Seria mais digno esperar chegar em casa, em Foz e fazer um mega post contando tudo. Mas então, será que eu conseguiria contar tudo, de uma vez só? Penso que não. Estou há uma semana em São Paulo e minha estadia aqui está exatamente na metade. E está na metade por que hoje fui no aeroporto e adiei em uma semana a minha passagem de volta.
Eu não quero voltar.
São Paulo me pegou de jeito e eu me apaixonei de cara. Pelas ruas gigantescas, as pessoas sempre apressadas, taxistas monossilábicos e balconistas com um meio sorriso me perguntando se quero nota paulista. Mesmo violenta, gelada e barulhenta a terra da garoa tem seus encantos, que a mim se mostraram irresistíveis.
São tantas, tantas infinitas coisas que eu gostei e me identifiquei aqui. E justo eu que sofro de um banzo violento onde quer que esteja, pela primeira vez me senti bem estando fora de casa. Bem de verdade. Eu certamente seria muito, muito feliz aqui. Eu poderia ser feliz aqui. Eu posso ficar aqui?
Me parece aquelas situações em que você sabe exatamente o que deve fazer, mas tem medo, por que tem consciência de que se com apenas um passo você já não está no mesmo lugar, que dirá um passo tão grande assim como esse que quero dar, que envolve não só a minha vida, mas a de pessoas que amo.
Escolhas são sempre complicadas. E sempre prefiro que escolham por mim. Mas agora não pode ser assim, agora sou eu quem escolhe. E como se não bastasse toda a beleza discreta das ruas de São Paulo para me seduzir, ainda há alguém que sopra no meu ouvido a resposta certa, todas as manhãs.


















