Elvis Costello Gritou Meu Nome

Tati Lopatiukinfo
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São Paulo - SP Blocker e eventualmente jammer na Ladies Of HellTown Escritora e web redatora 28 anos Colecionadora de gatos

A história de uma garota que decidiu ser feliz pra sempre.

30 de abril de 2010

O que me traduz

A questão mais díficil de todas, a mais complicada e a mais poética não se encontra apenas nos livros de poesia, nem se encontra nos programas de tevê. Esta lá no seu perfil de orkut, ferramenta tão banal que questiona: Quem Sou Eu?

Tem gente que explica. Há quem coloque versinhos. Deixe em branco. Tem quem arrota arrogância, diz que não é da sua conta. Tem quem escreve em inglês (não) querendo que entendam. Acho que já passei por todas essas fases. E revirando aqui os meus guardados, achei um aquivo txt com várias definições que usei ao longo desses mais de cinco anos no mais amado/odiado site de relacionamentos do Brasil. Engraçado ler assim todos juntos, parece que estou me olhando do lado de fora da janela. E o mais triste (triste, será?): ainda sem saber quem sou, mesmo com tantas definições.

- Você tem um cigarro?

- Estou tentando parar de fumar.

- Eu também. Mas queria ter uma coisa nas mãos agora.

- Você tem uma coisa nas mãos agora.

- Eu?

- Eu.

rosas são vermelhas, violetas são azuis. twitter é legal, orkut é tradição, facebook não me pertence.

And a pop song saved my life
Made my troubles harmonise
And I know I'll be alright
Yeah, a pop song saved my life!
[Elvis Costello]

Eu tenho idéias e razões,

Conheço a cor dos argumentos

E
nunca chego aos corações.
[
Fernando Pessoa]

Uma metade cheia, uma metade vazia.
Uma metade tristeza, uma metade alegria.
A magia da verdade inteira, todo poderoso amor.
[Chico Buarque]

lendo, aqui, esse diário
vejo meio distraída:
no teatro "minha vida"
fui no máximo cenário
[Versinho que o Guilherme fez pra mim]

não arrisque por hoje, my love. durma com a porta trancada, satisfaça-se com calor das suas cobertas. Mas não perca tempo demais procurando cura no vazio. Isso é bizarro.
[conselhos no msn]


E a que hoje me traduz:

Estou cansado, é claro,
Porque, a certa altura, a gente tem que estar cansado.
De que estou cansado, não sei:
De nada me serviria sabê-lo,
Pois o cansaço fica na mesma.
A ferida dói como dói
E não em função da causa que a produziu.
Sim, estou cansado,
E um pouco sorridente
De o cansaço ser só isto —
Uma vontade de sono no corpo,
Um desejo de não pensar na alma,
E por cima de tudo uma transparência lúcida
Do entendimento retrospectivo...
E a luxúria única de não ter já esperanças?
Sou inteligente; eis tudo.
Tenho visto muito e entendido muito o que tenho visto,
E há um certo prazer até no cansaço que isto nos dá,
Que afinal a cabeça sempre serve para qualquer coisa.
[Àlvaro de Campos]


29 de abril de 2010

Me perdi.

Fila do mercado. Um casal na minha frente. Rindo, conversando, empilhando as compras nos braços enquanto espera a sua vez de passar no caixa.

- Amor, esqueci o Baconzitos.
- É, mas eu peguei, ó.
- =D
- Sei como você fica sem Baconzitos.
- Melhor não.
- Melhor não. Mesmo.
(risos)
- E cerveja, pode pegar?
- Já peguei também.
- E um Ruffles. De churrasco!
- Só tem mais dois reais.
- =D =D =D
- Tá bom, pode pegar...

Chegam no caixa. A mocinha do caixa sorri, entre envergonhada e surpresa.
- Ele é bem assim, sabe tudo que eu gosto.
- Tenho que saber, ele não tem memória prá nada!

A mocinha sorri. Dois guris tão lindos, deve ter pensado. Pagam e vão embora,. Enquanto a mesma mocinha me atende, agora, ainda posso ver os dois, guardando as compras no porta-mala do carro. Rindo.

Me deu uma vontade tão grande de ir embora com eles.


26 de abril de 2010

Small Gift, Big Smile.

Aniversário de namoro, dia de passeio. Aqui é tudo tão longe, tem que pegar ônibus e mais ônibus, metrô... Mas sempre vale a pena. O passeio da vez foi em um shopping phyno em Higienópolis. tão phyno que as madames podem até entrar com seus au-aus, veja só você. Comemos McLanche Feliz só prá granhar brinquedo (amor eterno, amor verdadeiro), rodopiamos em vão pelos pisos com nomes pomposos e até compramos algumas coisinhas legais.

Na Saraiva tinha um c-c-c-c-combo breaker de 68 figurinhas do #albumdacopa por nove reais. Compramos dois e foi só o tempo de entrar na fila e já tinha esgotado. Aliás, só o que se fala por aqui é que as figurinhas estão cada dia mais escassas. Depois de sábado que vi a galera no Bixiga com 200 e 400 repetidas na mão prá trocar, não duvido de mais nada.

Mas o mais legal mesmo foi que tinha uma loja da Sanrio no tal shopping e eu achei um bloquinho da Tokodoki for Hello Kitty por um precinho camarada. Acho que foi a primeira coisa original da Hello Kitty que eu comprei (oi, morei a vida toda do lado do Paraguay?) e fiquei muito contente. Aliás, foi também a primeira coisa original da Tokidoki que eu comprei, já que a minha famosa bolsa Tokidoki da Galeria do Rock não engana ninguém.

Esse final de semana foi bom. E acho que os próximos serão ainda melhores. Mas isso eu conto depois. :o)


25 de abril de 2010

Da beleza triste, as nossas conversas e um pouco de poesia.

Hoje foi um dia bom. E eu me preocupo se você demora prá voltar do mercado. E sinto ciúmes também, de tantas coisas e fico calada. Mas eu gosto de andar na rua ao seu lado, os dois meio bêbados voltando prá casa no fim da tarde. E gosto do modo como você sempre tem um jeito de cuidar de mim, mesmo quando nem você se dá conta disso.

É um toque maldoso e irônico de Deus (quem sabe?), mas algumas pessoas ficam tão bonitas quando tristes. Um ar diferente, não sei. E quero que a tristeza acabe e não quero entrar nessa roda-viva mais uma vez. Olha prá mim bem de perto e desmorono.

Depois, tem uma porção de coisa que eu não quero, que eu não sei como lidar. Outras coisas, minhas. E esse hábito de desconfiar de quem súbitamente demonstra carinho ou algo do tipo por mim. Sabe? Só lembrou de mim agora. É meio que sempre assim. Infantil.

De madrugada sempre dá vontade de chorar, estando triste ou não. Busquei então, um pouco de poesia. Mário Quintana.

"A gente sempre deve sair à rua como quem foge de casa,
Como se estivessem abertos diante de nós todos os caminhos do mundo.
Não importa que os compromissos, as obrigações, estejam ali...
Chegamos de muito longe, de alma aberta e o coração cantando!"

"O amor é quando a gente mora um no outro. "

"O pior dos problemas da gente é que ninguém tem nada com isso."

"A gente pensa uma coisa, acaba escrevendo outra e o leitor entende uma terceira coisa... e, enquanto se passa tudo isso, a coisa propriamente dita começa a desconfiar que não foi propriamente dita. "

Desconfio mesmo que o que quero realmente dizer nunca será dito. E das coisas que digo, fica esse tom confuso, que não vai nunca alcançar nada nem ninguém.




22 de abril de 2010

Meme das respostinhas

Obrigada a todos que comentaram no post anterior. Tema pesado, né? Mas adorei a leveza dos comentários. Aliás, esta é a melhor parte de escrever aqui: ter esse feedback de vocês. Acho que quem lê e comenta aqui no Elvinho não tem nem noção do quanto é importante prá mim.

Prá aliviar um pouco, hoje vamos de meme. Roubado lá dos arquivos do Just Lia, um dos meus blogs favoritos. Originalmente tinha 32 itens, mas, oi tenho toc prá número par?, arredondei prá 35 itens. Espero que gostem e, se puderem, respondam nos comments, vou adorar! ^_^


1) Onde está seu celular? Aqui do ladinho, com minha To Do List aberta e incompleta. :o(
2) E o namorado? Deitado na cama, assistindo TV.
3) Cor do cabelo? Castanho escuro.
4) O que mais gosta de fazer? Passear, ler, assistir minhas séries, namorar...
5) O que você sonhou na noite passada? Com meus pais. Toda noite sonho com eles, desde que me mudei.
6) Onde você está? Em casa.
7) Onde você gostaria de estar agora? Nas cobertas, com o meu namorado.
8) Onde você gostaria de estar em seis anos? Nas cobertas, com o meu namorado. [2]
9) Onde você estava há seis anos? Na faculdade, aaaaaaaaaargh!
10) Onde você estava na noite passada? Na Vila Madalena, andando de bar em bar! =D
11) O que você não é? Falsa.
12) O que você é? Manhosa.
13) Objeto do desejo? Um guarda-roupa, por favor!
14) O que vai comprar hoje? Hoje mais nada, chega!
15) Qual sua última compra? Figurinhas pro #albumdacopa vale?
16) A última coisa que você fez? Tomei banho e jantei.
17) O que você está usando? Short de pijama e top.
19) Seu cachorro? Nem cachorro nem gato. :o(
20) Seu computador? Frankestein gente boa pacas.
21) Seu humor? Hoje foi uma montanha-russa, mas neste momento estou feliz e animada.
22) Com saudades de alguém? Do pai, da mãe, do irmão, da cunhada, da família Crevilaro, do sobrinho.
23) Seu carro? No hay.
24) Perfume que está usando? Taty, D'O Boticário
25) Última coisa que comeu? Arroz, feijão, salada e filé de frango frito tudo feito pelo namorado.
26) Fome de quê? Mais Coca-cola, o copo esvaziou!
27) Preguiça de… ? De trabalhar amanhã. :o(
28) Próxima coisa que pretende comprar? Figurinhas pro #albumdacopa vale? [2]
29) Seu verão? Nem se compara com o verão de Foz.
30) Ama alguém? Opa. Com força e dedicação.
31) Quando foi a última vez que deu uma gargalhada? Agora há pouco, com as bobeiras do namorado.
32) Quando chorou pela última vez? Hoje de manhã, no trabalho. :o(
33) Último filme que viu inteiro: Maridos e Esposas, do Woody Allen
34) Passeio favorito: Bexiga, Feirinha da Calixto, Rua Augusta e Pinacoteca.
35) Ando meio sem tempo para: blogar, fotografar... e sinto a maior falta.


Na ordem: Joyce, eu, Toni e Alex, passeio na Pinacoteca, ano passado.

20 de abril de 2010

O que o padre falou

É um tema complicado e é complicado dizer essas coisas, mas eu tenho um certo problema com grandes festas, tipo casamento, noivado, formatura. Além de o dress code dessas ocasiões não ser em absoluto o meu tipo de dress code, ainda tem algo nessas celebrações que me incomoda muito. Algo que eu não sei explicar, só sei fugir o máximo que posso se me convidam para algo nesse sentido.

Se não, vejamos. Um casamento a que fui convidada, no final da semana passada. Começou com o tormento de escolher roupa, uma semana antes. Claro, eu não trouxe roupas sociais de Foz. Por que não tenho. E ter que comprar roupas de festa prá mim é um tormento. Comprar jeans, camisetas, tênis, isso é legal. Se envolve alfaiataria já me deixa insegura. Mas tudo bem, nada que uma noitada virando do avesso as lojas de um shopping qualquer não resolva. Acho que resolveu, pelo menos ninguém ficou me olhando feio na festa, como se eu estive vestida inequadamente.

Eu acho.

Antes da festa houve o culto, ou celebração, ou não sei ao certo como chamam aquela parte da missa na igreja. A hora do sim. E durante o tal culto o padre falou todas aquelas coisas bonitas que se fala sobre amor nessas ocasiões. Mas algo me entristeceu. De um jeito bem doce enquanto falava, o padre deixava bem claro uma coisa: só quem casa na igreja pode ser feliz de verdade. Só com a benção da Igreja uma união pode durar e ser algo bom para o casal. Senão... Senão eles estão só juntando os trapos, sem um propósito. Casando na igreja você tem um propósito: o amor de Deus. Só "se juntando", não.

E eu que moro com quem amo, mas não casei na igreja para isso, fui ficando triste com a ladainha do padre. Eu que amo de verdade o cara com quem eu moro, que o amo e respeito, assim como ele a mim, fiquei triste mesmo. Nâo por não estar casada, não por não ter sido pedida em casamento. Fiquei triste pela igreja, que me acolheu quando eu era pequena, me batizou e me crismou estar agora questionando a legitimidade do meu amor só por que não subi no altar. Ainda.

Entenda, talvez um dia eu suba. Quando eu e meu namorado tivermos grana prá bancar um evento desse. Quando tivermos a nossa casa, prá começar. Por essas coisas todas custam caro e estamos apenas começando nossa vida juntos.

Acredito que a verdade do padre seja a verdade absoluta dele, mas não é a minha. Infelizmente, não pode ser, por enquanto. Então o que aconteceu é que no meio da coisa toda eu me senti menor, me senti culpada por não estar fazendo o que o padre falou. Parecia que não me aceitavam ali.

Esse é o problema desses eventos comigo. Eles sempre fazem eu me sentir menor, de alguma forma.

Mas eu estou fazendo o melhor que posso, acho. Estamos. Com toda a verdade do mundo e com tanto amor quanto pode caber nos nossos corações não-casados. Isso me tranquiliza, é claro. Sei da minha verdade e sou feliz.


18 de abril de 2010

Sobre vacas, violência e outros absurdos

Que a violência urbana está tão grande que já se banalizou é fato. Eu mesmo já nem presto muita atenção nos jornais e o número de mortos em massacres é apenas isso: um número. Frio, por que não é com a gente nem com nenhum conhecido. Quem sabe seja só uma defesa nossa, fingir que não aconteceu nada lá fora só por que está tudo bem aqui dentro. Mesmo assim, uma notícia que li esses dias me tocou.

Vocês lembram daquela história de um menino que foi atacado DO NADA dentro de uma livraria? Aconteceu aqui em São Paulo em dezembro. O menino, Rique Pereira, designer, estava em uma livraria Cultura quando um doido randômico apareceu com um taco de beisebol e bateu nele. O absurdo da coisa toda. Rique está em coma até hoje e esse crime absurdo teve pouco destaque na imprensa. Talvez por isso mesmo que eu falei no começo do texto, o que é um menino levar paulada à toa perto dos massacres que a gente vê todo dia?

Mas esse Rique, como eu disse, é designer e antes de ser vítima do crime, foi escolhido para fazer uma das vaquinhas da CowParade, que rolou em São Paulo de janeiro até março deste ano. Ao todo foram 90 vacas em tamanho natural espalhadas pela cidade, o que faz a exposição ser a maior a céu aberto do mundo.

Tenho um carinho muito especial pela CowParade, era uma das coisas que eu mais tinha curiosidade aqui em São Paulo. E pude ver algumas vaquinhas nos meus passeios no começo do ano. Acho que vi em torno de dez, mas a do Rique eu infelizmente não vi. Ela estava exposta na Bela Vista, em um posto de gasolina.

O crime com o Rique voltou à tona esta semana por que, como ocorre sempre após o término da exposição, as vaquinhas da CowParade foram leiloadas. E a de Rique foi arrematada pela dona da Livraria Cultura onde ele foi atacado ano passado. O dinheiro, R$17 mil, vai ser usado em seu tratamento médico.

Achei bonito da parte da Cultura comprar a vaquinha. Não sei se o fizeram só por desencargo, mas de qualquer forma foi uma boa ação. Mas achei triste o menino nem estar bem no momento para saber que a vaquinha dele foi vendida. Quer dizer, eu achei triste tanta coisa nessa história toda, desde o começo. E a vaquinha ter sido vendida para a dona do lugar onde o menino foi machucado é só uma última nota melancolica em uma história que eu torço para que ainda termine bem e que o Rique (que eu nem conheço, mas já admiro pela fatalidade e pela vaquinha) volte logo à ativa, firme e forte.


Vaca de Sampa, obra de Rique C. Pereira

17 de abril de 2010

Drops

esconde-esconde
A felicidade boceja.
A tristeza é hiperativa
e brinca de esconde-esconde.
A felicidade dorme.
A tristeza te acha
e bate 1,2,3.

~Rodrigo Scaliante



No meio da noite gigante que se abre, ele dorme quietinho na cama enquanto eu fico aqui, gastando meu tempo, remoendo dores, inventando problemas, chorando baixinho, sentindo saudades. Querendo estar perto dele, mas não querendo ir dormir.

*****

Em frente ao metrô vejo um grupo de meninos de rua, com idade entre seis e dez anos. Usando camisetas de personagens infantis e conversando. Parecia até uma turminha normal, como as que a gente vê nas festas infantis que vai. Não fosse pelo detalhe de todos ali estarem fumando cigarro. Segurando assim entre os dedos meio sem saber como faz, sabendo só a pose que tem que ser feita. A cara da miséria estampada nas baforadas desajeitadas de quem ainda nem sabe como se fuma. Não sou do tipo que se comove fácil, mas em se tratando de crianças um dia todo de alegria pode ser destruido em um instante, quando se vê uma coisa dessa.


*****

É tão difícil prá mim manter amizades. Eu sou tão chata, tão touching, guardo tanto rancor. Minha falta de doçura me irrita também, eu tento ser melhor e não consigo. E lá se vai mais um afeto pelo ralo.


*****

Segundo o que me disseram eu tenho que, hum, aprender com os meus defeitos. Não deixar eles me prejudicarem. Mas as vezes é como ver uma casca de banana no seu caminho e ao invés de desviar, simplesmente pensar "putz, vou cair de novo" e seguir em frente. Quem erra uma vez tem perdão, quem erra um milhão, sabendo que está errando, tem também?

*****

Há muito tempo eu já sei: não importa o que eu estiver fazendo, sempre vou achar que deveria estar fazendo outra coisa. E vou ficar me culpando, e vou ficar inquieta e vou chamar isso de infelicidade. Sabendo, no fundo, que é só idiotice minha, mesmo.

*****


Meu silêncio é motivo de piada, de brigas, de mágoas, de desentendimento. Falar sobre o meu silêncio me deixa mais muda ainda. Querer que eu mude me magoa. As vezes. Não vou mudar. Nem mesmo sei como poderia fazer isso. E lembro de um livro que dizia que se uma mulher um dia se dedicasse a falar tudo o que realmente pensa o mundo se partiria ao meio. Este tipo de coisa me conforta. E isso não muda.

*****

Um bom jeito de se manter acordada em um dia de muito tédio e sono no trabalho: vá com sapatos apertados. Nada te deixará mais desperta do que a dor nos pés.

*****

Inventam tanta porcaria tecnológica, quando é que vão inventar um treco que dê o diagnóstico em tempo real se ainda vale a pena tentar?


*****

Não se engane. Nunca achei mesmo que mudar de cidade resolveria todos os meus problemas e acabaria com toda essa melancolia que chegou aos 13 anos de idade e já deveria ter ido embora junto com a minha adolescência. O que acontece agora é que os momentos felizes são bem mais constantes que os momentos tristes. Mas, veja, os momentos tristes ainda existem. Sempre vão existir, eu suponho.

*****


11 de abril de 2010

Coisas que aprendi neste final de semana

  • Cobertura de bolo tem que ser feita em uma panela de tamanho médio, no mínimo, não em uma leiteira pequena, sob o risco de sujar todo o fogão e desperdiçar meia receita da cobertura.
  • Andar de metrô sempre me deixa feliz e me acalma, mesmo eu estando chorando por dentro.
  • Definitivamente, não sei escolher roupas para eventos chiques (aguardo ansiosamente um post do Luxo Básico me ajudando neste quesito).
  • Chocolate também enjoa.
  • Pimenta nos olhos dos outros é refresco.
  • É bom mudar e ter a liberdade de abandonar algumas coisas e pessoas que não se gosta mais.
  • Tem um jeito bem gostoso de dormir quentinho no inverno. E cansadinho também, mas...
  • Nunca vou deixar de ficar triste ao acordar pela manhã e me dar conta de que meus sonhos eram só... sonhos.
  • Sinto mais saudades de alguns amigos virtuais do que de boa parte das pessoas com quem eu convivia em Foz.
  • Sempre tem como piorar, mas sempre se pode melhorar também. E deixar as coisas melhores é bem mais fácil. Basta um beijo, um gesto simples de carinho.
  • A maioria dos cartões-postais de São Paulo são com fotos da Paulista. E eu queria um com foto da Calixto e/ou da Liberdade.
  • Não precisa se apavorar com o tempo nublado, a roupa seca, mais dia menos dia.
  • Dormir até meio-dia não é desperdiçar o sábado.
  • Falar é fácil.
  • Ficar em silêncio é a minha maior covardia. E não consigo ainda mudar isso, por mais que machuque quem eu amo. Por mais que me machuque também.


9 de abril de 2010

Perdida em sonhos e realidade.

No matter what we do
No matter what we say
We're the song inside the tune
Full of beautiful mistakes

~ Beatiful - Elvis Costello*


Eu deveria fazer mais, entende? Eu quero dizer. Mais coisas, coisas minhas. Tirar fotos, escrever, vadiar, sonhar, ficar em silêncio (eu fico sempre em silêncio, mas ah). Deveria, se pudesse. Telefonar mais vezes para os meus amigos (nunca vou esquecer a alegria na voz deles quando atenderam), para a minha mãe. Dizer para o meu pai que o amo (fico com vergonha). Eu deveria, por exemplo, passear mais. Em algum parque. Feira. Museu.

Avenida.

Há tanta coisa para ser feita, não sobra espaço para essas futilidades tão... necessárias. Tanta coisa prá fazer e eu me desespero.

Calma.

É só o tempo de respirar, olhar pela janela, conferir se chegou sms. Sms, dm, scrap, email.

Calma.

É tão dificil se concentrar. Se centrar, achar um rumo. Se focar em algo. Os canais de TV, o barulho lá fora, seu corpo macio, o beijo quentinho de bom dia. Frio na rua, todos querem saber por que deixei minha cidade.

(Mas ninguém quer realmente saber, claro.)

A tatuagem que ainda não fiz e todas as pessoas que eu ainda suporto e nem sei por que. Não sei o que me prende. Com se alguém se importasse. Aquelas pequenas mágoas que você junta e depois usa de álibi se, na calada da noite, começa a se culpar por ser assim tão ruim em manter amizades.

(De quantos mea culpas é feito o coração humano?)

E eu ando sozinha, sozinha, sozinha. Já sei o caminho de casa, mas vou sem pressa de chegar. Vou devagar, olhando por todos os lados. Quem sabe me encontre pelo caminho.






* Cover de Christina Aguilera (!), que Elvis Costello fez especialmente para a série House.

7 de abril de 2010

Rock prá dançar

Bom, falar do show, como prometi. Foi naquela sexta-feira que era feriado. Dormimos o dia todo (frio, chuva, etc) e de noite resolvemos de sair para algum passeio. Nenhum amigo disponivel decidimos ir só os dois. Procurando por barzinhos com show de banda, acabamos indo parar no Na Mata Café, um bar phyníssimo lá no Itaim Bibi.

Chegamos cedo e ficamos lá bebendo e comendo bolinho de bacalhau até a banda começar. Foi bom demais ter um passeio assim de namorados, conversar, rir... Namoro é sempre tão bom. A banda demorou pacas prá começar, mas a espera valeu a pena.

Nem conheciamos a banda, na verdade. Fomos pela "propaganda" no site: The Soundtrackers, Os Tocadores de Trilha. Dito assim parece engraçado. E realmente é, por isso foi a banda escolhida por nós.

Então a banda era assim: só tocavam música de filme. Filme dos anos 80, anos 90 e até um ou outro mais recente. Foda. Nego gosta de tacar pedra em oitentista, mas quero ver não chorar em aramaico quando começa a tocar um MC Hammer ou qualquer porcaria (sim, porcaria. Das boas) meio que dessa época.

Além dos caras serem super competentes, ainda incorporavam mesmo o espírito da coisa toda. Um guitarrista era o McFly, o outro era o Dewey Finn, o baixista era o Mr. White, o batera era o Daniel Sam, o tecladista era um Ghostbusters, o vocalista era um Blues Brother e a vocalista era a Sandy versão malvada. Como não amar?

Dançamos muito, até cansar, até a banda tocar a última e começar a tocar um dance-house-psy maluco. E dançamos essas maluquices também.

Depois andamos de Fran's Café em Fran's Café pela Avenida Paulista até dar a hora do metrô abrir e a gente ir prá casa.

Chegamos em casa às seis da manhã.



The Soundtrackers ~ Na Mata Café [02/04/10]
- SET LIST
  1. Ghostbusters
  2. Footloose
  3. Walking On Sunshine
  4. The Power Of Love
  5. The Heat Is On
  6. Goonies Are Good Enough
  7. Sweet Dreams
  8. Billie Jean
  9. That Thing You Do!
  10. Twist And Shout
  11. Jailhouse Rock
  12. Great Balls Of Fire
  13. Pretty Woman
  14. Help!
  15. Never Can Tell
  16. Summer Nights
  17. The Time Of My Life
  18. I Don't Wanna Miss A Thing
  19. What A Feeling
  20. Dancing Queen
  21. Stayin ALive
  22. Best Of My Love
Bis:
  1. Let's Heart It
  2. Old Time Rock n' Roll
  3. We Dont Need Another Hero
  4. I'll Be There For You [tema de Friends, prá fechar!]



4 de abril de 2010

Dois.

Eu ainda tenho que contar pra vocês do show de sexta-feira, mas conto depois, okay? Agora queria falar mais ou menos de outra coisa. Quase de outra coisa, mas ainda sobre a noite de sexta. E além.

Sexta fez dois meses que estou em São Paulo, morando com o Alex. Nesses dois meses muitas coisas aconteceram, aos poucos nossa casa vai ficando mais bonitinha (hihihi) e etc. Também aprendi muito (tenho aprendido) como é delicado morar com alguém, ainda mais se é seu namorado. Quando tem briga você não pode simplesmente bater a porta e ir embora! Tem que resolver antes de dormir, por que, né, dormir na mesma cama brigado é péssimo. Mas a gente não briga muito.

Em uma carta que minha mãe me mandou ela disse que sente saudade até do meu mau-humor e eu penso mesmo como é que ela pôde me aguentar por tanto tempo e quanto tempo mais o Alex aguentará. Hhauehaeuha... Não é querer se fazer de coitada nem nada, não é isso. Tenho bastante consciência do quão chata posso ser as vezes. E mesmo sem conseguir o tempo todo, tento o meu melhor por que não quero perder por nada o que tenho hoje com ele. Nunca tive alguém tão atencioso, dedicado, inteligente, romântico... e lindo. E o mais legal disso tudo é que eu sinto que tudo o que ele faz por mim não é só prá me agradar, prá me ganhar. É sincero, é por que ele gosta de mim e quer me ver feliz. E ele faz muito por mim e por nós, desde limpar a casa enquanto eu lavo a roupa, passando por cozinhar os melhores pratos do mundo até andar comigo em procissão pelos shoppings de São Paulo procurando exatamente aquele celular que eu quero, naquelas condições que eu quero.

Ele é assim, faz tudo por mim e eu faço tudo por ele.

Essa foto do post é de sexta, quando a gente foi em uma barzinho ver o show de uma banda sooper (depois eu conto). Foi um passeio de namoro, mas a gente nem tinha se dado conta da data, assim como dia 25 do mês passado fizemos 5 meses de namoro e só fomos lembrar dias depois. É assim desse jeito meio solto que a gente se ama, sem protocolos.

Hoje liguei para a minha mãe e todo mundo em casa quis falar comigo. Meu pai, minha cunhada, meu irmão e o Arturzinho. O diálogo com o Arturzinho foi o melhor, as usual:

- Tadsh, vem cá.
- Agora eu não posso, meu amor.
- VEM AGORA. PEGA O AVIÃO E VEM
- Não dá, não tem mais avião nesse horário
- (arroto)
- O que foi isso?
- Desculpa, Tadsh, eu arrotei. Foi a Coca.
(ele larga o telefone)

Bem, não foi o arroto o fator decisivo, mas realmente eu deveria ir logo visitá-los. Dois meses longe, não sei quanto tempo eles esperam que eu demore até fazer a primeira visita. Vai ser diferente agora voltar. Agora voltaria como a mulher casada, que vem como visita, com o marido. Vai ser legal, engraçado, diferente.

É um plano, uma vontade. Mas por enquanto, vamos seguindo aqui. Só nós dois. E tá bom demais, tendo o meu amor comigo. Sempre comigo, como deve ser.

Sempre, sempre comigo. Amor da minha vida.