O outro lado do verão
quarta-feira, 3 de novembro de 2010
The sun struggles up another beautiful day
And I felt glad in my own suspicious way
Despite the contradiction and confusion
Felt tragic without reason
There’s malice and there’s magic in every season
- The Other Side Of Summer (clip impagável) - Elvis Costello
Para a maioria das pessoas parece não fazer mesmo muita diferença e nos jornais os velhinhos dizem não gostar do horário de verão, mas é inegável a alegria que ele traz para a minha vida.
Antes era assim: eu saía do trabalho e voltava à pé para casa. Não lembro quantos quilômetros eram (sou péssima para essas coisas), mas sei que em uma hora estava em casa. Durante esta uma hora de caminhada eu pensava e repensava tudo, me acalmava, planejava mentalmente o resto do dia. E era bom chegar em casa exausta e disposta, ao mesmo tempo. Encontrar o jantar pronto, a casa limpinha, mãe na vizinha tomando chimarrão e me chamando para uma cuia antes do banho.
Depois mudou. Mudou tudo, mudou muito mesmo. E agora saio do trabalho (isso não muda!) e volto de ônibus, nada de longas caminhadas neste lugar onde ainda estou aprendendo a andar. Mas é o chegar em casa que mudou demais. Agora chego e só uma gatinha peralta me espera. Abro a porta, pego a gatinha no colo e vou entrando em casa. Na minha casa. Sapatos vão para o canto certo, bolsa no cabide e então abro portas e janelas, deixando o Sol entrar.
A gatinha pula do meu colo e corre aproveitar o Sol na àrea de casa. Corro atrás dela. Fico um tempo ali, enquanto o Sol fica também. Depois varro a casa, tomo banho. Penso no jantar. A noite cai e só falta agora o melhor do dia, quando meu amor chega e eu e a gatinha disputamos quem ganha primeiro o abraço dele.
E é uma doce rotina que eu amo a cada dia mais. Mas tenho sentido saudades do dias de verão em Foz. De chegar em casa e tomar chimarrão e também dos sábados, das tardes de sábado em que minhas amigas vinham me buscar para passear. De ir ao cinema sozinha e ligar pro pai vir me buscar.
Só que não é daquelas saudades tristes, de quem perdeu todas as alegrias que tinha. Pelo contrário, é tão diferente. Tivesse continuado lá a vida toda quem sabe jamais me daria conta do valor que essas coisas tem. Agora a saudade vem acompanhada de um sorriso, de quem sabe que era (e é) feliz onde quer que esteja.
Deve ser por que sou uma saudosista. Ou pode ser apenas que eu goste muito dos dias de Sol.
And I felt glad in my own suspicious way
Despite the contradiction and confusion
Felt tragic without reason
There’s malice and there’s magic in every season
- The Other Side Of Summer (clip impagável) - Elvis Costello
Para a maioria das pessoas parece não fazer mesmo muita diferença e nos jornais os velhinhos dizem não gostar do horário de verão, mas é inegável a alegria que ele traz para a minha vida.
Antes era assim: eu saía do trabalho e voltava à pé para casa. Não lembro quantos quilômetros eram (sou péssima para essas coisas), mas sei que em uma hora estava em casa. Durante esta uma hora de caminhada eu pensava e repensava tudo, me acalmava, planejava mentalmente o resto do dia. E era bom chegar em casa exausta e disposta, ao mesmo tempo. Encontrar o jantar pronto, a casa limpinha, mãe na vizinha tomando chimarrão e me chamando para uma cuia antes do banho.
Depois mudou. Mudou tudo, mudou muito mesmo. E agora saio do trabalho (isso não muda!) e volto de ônibus, nada de longas caminhadas neste lugar onde ainda estou aprendendo a andar. Mas é o chegar em casa que mudou demais. Agora chego e só uma gatinha peralta me espera. Abro a porta, pego a gatinha no colo e vou entrando em casa. Na minha casa. Sapatos vão para o canto certo, bolsa no cabide e então abro portas e janelas, deixando o Sol entrar.
A gatinha pula do meu colo e corre aproveitar o Sol na àrea de casa. Corro atrás dela. Fico um tempo ali, enquanto o Sol fica também. Depois varro a casa, tomo banho. Penso no jantar. A noite cai e só falta agora o melhor do dia, quando meu amor chega e eu e a gatinha disputamos quem ganha primeiro o abraço dele.
E é uma doce rotina que eu amo a cada dia mais. Mas tenho sentido saudades do dias de verão em Foz. De chegar em casa e tomar chimarrão e também dos sábados, das tardes de sábado em que minhas amigas vinham me buscar para passear. De ir ao cinema sozinha e ligar pro pai vir me buscar.
Só que não é daquelas saudades tristes, de quem perdeu todas as alegrias que tinha. Pelo contrário, é tão diferente. Tivesse continuado lá a vida toda quem sabe jamais me daria conta do valor que essas coisas tem. Agora a saudade vem acompanhada de um sorriso, de quem sabe que era (e é) feliz onde quer que esteja.
Deve ser por que sou uma saudosista. Ou pode ser apenas que eu goste muito dos dias de Sol.









