Elvis Costello Gritou Meu Nome

Tati Lopatiukinfo
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São Paulo - SP Blocker e eventualmente jammer na Ladies Of HellTown Escritora e web redatora 28 anos Colecionadora de gatos

A história de uma garota que decidiu ser feliz pra sempre.

31 de março de 2010

Topiaria.

"Mas os adultos estavam sempre metidos em conflitos, todas as possíveis ações complicadas pelas consequencias, pela dúvida, pela própria imagem, por sentimentos de amor e responsabilidade. Toda e qualquer escolha parecia ter desvantagens, e, às vezes, ele não entendia por que as desvantagens eram desvantagens. Era difícil."

- Stephen King, em O Iluminado


Parafraseando o poeta, penso que estou louca quando estou apenas... tranquila. Penso também que estou me repetindo, me acomodando em motivos para ficar triste. Não é nem inventando motivo. É escolhendo sempre os mesmos, se quero chorar. Por que parece que é mesmo assim, se decido que vou me deixar abater, toda lembrança dói, as boas e as ruins. E depois sou eu chorando ao receber carta dos meus pais, chorando ao ver a letra do meu pai, como se fosse algo que eu tivesse perdido para sempre. E não perdi.

Mas mesmo sabendo que escolhi certo (sabendo até onde posso acreditar e saber, claro) parece que ainda existe algo no ar. Uma espécie de distorção na visão geral da coisa toda. Algo me impede de ser feliz por completo, por mais que saiba que esse tempo de agora é o mais pleno que já alcancei na vida. É estranho. Me sinto deslocada onde estou e sei que não posso voltar. Não por que não seria recebida de volta. Seria sim, mas sei que eu mesmo não aceitaria essa volta. Então me sinto sem um lugar que seja meu de verdade. Nem aqui, um lugar novo, nem lá, o lugar velho que deixei e que, no fundo, sei que não quero voltar. Era difícil. Me vejo presa no emaranhado de escolhas que fiz. Que não me arrenpendo, que me alegram até em meio as lágrimas de saudade. Mas ainda assim, sem o meu lugar. A tal da distorção. Jack Torrance preso em um Overlook a céu aberto. Doidamente feliz, angustiado, em êxtase, triste. Tudo ao mesmo tempo.


28 de março de 2010

Foi o que eu disse ao promotor.

Cruzando São Paulo da zona norte até a zona sul em duas horas, pegando a linha azul do metrô quase que de ponta a ponta e mais dois ônibus (um antes e um depois do metrô). Tudo isso para chegar em um shopping phyno no Morumbi onde uma das minhas bandas favoritas ía tocar. Sábado preguiçoso, com cara de chuva. Um dia normal em São Paulo. Feliz, chuvoso, cheio de expectativas. Um dia normal na minha vida. Exceto que no começo da noite a Ecos Falsos ía tocar.

Chegamos com duas horas de antecedência, deu tempo prá passear bastante pelo shopping, tomar um Frozen Yogurt dyvyno e depois ainda ficar uma meia hora na Starbucks, tomando um mocha e fazendo cara de rhycos, sentados naqueles sofás aconchegantes que só a Starbucks tem.

Sábado é um dia phyno demais, vou te dizer.

E aí fomos prá Saraiva Megastore, onde seria o show da Ecos Falsos. Começou com um pouco de atraso, tudo bem. E sentados na segunda fileira (minha timidez me impediu de sentar na primeira fila) assistimos, eu, alex e alguns mais, há um show especialíssimo, de uma banda divertida, competente e muito fofa. De letras engraçadas para falar de cotidiano e cafonas para falar de amor.

O show foi uma "cortesia" do Loaded-e Zine, outro site que descobri ser muito phyno, por que veja: depois eles colocam o show todo no site prá você baixar e ouvir no conforto do seu lar. De mais a mais foi um show lindo, todo engraçadão e TENSO, por que ficar tão perto dos seus ídolos é TENSO. Me enrolei muito e quis fugir, mas com o incentivo do Alex fui lá conversar com os caras depois do show e ganhei um cd do Goiânia Rock City (coletânea encabeçada por Black Drawing Chalks, @congeminemos querida!), ganhei também palheta do guitarrista, botton da banda, beijo, abraço, olhar, sorriso e foto xuntinho com o Gustavo, vocal da banda.

Depois foi voltar prá casa, mas aí já não era problema. Um dia tão perfeito do começo ao fim e com toda a cara de que tudo vai melhorar ainda mais, entre beijos, risadas e planos enquanto a condução não vem.


Ecos Falsos ~ Saraiva Megastore [27/03/10]
- SET LIST
  1. Spam do Amor
  2. Quase
  3. Findo Milênio
  4. Eu Só Sou Sentimental Quando Eu Me Fodo
  5. Reveillon
  6. Verão de 69 (versão "surpresa", em inglês)
  7. Guaraná
  8. Bolero Matador
  9. Sem Rumo




  • * É com muita alegria que volto a utilizar a tag #shows aqui, na certeza de que será uma constante daqui em diante.

21 de março de 2010

Livre.

Just a small town girl
Livin' in a lonely world
She took the midnight train going anywhere

- Journey ~ Don't stop believin' (Glee version)


Sabe uma coisa, na minha profissão (contadora) é de se esperar passar anos, a vida toda até, trabalhando no mesmo lugar, no mesmo escritório. Depois de alguns anos no mesmo emprego, criar e manter uma zona de conforto e nela ficar, eternamente. Coisa que considero perigosa. E então quando fui demitida do meu emprego, depois de mais de cinco anos na mesma mesa, com os mesmos colegas, os mesmos dias iguais, me vi sem chão, sem referências. Perdida.

Depois, passado o susto inicial, me senti livre. Oras, eu poderia fazer o que quiser, não estaria eternamente presa àquele escritório, àquelas conversas de sempre. A mesma xicara de café lascada no canto, sempre lembrar disso antes de levá-la a boca.

E então fiquei feliz.

Depois, demorou mais, as coisas mudaram e eu precisava de um emprego novamente. Comecei a me angustiar: e se eu caio naquela vidinha monótona de novo? Uma calculadora de mesa, café das dez, fofocas no corredor. Entenda, não é que eu não goste da minha profissão. Eu gosto. E justamente por isso é mais fácil me acomodar dentro dela. E não quero isso. Ter uma vida assim tão certinha e previsivel não é exatamente o que eu desenhei prá mim.

(não que eu tenha de fato desenhado algo, um dia)

Mas enfim. Era o que eu precisava fazer e não era tão ruim assim. Sentia saudade até. Vieram as entrevistas de emprego, os testes, me senti voltando aos tempos de faculdade, de caloura tentando emprego na àrea. E finalmente consegui um emprego.

Pensei: lá vou eu prá vidinha de contadora, mulher executiva.

Mas parece que mudou isso também, em mim. Sendo estrangeira no meu próprio país e na (minha mais nova) própria cidade, me sinto livre até mesmo para não cair mais na tal zona de conforto tão temida e tão irresistível da profissão. Uma liberdade tem tomado conta de mim. Uma felicidade até. De fazer só o que eu quero, só o que me deixa feliz. Minha zona de conforto agora é essa felicidade que carrego comigo, independente do que aconteca. Seja ficar no mesmo emprego por anos, seja sair dele de repente por que achei outra coisa que queira fazer. Não há limites para quem quer ser feliz. Para quem quer tentar.

E mesmo que eu passe anos no mesmo emprego e mesmo que olhando do lado de fora minha vida vá parecer ser boring as hell, previsivel... Dentro de mim sei que não é assim. Dentro de mim mora toda a felicidade do mundo, por estar aberta a todas as possibilidades, sem medo de mudar, de recomeçar.

E isso basta.



  • Grafite no Bairro da Liberdade, São Paulo. Foto de Paulo Arias. Veja aqui em tamanho maior.

6 de março de 2010

Pausa.

Conexão lenta que enfraquece a amizade, mais a vida lá fora que enfraquece a vontade de ficar on line. Nas primeiras semanas foi difícil ficar sem net, mas agora até me acostumei e quando tenho uma oportunidade, depois de trinta minutos já estou me perguntando "o que estou fazendo aqui?". Mas acho que é só uma fase, ou é só o jeito que as coisas estão agora. Do que mais sinto falta é escrever pros blogs, quando tenho inspiração não tenho conexão (!) e vice-e-versa. Enfim. Nessas sinto que vou perdendo as pessoas que tanto gosto e que só encontro aqui na telinha. Não gosto disso. Claro, sempre se pode mandar um sms fofusho no meio da tarde, em um momento de puro nervosismo. E receber as boas (e certeiras) vibrações da amiga que nunca vi pessoalmente. Me faz bem. E dá sorte.

De qualquer modo, o que eu quero dizer é que as coisas vão mudando, sabe. Mesmo aquelas que nunca mudam encontram um jeito de se adaptar dentro da gente. Eu sinto falta das minhas amigas de tela, tenho medo de elas me esquecerem. E sinto falta de blogar e tenho medo de as pessoas deixarem de me ler, de comentar, de gostar, de querer me ler. Mas me sinto tão de mãos atadas para resolver isso, para tomar uma atitude. Vou aqui lentamente me contradizendo, eu quero essas coisas todas e não me sinto impelida a batalhar por elas. Não agora, acho. É só uma fase, eu disse. Tantos anos de serviços prestados, acho que posso tirar uma folga.

Ou sim, ou não. Enquanto isso as horas vão passando e nada se resolve dentro de mim. E vou perdendo as coisas que antes me eram tão caras.

(ainda são)



4 de março de 2010

Momentos doces de nossas vidas

É tanta coisa que eu me perco. Nem só de momentos complicados é feita a minha vida, vou te contar o lado doce dela. Alguns momentos.


1) NA MINHA MÃO É MAIS BARATO

Quantos anos eu passei sendo invisivel para os vendedores de eletrodomésticos! E agora, você entra nas lojas de mãos dadas com o namorado e chove funcionário querendo vender enxoval. Acho lindo. Mas não compro nada. Ou quase nada.


2) PRETTY GIRLS CALL MY NAME

Já falei disso aqui, uma das coisas mais legais de ter tv a cabo é poder assistir Spetacle, o programa do Elvis Costello. Hoje cheguei tão triste em casa e tava passando Elvinho na tv. Um afago prá alma. Depois tem outras coisas, poder ver filmes juntos toda noite, debaixo das cobertas...


3) PERTO DO SEU TRAVESSEIRO

Nunca achei que morar com alguém pudesse ser tão gostoso, tão bom, tão reconfortante. Por pior que seja o dia você sempre tem um beijo, um abraço no fim da noite. Pode se esconder no abraço dele, chorar ou rir até a barriga doer. E depois ver quem acorda primeiro. E como na maioria das vezes o dia é bom, no fim da noite dormir abraçada com ele depois de muito rir é melhor ainda. Fazer planos, sonhar acordados na escuridão da noite, enquanto o sono não vem. Contar segredos, velhas histórias, medos. Dividir as dores.


4) EU SÓ QUERO CHOCOLATE

Fazer compras no mercado, sabendo que é compra do mês e se permitir comprar uma caixa de bombom e duas de cerveja. Quanto quilo é de cada coisa, a gente nunca vai saber. Comprar coisas prá casa e pedir prá embalar prá presente. Olha que bonito! Se as sacolas pesam muito a gente se reveza e sempre, sempre consegue banco duplo no ônibus e volta sentado lado a lado, pensando que agora sim.


5) AS RUAS, AS AVENIDAS, OS SINAIS FECHADOS

Andar sozinha ainda é esporádico, mas eu gosto. Alguns lugares já sei como ir e vou só, se preciso for. Mas gosto mesmo é de andar acompanhada, andar de metrô e ver a cidade pela janela. Depois parar nas estações e ver as exposições pela cidade. Gosto de ir beber no Bexiga ou na Augusta, gosto de ficar só bebendo quietinha, enquanto você me conta histórias e ilumina meu dia. Gosto quando a gente volta prá casa meio bêbado, tropeçando e rindo, cai na cama e esquece da vida.



Eu gosto de tanta coisa aqui que parece que até gosto mais de mim, agora.