alguns dias atrás tive a dor-de-cabeça mais feroz da minha vida, em plena madrugada. O ar adulto que ensaiei por meses veio abaixo e me escondi chorando no abraço do meu namorado, que me cuidava morrendo de medo também. De repente vi que éramos duas crianças morando juntas e vi que o passo que estávamos dando juntos não tinha mais volta. Crescendo ou não, não me restava outra opção senão crescer.

Lavo roupas, faço contas, cuido da casa, tenho gato, namorado, trabalho. Minha vida não me espera para acontecer. Sempre está um passo a frente de mim e grita meu nome para que eu resolva tudo. Aos trancos e barrancos, me resolvo como posso e corro atrás dela. Sorriso no rosto e medo no coração. Mas vou.


10 de junho de 2010

Contagia.

Quanto tempo até você se deixar levar e vestir a camisa? O patriotismo que só é vendido (sim, vendido) a cada quatro anos e mesmo sendo raro é melhor que nada. Não acha? Mas não se envolver por não querer ser "só mais um" é um argumento quase inválido e imperdoável. Ou você não quer ser a multidão que forma o seu país? Melhor seria deixá-lo, então.

E em épocas como esta, tudo incentiva a fazer parte.

Os jornais vão sublimar todo o resto que acontece no mundo enquanto a taça estiver sendo disputada. Uma realidade paralela que envolve, contagia (seria bom acreditar). As ruas pintadas, as bandeirinhas, o sorriso fácil por que hoje tem jogo. A tv vai desenhar um conto de fadas e desenterrarão hinos, histórias, rixas. Farão acreditar que é possível.

E por que não seria?

Lá longe (muito longe), no estádio, o hino é cantado. Resista a isso. Bom, quem sabe você consiga, mas é o seu país quem pede. Sim, você está certo. Você não ganha nada fazendo parte dessa festa. Mas olhe em volta, veja quantas coisas você perde deixando de se envolver. Deixando de declarar a quatro ventos que você ama sim o seu país e torce por ele, apesar dos pesares. Nem que seja uma vez a cada quatro anos. Nem que seja só para se perder no meio da euforia coletiva e acreditar, por um mês ou menos, que somos invencíveis. Acredtar que a felicidade cabe no breve espaço de um jogo de futebol.

Por último, só queria te lembrar que achar motivos para ser feliz não tem sido fácil. Você deveria aproveitar essa oportunidade. Agarrá-la, tomá-la para si. E quem sabe depois que a Copa acabar, ela permaneça em você.



8 de junho de 2010

Dez razões para amar: Alejandro

Hoje o hype do twitter foi o clipe novo da Lady Gaga, Alejandro, que foi lançado às 13hs. Não pude ver na hora, por que estava no trampo. Acabei de chegar em casa e ver. Apesar de todo mundo ter criticado, eu gostei. E como não se pode mais falar em Lady Gaga hoje no twitter sob risco de unfollow em massa, escrevo aqui as minhas rápidas e singelas considerações.


1. Sou a mais atrasada em hipster. Comecei a gostar de Lady Gaga semana passada. É sério. Então fiquei feliz de ter saído o clipe logo agora, assim pego o FERVO da coisa toda junto com todo mundo.

2. Alejandro é a minha favorita da Gaga. Lembra demais Ace Of Base, o que é uma qualidade (pelo menos, sob a ótica de saudosista de alguém com vinte e poucos anos de idade). Se é prá copiar, copia direito, correto? Aliás, se Ace Of Base eu fosse, processaria OU tentaria aproveitar o revival que a música trouxe.

3. Adorei o clima sombrio do clipe e achei graça nas supostas blasfêmias. Gente, é a Lady Gaga, você vai levar a sério? Ela só quer chocar, deixa ela, sua linda! Enquanto alguns cagam politicamente correto a indústria do entretenimento enche os cofres.

4. O que eu quero mesmo saber é: quando vai sair versão do On The Rocks pro clipe? QUANDO?

5. Eu tenho o meu Alejandro particular. *RISOS*

6. Adoro que ela usa PANTALONAS e um cabelinho tigela muito tosco no clipe, mas meu medo é isso aew virar moda. Socorro!

7. Alejandro. Alejandro. Ale-ale-jandro. Ale-ale-jandro. Alejandro. Alejandro. Ale-ale-jandro. Ale-ale-jandro. *LOOPING ETERNO*

8. A Lady Gaga já não é exatamente bonita. Neste clipe então, ela está menos feminina ainda, currando os caras (ahsuahusas...). E mesmo assim é impossível tirar os olhos dela. Como explicar?

9. Eu gosto dessa coisa Marilyn Manson que a Lady Gaga tem. Isso de ser freak , até ofensivo e mesmo assim ser cantarolável. As músicas da Gaga são bem mais acessíveis que a do Manson e é aí que ela aproveita a vantagem, vende horrores e é a cada dia mais idolatrada. Se Marilyn fosse pro caminho do pop rasgado (não que eu queira) seria a versão (não tão) masculina da Lady Gaga.

10. Minha cena favorita (foto): o final. Gaga toda poderosa, sendo TIOPS DEVORADA por vários caras. Luxúria, poder e sedução. AHAZOL, COLEGA!



7 de junho de 2010

Dez razões para amar: Cris Crevilaro

Conheci a Cris há mais de cinco anos, quando ela ainda era apenas namorada do meu amigo André Crevilaro (hoje eles são casados). Considero que a amizade entre mulheres não é algo fácil. Pelo menos, não para mim. Nós não ficamos amigas logo de cara, pelo contrário, brigamos muito uma com a outra até finalmente nos entendermos. Hoje ela é uma das minhas melhores amigas e agora entendo o por que de tantas brigas no começo: nós duas temos o gênio muito parecido. Reza a lenda que dois bicudos não se beijam, mas no nosso caso com paciência e boa vontade conseguimos criar e manter uma amizade que hoje é uma das mais importantes da minha vida.

1. A Cris é linda. Linda não apenas no corpão de mulherão, no sorriso que te conforta ou nos cabelos sempre perfumados que eu cheiro quando ela me abraça. Ela é linda na sua generosidade, de sempre ouvir os nossos problemas, linda sendo atenciosa e estando sempre disposta a ajudar.

2. Mas a ajuda da Cris não é uma ajuda de pegar no colo e ficar mimando enquanto você chora. A Cris te dá um chacoalhão e te faz ver as coisas como elas realmente são. Te aponta um caminho com uma clareza que só quem está de fora é capaz de ver e só quem te ama muito tem a liberdade de te mostrar sem que isso te magoe mais.

3. Ela não espera as coisas acontecerem, ela vai atrás do que quer. Seja uma viagem pra outro continente, seja uma saída no fim da tarde sábado. Ela beira a auto-suficência de tão independente que é. Essa talvez seja a qualidade dela que eu mais admiro. Como não consigo ser assim, gosto de ficar na cola dela e deixar ela decidir por mim. Sei que estou em boas mãos.

4. A festa de casamento dela foi a melhor balada que eu já fui. Nunca dancei tanto, nunca me diverti tanto. Inesquecível.

5. Logo depois de se casarem a Cris e o André foram para a Nova Zelândia, onde passaram em torno de um ano. Se para mim é sofrido ficar longe dos meus pais e amigos, fico imaginando ela e o André lá em outro país, falando outro idioma, sem referência alguma, o quanto deve ter sido duro. E mesmo assim eles aguentaram firme e voltaram cheios de histórias para contar. E nossa amizade continuou como se não tivesse havido hiato algum.

6. Eu já errei inúmeras vezes com ela e ela me perdoou. Não lembro de uma vez sequer em que a Cris tenha errado comigo.

7. Ela é a Turismóloga mais antenada que eu conheço. Sempre sabe de lugares legais, países, outra culturas. E da nossa cidade também. Ela é desenvolta, sabe contar histórias, fazer a gente rir, nos envolve. Você pode conversar com ela sobre tudo, ela é tão adulta e meiga ao mesmo tempo, de uma forma que acho que jamais serei. Algumas pessoas emanam uma segurança em tudo o que fazem, a Cris é uma delas.

8. Ela faz a melhor maionese do mundo. E eu gosto de ficar perto dela na cozinha enquanto ela faz o almoço. Não aprendo nada, eu sei. Não tenho esse dom. Mas é gostoso de ver. Parece tão fácil e tudo o que ela faz fica tão delicioso.

9. A Cris não usa meia-palavras. O que tiver que te dizer ela vai falar na cara, no ato. Mas isso não quer dizer que ela trate mal os outros. Ela sabe ser doce até mesmo enquanto está te dando bronca.

10. Ela tem a família mais doida, divertida e querida que eu já conheci. Os almoços de domingo na casa dos Crevilaros são os mais concorridos e eles recebem a todos com a maior alegria. E a Cris dá conta de trabalhar, cuidar de si mesmo, do marido, da casa e ainda fazer as festas mais legais em sua própria casa. Se eu tivesse que ser outra pessoa, com certeza seria a Cris. Mas me contento em tê-la ao meu lado.Isso não me torna tão maravilhosa quanto ela, mas já me torna melhor do que eu sou e melhor do que eu era antes de conhecê-la.



5 de junho de 2010

Peter Pan mandou um beijo

Makes me wish than I could be a dog
When I see the price that you pay
I don't wanna grow up
I don't ever wanna be that way
I don't wanna grow up

- I don't wanna grow up ~ Ramones


Sabe, eu não me visto igual criança. Quero dizer, eu me visto do mesmo jeito desde os 15 anos, mas para trabalhar eu tento ter um ar um pouquinho mais adulto. Evito ao máximo usar all stars ou minhas bolsas malucas, meus casacos puídos com touca, tento sempre estar o mais social possível. Por que ao contrário do meu emprego anterior, em que comecei como universitária-estagiária, neste já entrei como contadora. Profissional, essas coisas. Então tem todo um dress code que eu tenho que seguir, mesmo a contra-gosto.

Mas é estranho. Acho que mesmo já tendo 26 anos ainda não tenho jeito de mulherão. E se aos 26 ainda não tenho, acho que não vou ter nunca mesmo... E como eu disse, ainda me visto, inconscientemente, do mesmo jeito desde os quinze. Tento sublimar isso no trabalho, mas às vezes nem eu me dou conta. Então qualquer pequena concessão que abro já deflagra o meu jeito de menininha. Um suéter rosa e todos falam que eu pareço uma boneca. Batom na boca por que vou ver o namorado. As pessoas pegam muito no meu pé, mas eu não acho que seja por maldade. E mesmo se for, não ligo mesmo. Acho engraçado.

Mas me incomoda um pouco ser assim. Não pelos outros, mas por mim. Fico pensando se não me falta um pedaço aew, que não ligo para maquiagem, cremes, moda, não piro em fazer Hoje Eu Vou Assim prá qualquer passo que eu dê. Como as meninas adoram esmalte! E deve fazer um ano que não pinto as unhas... Admiro quem é assim, mas não consigo mesmo ser. Bom, também não acho que sou menos feminina por isso. A questão toda é: quando vou crescer? Não, não, não. A questão toda é: e eu preciso?

Ambas as questões me afligem por igual.



  • Na foto, minha musa Kat Denning beijando uma bolsa Tokidoki, tipo: lindeza beijando lindeza.

3 de junho de 2010

Obrigado, feriado

E depois de três dias de trabalho houve um domingo imaginário onde eu pude dormir até tarde, almoçar pizza de ontem e depois voltar a dormir um pouco mais. O frio lá fora, ficar só nas cobertas com o meu menino e a minha gatinha. Ligar para a mãe e ouvir ela gargalhar.

Contar bobagens, fazer planos. Rir das mesmas piadas, inventar piadinhas novas.

Parece que há uma onda boa no ar e que finalmente algumas coisas vão melhorar. Espero que sim, desejo calada que sim. Se ser feliz é a melhor vingança, desconfio que brevemente eu e meu menino serem pessoas bem vingadas. Mas não de um jeito ruim, maldoso. Apenas aquilo que eu já falei aqui. Colocar uma pedra em algumas situações, esquecer algumas pessoas e seguir em frente. E ser bem feliz, como já somos, de fato. Ser ainda mais feliz, o que eu não duvido nada que seja possível e acho até que é bem merecido.