Elvis Costello Gritou Meu Nome

Tati Lopatiukinfo
description
São Paulo - SP Blocker e eventualmente jammer na Ladies Of HellTown Escritora e web redatora 28 anos Colecionadora de gatos

A história de uma garota que decidiu ser feliz pra sempre.

31 de agosto de 2009

Mais essa agora

Meu Deus, por que me abandonaste
se sabias que eu não era Deus
se sabias que eu era fraco.
~
Carlos Drummond de Andrade

Dizem que quando a gente fica mais fraco é que a gente fica mais forte. Sempre desacreditei desse ditado e não me vejo, atualmente, com grandes chances de mudança nesse sentido. Hoje diante de mais uma notícia ruim, fiz o que faço sempre: fui andar. Andei até sei lá que horas, mas aquilo não me acalmou muito. E o que eu me pergunto é: quando é que vou ter paz? Por que eu não consigo?

E depois voltar prá casa e ter que se acostumar com mais essa. A minha vida é essa, o que eu posso fazer?

Um pouco mais de otismo, é o que todos dizem. Mas e quando chega aquele ponto em que nem otimista você consegue ser, mais? Eu tento, juro que tento. Mas parece que tem dias que a vida resolve me testar demais e eu nunca fui boa em provas. Nunca fui.



30 de agosto de 2009

Dude Looks Like A Lady

Cruised into a bar on the shore
Her picture graced to grime on the door
She a long lost love at first bite
Baby, maybe you're wrong, but you know it's all right
That's right


Dude (Looks Like A Lady!) ~ Aerosmith

Segui o protocolo dos impulsos absurdos, que devem ser seguidos assim que surgem. Se der tempo prá pensar, a gente desiste. Me arrumei num àtimo e fui prá buatchy. A buatchy seguiu o seu protocolo próprio no que diz respeito à mim e não havia lá um rosto sequer que me fosse familiar. Exceto por um, que me olhava de longe, curioso. Fiquei sentada sozinha, esperando a banda começar, bebendo uma Heineiken trincando e achando graça daquele cara em particular, que muito ensaia e pouco faz. E faz tempo que ensaia, hein? Faz tempo.

Sendo uma banda de hard rock o que não faltou foram clássicos de Aerosmith, Guns, Van Halen, Bon Jovi. E mais Madonna, Roxette e Michael Jackson. Aquela coisa bonita e nostágica. E bonita e nostálgica eu dançava em frente ao palco, abraçada à minha terceira Heineken da noite. E o cara lá, me olhando de canto. Do outro canto do bar.

Acabou o show, me sentei no balcão, exausta de dançar e esperar. Bebi mais uma Heineken. Devagar. Dando um tempo. Esperando o tempo dele. Nada. Aí me dei conta, era noite de hard rock. Dude Looks Like A Lady. Esse mundo tá mudado, diria minha vó. Uma moça indo sozinha prá *balada*, bebendo sozinha e o cara não tem atitude de chegar. E não, não vou chegar. É o mínimo que se espera de um homem. E foi aí que eu vi que não adiantava mesmo esperar ou insistir. Acabou ali uma história que nem começou. Fui embora sem nem dar uma última olhada, mas com um sorriso sacana no rosto. Steve Tyler que me perdoe, mas na real, naquela noite eu tava mais prá Rita Lee: sou mais macho que muito homem.



29 de agosto de 2009

Complicated Shadows

Um amigo me diz que a vida é grande, eu digo que a dele pode ser, mas a minha é pequena. A vida fica pequena, se a gente não tem com quem dividir as nossas besteiras. E pensando bem, essa pequeneza não vem de fora, vem de dentro.

E me lembro de outra conversa, com outro amigo em que eu dizia que não sou um bom lugar. Não que eu seja mau-caráter, mas não sou mesmo a melhor pessoa prá se ter como amiga. Eu sou tão mimada e chata e chorona. E meio cruel também, no meu egoísmo, meu egocentrismo.

E me lembro então de mais outra conversa, dessa vez com uma amiga, em que ela dizia que ela é que não era um tipinho fácil e eu até hoje não acredito nisso, pois ela é uma das pessoas mais doces que já conheci. Mas ela diz que disfarça bem. Disfarço bem também e deixo ela falar.

Eu tenho um monte de amigos. E eles não desistem de mim, isso que acho incrível. Se cansam um pouco, não sem razão. Mas não desistem.

Agora, transformar amor em amizade, será que dá? Choro baixinho, nervosa, vendo que nem ele sabe a resposta. Posso até ver a hesitação.

E lembro de outras, outras conversas antigas, com outro amigo. Lembro da sintonia fina que tínhamos e de como ela agora se perdeu. E de como sempre sonho com ele e agora tenho vergonha de contar. Até conto, mas me arrependo. Fica um clima esquisito, sabe? Nada aconteceu, mas tudo mudou. Como pode?

Como pode tanta coisa mudar, se ainda sinto o mesmo? Se ainda amo da mesma forma. Por que?

Não parece terrívelmente injusto?


28 de agosto de 2009

Across the night

Parecia então a coisa certa a se sentir. Senão a certa, a mais compreensível. Parecia certo agora eu voltar a me apaixonar por ele, depois dessa distância toda e dessa reaproximação que não foi arquitetada por mim, mas que foi acontecendo aos poucos, sem que eu me desse conta.

Mas eu não tenho certeza de tantas coisas e ultimamente ando agindo tão errado.

Entre calar e julgar eu tenho julgado muito e julgado errado. E falado besteira e magoado quem eu gosto. Entenda que eu tenho andado meio perdida. Sem rumo, mas não daquele jeito romântico dos filmes de Cameron Crowe. Sem rumo daquele jeito triste e claustrofóbico, das paredes escuras, das portas fechadas. Da solidão.

Então, parecia certo eu pegar essa tristeza e essa carência e transformá-las em uma paixão antiga requentada. Seria compreensivel.

Só não esperava ser correspondida tão calorosamente. De forma tão doce.

Confundiu ainda mais o que já estava um caos e transformou em prato do dia um sentimento que já estava esquecido.

E mais uma vez eu não sei se é verdade o que vejo ou se sou eu mais uma vez vendo amor onde não tem. Adoçando artificialmente a minha vida, prá ver se ela me desce mais fácil.




27 de agosto de 2009

Contigo en la distancia

I was dreaming in the driver's seat
When the right words just came to me
And all my finer feelings came up


Finer Feelings ~ Spoon


Foi bom viajar. Na solidão noturna da viagem, pensar até, ao som de Spoon. É mesmo bonita demais essa parte do Paraná, estavam certos em dizer. Sob a luz da Lua fica tudo tão bucólico, tão bonito de se ver e sentir. Foi bom também passear por lugares com pessoas desconhecidas, ter que socializar com todas, para o bem do emprego do papai. Pro meu próprio bem também, oras. E depois andar sozinha e a esmo por ruas que eu não conhecia, em uma cidade que eu nunca tinha visitado antes. Me deu saudade de pelo menos dez pessoas e eu não sei se, nessa pequena distância que se fez, elas sentiram minha falta também. Eu não sei.

Talvez o problema aqui seja que eu me apegue demais à tudo. Pessoas, trabalho, promessas, intenções. E esteja sempre waiting for. E claro, nunca recebendo em troca o tanto de atenção que gostaria e é claro, sempre quebrando a cara por isso.

Talvez o problema aqui seja que eu não tenha calma, não tenha desapego.

O problema aqui é que eu amo demais qualquer coisa que se apresente com a mínima intenção de me amar também. Se isso é defeito ou qualidade eu não sei, mas se chega nesse ponto de eu estar sempre insatisfeita com as relações ao meu redor, quem sabe seja um ponto da minha personalidade que precise ser revisto.

Mas, por hora não. Por hora eu realmente preciso de um pouco mais de afeto. E o recebi sim, de alguns poucos, raros amigos. E fui até injusta com alguns, no meu nervosismo infantil. Mas é assim que se aprende a ser gente: errando e errando muito. Errando prá acertar.

Naquela tarde eu peguei um ônibus que não sabia prá onde ía, desci num lugar que achei bonito. Conversei com pessoas, todas muito espantadas por eu não ser da cidade. Um cachorrinho me seguiu por um bom pedaço, quis tirar foto mas ele se acanhou.

Conversei muito com meu pai, o vi orgulhoso de mim e de si mesmo, me apresentando para a maior quantidade de pessoas que podia. Fiquei calada muito tempo, lendo livros e caminhando sozinha. Sorri para quem sorriu prá mim, não foram poucos.

Voltei prá casa ainda sem saber o que fazer, ainda nervosa, ainda triste. Mas um pouco diferente, isso sim. De certa forma, algumas coisas ficaram mais claras. Só resta agora saber o que fazer com tantas novidades, tantos sentimentos.

Eu me sinto solitária, mas não me sinto só. E mais uma vez, obrigada pelos comments no post anterior. Vocês fazem isso aqui valer a pena. ♥




25 de agosto de 2009

Hard to breathe.

Obrigada a todos que se importaram e, entendendo ou não, deixaram um comment no post anterior. Meu emprego significava muito prá mim. Era a minha paixão e o meu refúgio. Agora sem ele, tenho que rever algumas coisas. Esse tempo ocioso quem sabe ajude nesse intento, mas não estou bem certa se ele não se voltará contra mim, visto que não suporto ficar em casa muito tempo. Quem sabe já temendo isso, meu pai me chamou hoje prá ir viajar com ele, a trabalho, então estou indo. É uma viagem curta, acho que amanhã já volto.

Hard to breathe. Sempre gostei de olhar pela janela, na viagem. Vai ser bom.


24 de agosto de 2009

Acabou.

Todos os anos de trabalho, dedicação e amor, prá nada. Sobraram vinte minutos no fim do dia, para juntar minhas coisas e ir embora prá nunca mais voltar. E eu gostava, eu realmente gostava daquele lugar.





23 de agosto de 2009

Artificial intelligences don't have teen fetishes.


Leonard:
We need to widen our circle.
Sheldon: I have a very wide circle. I have 212 friends on myspace.
Leonard: Yes, and you’ve never met one of them.
Sheldon: That’s the beauty of it.




Em setembro serei duplamente feliz. Sem placa de sarcasmo aqui. Mal posso esperar. ♥

22 de agosto de 2009

Chá para dois

Vamos tomar um chá.

Vamos buscar forças de onde já não temos. Vamos calar o que sentimos em versos antigos que sempre são novos para os nossos olhos. Vamos rir dos caga regras, sempre tão orgulhosos de si mesmos. Vamos ser orgulhosos de nós mesmos também. Vamos levantar da cadeira, dar uma volta, abraçar o pai. Vamos tirar da bolsa aquele livro que a gente não quer admitir que não gostou e não vai ler mais. Vamos comer um bolo só por que é do Ben 10.

E então.

Baixar a discografia de uma banda desconhecida. Mandar sms dizendo que adora. Ficar olhando pela janela, sem hora de parar ou coisa prá se pensar. Beijar o monitor quando disserem que te amam. Beijar o celular, pelo mesmo motivo. Beijar alguém, por que não disse nada. Vamos falar.

Mas não vamos.

Ficar aqui sozinhos, entrar na dança depois que a música acabou.

Não vamos.

Ser agredidos pelo silêncio alheio.

Se a música acabou e ele não quer mais dançar contigo.

Outra música e outro par surgirão.

Vamos?


21 de agosto de 2009

Rise and shine, moonshine

Cut loose in a nightmare, cast off in my dreams
If home is anywhere that I can hang my hat
Then it's coming apart at the seams
My luck is hanging upside down
I try to hold on tight
But money's rolling out of town
And love slips right out of sight

And these bones, they don't look so good to me
Jokers talk and they all disagree
One day soon, I will laugh right in the face of the poison moon

You look in the mirror
I'm sorry, but it can't be replaced
You're thrown straight out in that cruel parade
Buttoned down and laced
It starts like fascination, it ends up like a trance
You've gotta use your imagination on some of that magazine romance

And these bones, they don't look so good to me
Jokers talk and they all disagree
One day soon, I will laugh right in the face of the poison moon
One day soon, I will laugh right in the face of the poison moon

~ Elvis Costello ♫ Poison Moon

Foi se o tempo em que eu ficava quieta chorando, quer dizer, não sei o que me deu que agora se estou terrivelmente triste eu fico espoleta, inventando algo na minha cabeça prá me deixar feliz. Não quero mais ficar triste, não posso mais. O celular custou caro e não serviu ao seu propósito, mas pelo menos ele toca a música que eu quiser sem precisar de fones, pelo menos tem o wallpaper do Roy Lichtenstein, pelo menos pelo menos. Tava deitada na cama no escuro, me sentindo miserável e etc e no random tocou essaew, tocou Poison Moon. Eu gosto de Elvis Costello por que ele é tão rancoroso e melancólico. Hahuehaueha... Eu realmente gosto disso.

Quer dizer, não é como ouvir silverchair, que dependendo do dia tu chora em pleno ônibus lotado [#truestory]. Elvis Costello é sempre: GAAAAAAAHHH, CAMBADA DE PUTA E VEADO, VOCÊS VÃO VEEEEEEEEER! Hahuehauheau... Mas sempre com aquela phyneza britânica e tale. E aqui eu vou cometer uma heresia lascada, mas vou dizer: Elvis Costello é o Metallica refinado. Não musicalmente, é claro. Mas na maneira de lidar com a raiva. Por isso gosto tanto de ambos.

Enfim.

Dei um salto da cama ouvindo Poison Moon. GAAAAAAAHHH, CAMBADA DE PUTA E VEADO, VOCÊS VÃO VEEEEEEEEER! Funciona muito bem mesmo. Agora tô aqui acordada, feliz da vida e sem nem saber por que.

Um amigo que sempre me chama de sunshine agora me chamou de moonshine. Gostei demais disso. Eu fico pensando se por que desistiram do meu sonho eu também tenho que desistir dele. Sunshine, moonshine. Quem decide se o meu sonho vai vingar ou não sou eu, certo? Riiiiiiiiiiiight?

And one day soon, I will laugh right in the face of the poison moon.

Cambada de puta e veado que quer me deixar triste! GAH! \o/




Obrigada, Elvis Costello querido. Sunshine, moonshine. Quem decide agora sou eu. Aliás, sempre foi. Besteira foi ter pensado o contrário.

20 de agosto de 2009

Crime e castigo

Hoje no jornal da manhã aquele terapeuta que sempre vai lá dar umas diks randômicas sobre as nossas babaquices cotidianas em geral falou sobre a decisão de parar de fumar. Em suma ele falou que as pessoas tem o "anjinho" de um lado, falando "Não fuma não, champs, isso aew faz mal pra caraleo, prá você e prá geral" e o diabinho do outro lado, falando "Ah, fuma, caraleo, dinheiro é teu, pulmão é teu! Três reais um cigarro, o que que tem?". Bom, ele não falou exatamente desse jeito, mas vocês entenderam.

Eu não fumo nem nada, mas boto uma fé que tenho esse anjinho e esse diabinho, DOS NERVOSO', nos meus ombros. E o que é pior, o diabinho está ganhando com uma légua de vantagem. É o que eu chamo de indulgência: compenso minha infelicidade fazendo coisas que sei que me farão feliz só por dois minutos e que depois farão eu me odiar por todo um mês. E não estou falando de sexo, drogas ou rock n' roll. Na verdade, minha indulgência é focada na gula e no consumismo. Mas começo a perceber que essa indulgência agora tem gosto de auto-punição, no sentido de que a culpa que sinto depois é bem maior que a pretensa satisfação que me motivou a agir.

E já estou agindo errado a tanto tempo que agora até eu já cansei e sei que não adianta. Roupas e bolsas novas já não me fazem feliz. Chocolate infinito, muito menos. Fica só a culpa, por ter exagerado no cartão de crédito e no supermercado. Antes mesmo de chegar em casa já sei que não adiantam nada as coisas que levo na sacola. Ganhar tão fácil assim nem tem mais graça para o diabinho, me sinto no meu limite desse círculo vicioso de indulgência e punição. Penso em mudar meu modo de agir, mas ah... de que adianta, né? As coisas nunca mudam, de fato. Todo o mundo faz assim. Mas, espera, isto sou eu ou é o diabinho falando?

Eu fico imaginando o anjinho, com o coração na mão, me dando o livre-arbítrio e sussurando no meu ouvido as respostas certas. E eu tapando os ouvidos, sabendo que a verdade dói e pegando o caminho errado.

Até quando?


19 de agosto de 2009

Flores em você

Mas só prá não dizer que tudo é mimimi, só prá me proteger da eventual melancolia que a solidão traz de brinde, eu faço aqui um relicário com coisas que algumas pessoas me disseram essa semana. Coisas que me fizeram feliz, que me fizeram gargalhar, que me fizeram ter força prá seguir adiante. O poetinha estava certo em dizer, há a pedra no meio do caminho. Mas se a gente olhar bem, sempre tem alguém que planta uma flor do lado da pedra. Eu gosto de colecionar as coisas legais que me dizem. Guardo comigo essas florzinhas, prá me lembrar de que o caminho é bonito. São elas:


  • É só uma nota de meio de semana: amo vc (L), mas é segredo.
  • Engraçado é ela te odiar, é muito fácil gostar de você.
  • Viagem confirmada.
  • Porque eu sou, tento ser, seu incentivador nº 1 de que você é foda.
  • E esse é meu avô, Tadsh. Ele sabe com quantos paus se faz uma canoa por que, olha só, esta aqui ele mesmo que fez.
  • Não, Tati, nada a ver... Não é como se você tivesse dando uma cueca, que se tiver faltando basta ganhar algumas novas e tal.
  • TASQUEOPARIU, quando eu crescer, quero escrever igual você!
  • Adoro teus posts! Espero-os, ansiosamente, todos os dias.
  • E olha que material prá fazer drama eu tenho, desde aquele último "Tadsh!"
  • E tem como *não* gostar de você?


18 de agosto de 2009

Dear Roberta Sparrow,

I have reached the end of your book and... there are so many things that I need to ask you. Sometimes I'm afraid of what you might tell me. Sometimes I'm afraid that you'll tell me that this is not a work of fiction. I can only hope that the answers will come to me in my sleep. I hope that when the world comes to an end, I can breathe a sigh of relief, because there will be so much to look forward to.

Tem dias que me sinto meio Roberta Sparrow. Checando celular e email todo segundo, esperando mensagem de alguém. De ninguém. Esperando qualquer tipo de atenção, que nunca chega. A ironia de ter um celular novinho e ninguém que queira receber um sms meu. Haha. Vovó Morte me entenderia. Mad, mad world.



17 de agosto de 2009

Para sonhar com você

Não é preciso apagar a luz
Eu fecho os olhos e tudo vem
Num caleidoscópio sem lógica
~ Paralamas do Sucesso


Ainda não consigo distinguir em mim o que é insônia e o que é teimosia infantil. Muitas vezes me pego agindo feito meu sobrinho Arturzinho: protelando a hora de dormir só prá poder ficar brincando um pouquinho mais. Obviamente minhas brincadeiras são diferentes das dele. Tenho meus livros e meus filmes que me consomem, tenho a espera diária de alguém que eu tanto gosto vir falar comigo - meio raro, mas as vezes acontece.

Tento estipular um horário prá ir dormir todos os dias, mas parece que aí é pior. Se deito na cama sem sono, acabo cochilando e tendo pesadelos. Ou então fico me revirando na cama até me aborrecer, desistir e resolver levantar e ir fazer algo.

Essa noite foi assim. Me revirava e não conseguia pegar no sono. Cenas de Midnight Cowboy, Pulp Fiction e da noite de sexta se misturavam na minha cabeça. Nem meu travesseiro favorito parecia confortável como de costume. Pequenas vitórias pessoais minhas que eu não posso dividir com ninguém. Minha tristeza é tão visível, minha felicidade eu tenho que esconder? Agitada, eu pensava, me revirava. Sorria no escuro. Fazia planos e relembrava diálogos antigos de filmes que não passam na tevê e de conversas onde não escuto a voz do interlocutor.

Procrastinava o sono para sonhar de olhos abertos, na escuridão.


16 de agosto de 2009

You fell. Hey fella, you fell.

Dizia no meu livrinho dos 300 Filmes Para Ver Antes de Morrer:

Um filme sujo, violento e quase pornográfico - como seria a década de 1970. [...] Perdidos é aparentemente um filme menor, mas basta assistí-lo para ser arrastado por ele.

Achei Perdidos na Noite [Midnight Cowboy] muito por acaso e lembrando dele estar na lista, comprei. Como de costume, levei semanas até assistir. E a crítica do livrinho estava certa. Impossível não amar a ingenuidade caipira do caubói Buck (John Voight) e a também ingênua malandragem (sim) de urbano Ratso / Rico / Razzo (Dustin Hoffman). Embora tenha uma vibe meio gay friendly, fala em primeiro lugar de amizade. Amizade pura e simples, aquele sentimento bem antigo e atualmente quase em desuso. De se sacrificar por alguém, cuidar da pessoa acima de tudo.

Algo dolorosamente em desuso, de fato. Será que ainda existe amizade assim? Pessoas assim como Buck? Queria conhecer, se é que existe. Juro por Deus.


15 de agosto de 2009

Perdendo a vergonha

Mas eu cheguei ali achando que tava com a noite ganha. Que seria fácil, que eu me divertiria a milhão. Parecia tudo certo. Ledo engano. Começou comigo correndo pro banheiro e contando até cem prá não chorar e estragar o make. E consegui. E voltei pro bar, disposta a ganhar a noite, que eu quase tinha dado como perdida. Dessa vez eu me senti um pouco sozinha, um pouco deslocada sim. Mas, sempre há o rock. E entre ficar no banheiro chorando ou na primeira fila berrando eu sempre escolho a segunda opção, por mais confortável que seja a primeira.

E de música em música fui reconstruindo a minha noite. Fui fazendo dela minha. E prá isso é claro, foi necessário um pouco mais do que usual. Um pouco mais de cara-de-pau, de vontade, de cerveja. Mas valeu a pena. Quando a banda acabou de tocar eu já tinha feito a noite toda, entre dancinhas pseudo-sexy com as amigas e berros do refrão daquela música que eu amo mas não quero saber o nome.

Perdi a vergonha. E valeu a pena, saí ganhando no final.

14 de agosto de 2009

As notas emitidas

Fernando Pessoa, escritor, contabilista e sonhador. Meu poeta favorito, por ser tão igual à mim, até na profissão.

Hoje relendo O Livro do Desassossego lembrei de mais uns daqueles aspectos da obra dele que me enternecem ao infinito: quando ele expõe uma relação entre a contabilidade e a vida. Simplesmente perfeito:

"O sonhador não é superior ao homem ativo porque o sonho seja superior à realidade. A superioridade do sonhador consiste em que sonhar é muito mais prático que viver, e em que o sonhador extrai da vida um prazer muito mais vasto e muito mais variado do que o homem de ação. Em melhores e muito mais diretas palavras, o sonhador é que é o homem de ação. Sendo a vida essencialmente um estado mental, e tudo, quanto fazemos ou pensamos, válido para nós na proporção em que o pensamos válido, depende de nós a valorização. O sonhador é um emissor de notas, e as notas que emite correm na cidade do seu espírito do mesmo modo que as da realidade."


E me sinto imensamente feliz por contabilizar notas e por emiti-las. E voando as minhas notas vão, até encontrar seu destinatário.

13 de agosto de 2009

You have no ideia

Carlos, sossegue, o amor
é isso que você está vendo:
hoje beija, amanhã não beija,
depois de amanhã é domingo
e segunda-feira ninguém sabe
o que será.

Inútil você resistir
ou mesmo suicidar-se.
Não se mate, oh não se mate,
reserve-se todo para
as bodas que ninguém sabe
quando virão,
se é que virão.

O amor, Carlos, você telúrico,
a noite passou em você,
e os recalques se sublimando,
lá dentro um barulho inefável,
rezas,
vitrolas,
santos que se persignam,
anúncios do melhor sabão,
barulho que ninguém sabe
de quê, praquê.

Entretanto você caminha
melancólico e vertical.
Você é a palmeira, você é o grito
que ninguém ouviu no teatro
e as luzes todas se apagam.
O amor no escuro, não, no claro,
é sempre triste, meu filho, Carlos,
mas não diga nada a ninguém,
ninguém sabe nem saberá.

Não se mate ~ Carlos Drummond de Andrade


Mas Carlos, você não sabe o quanto é difícil prá mim.




Já sabendo que possívelmente não vou conseguir tão cedo.

12 de agosto de 2009

Desencanto

E subitamente me dou conta do óbvio: é muito fácil saber de mim sem que prá isso seja necessário vir até mim de fato. Entre uma rede social e outra, está tudo aí prá quem quiser saber. E o que deveria então ser um aproximador na verdade afasta, pois para alguns só isso já é o bastante. Eu tenho notado, ultimamente alguns já não vão além, não mais. Agora se dão por satisfeitos com isso e apenas isso. Bom, quem sabe para eles seja o suficiente, mas não para mim. Me ressente notar que a minha falta não é sentida ou reclamada, contanto que tenham um "atualizador diário" dos meu assuntos. Não me parece justo, enquanto eu, enquanto o que eu recebo em troca é bem pouco. Enquanto eu sempre fico ali, waiting for. Writing for. Se essa estrada já não é mais uma via de mão dupla, quem sabe seja o momento de mudar de direção. Alterar o rumo da estrada, então.



11 de agosto de 2009

E quando chega o fim do dia

Sempre tem um dia da semana em que me canso mais do que o usual no meu trabalho. Geralmente é na segunda-feira, quando apesar de estar revigorada pelo descanso de dois dias, tudo parece ser ainda mais cansativo. Trabalhar com contabilidade tem um lado ainda mais exaustivo do que o de saber leis, aliquotas, tabelas. A gente tem que lidar com pessoas, com o dinheiro delas, e isso é tão trabalhoso quanto delicado. Requer tato, paciência e uma boa dose de bom humor, de boa vontade. Como minha chefe diz, a gente tem que ser meio psicólogo, escutar toooda a história da pessoa, contornar situações, tomar conhecimento de detalhes que seria preferível nem saber. E me cansa.

Não bastasse a minha timidez acachapante, eu não sou assim uma flor de pessoa. Não tenho paciência, não gosto de conversar. Gosto de fazer meu trabalho quieta e odeio que me tirem do que estou fazendo para resolver "pepino" dos outros. Mas é claro, "resolver pepino" é uma das bases da minha profissão. Criar e resolver pepinos, algum engraçadinho poderia dizer.

A primeira quinzena do mês é sempre a mais hardcore, é quando tenho que fazer o cálculo dos impostos das várias empresas das quais sou responsável. E sempre correndo contra o tempo. E nisso sempre atrasa uma coisa ou outra e nisso sempre tem alguém pedindo coisas, insistindo, teimando. Oh, meu deus. Dá vontade de largar tudo e sair correndo, correr até o infinito e além, prá nunca mais voltar. Chego em casa e me jogo na cama, esgotada, com o corpo doendo de tanta tensão o dia todo.

E embora para mim sentir seja uma tarefa mais exaustiva do que trabalhar, tem dias que o trabalho me exige tanto que nem me sobra forças prá sentir o que quer que seja. Hoje é um desses dias.



10 de agosto de 2009

Felicidade é o prato do dia

Não dá prá acreditar nesse frio, ainda mais depois do calor todo de sábado. Com preguiça de sair das cobertas de manhã, inventei uma motivação: mandei um sms prá um amigo que há muito não via, convidando ele prá comer um subway comigo depois do trabalho.

E o dia todo passou devagar, enquanto eu esperava uma resposta. Dos vários sms que mandei durante o dia não tive retorno de nenhum. Acho que é meu celular que tá com problema... A desculpa que faltava prá mim comprar outro. Namoro na vitrine, é tão dificil escolher.... Amanhã decido.

No fim da tarde, meu amigo me liga: vamos, vamos sim! Um sorriso gigante no meu rosto, de saber que ainda se importam. Alguns ainda se importam, afinal. Peço uma carona prá uma colega do trampo [yes man de tudo] e em dez minutos tô no shopping. Passeio pelas lojas enquanto espero. Acho um Pulp Fiction por $12,90. Só pode ser uma indireta de Deus. Ou de Rusvaldy Filho, meu protetor. Compro, feliz da vida.

Meu amigo chega. Conversamos, rimos um monte entre dentadas de sanduiche e depois colheradas de sorvete de bolinha. E é como se nunca tivessemos nos distanciado. Chego em casa explodindo de felicidade e coca-cola, certa de estar no caminho certo. Mais um dia feliz.



9 de agosto de 2009

Tarantino num roupão de flanela

Fui recebida no bar por um sorriso gigante e meia dúzia de sorrisos discretos. Usando toda a cara de pau que eu não tenho mas Yes Man me ensinou, sentei numa mesa com umas dez pessoas, das quais eu só conhecia vagamente uma. Que em dez minutos levantou dali pegar cerveja e nunca mais voltou. Comecei a me divertir imaginando que eu era o fake da mesa. Tipo um jogo: qual figura não pertence à este grupo? Para que não descobrissem meu disfarce, comecei a conversar com todos e então já era dificil dizer que eu não pertencia a ele. E era bom ganhar o jogo.

Quando a banda subiu no palco, pedi licença aos meus novos amigos e fui ver. Ao fundo passava Pulp Fiction "na tevê", então você pode ter uma idéia. E eu pensava: Preciso ver Pulp Fiction de novo! E pensava, logo em seguida: Mas eu já vi Pulp Fiction tantas vezes! Sentimentos conflitantes são a base de um bom show de Rock e esta banda que estava no palco é uma das melhores.

Dancei até cansar, bebi mais do que devia, encontrei velhas amigas e uma que eu tinha conhecido naquele dia mesmo, via twitter. Foi uma das noites mais divertidas da minha vida e vi que ser feliz é realmente muito fácil, sobretudo num sábado à noite. Em nenhum momento fiquei sozinha ou triste. Agora que inventei esse jogo, não quero mais nenhum outro. Sábado que vem tô lá de novo.





8 de agosto de 2009

I bet that you look good on the dancefloor

Depois de uma madrugada feliz by myself, assistindo Hassum na TV, comendo chocolate e lendo uma preciosidade do Luís Fernando Veríssimo que achei por inacreditáveis $5 no sebo, durmo contente, sem dor alguma.

Acordo feliz.

E feliz passo o velho esmalte vermelho nas unhas e decido ir sozinha num bar, ver show de uma banda que amo. Eu não lembro da última vez que fiz isso. Tanto pintar as unhas quanto sair sozinha na noite. É preciso um pouco de coragem para as duas coisas, mas ainda mais para a segunda.

E não é que eu tenha tanta coragem assim, eu só ando meio cansada do meu silêncio. E de esperar os outros fazerem as coisas por mim. De depender dos outros, enfim. Pelo o que eu me lembro, sair sozinha não deve ser tão dificil assim. Ainda mais se a gente está munida daquela misteriosa e inexplicável vontade de ser feliz, acima de qualquer coisa.

Aposto que a noite vai ser boa.



7 de agosto de 2009

Eu não tô aqui prá sofrer

Hey, mas que dia contente, e olha que nem aconteceu nada. Quase nada. É sempre aquele ciclo: triste -> com raiva -> pouco ligando e feliz.

Agora, pouco ligando. E feliz.

Essa semana me passaram um vídeo do Costello, da nova turnê dele. Já devo ter visto um milhão de vezes. Adoro os minutos iniciais, quando ele canta Sulphor To Sugarcane e faz carinha de quem tá gostando demais ao cantar o verso:

Everywhere I travel the pretty girls call my name

Boto uma fé que esse versinho aew é piadinha interna do Costello com o blog aqui, hein?

Q Q 6 ASH?

Atóron.

No mais é tentar manter esse sorriso no rosto e tentar ser mais otimista. Que tem dias que até eu canso da minha casmurrice, que dirá vocês.

Essa tristeza toda é só uma fase, diz um amigo.

Tamoaew na atividadsh.

6 de agosto de 2009

Quase uma ministra

Fazendo tudo errado, passando vergonha. E sem conseguir o que quer, no final. Quis inventar algo novo. Até que era engraçadinho, mas não era bom o suficiente. Vai embora levando um "não" novinho no bolso.

Onde antes tinha um raio de Sol.


5 de agosto de 2009

Da grandeza dos pequenos gestos

A maré de desamor pára, congela e se interrompe momentaneamente quando, ao chegar em casa, me deparo com um envelope pequeno, bege e delicado, endereçado a mim.

Ao ler o nome do remetente, não acredito. Abro o envelope na medida da minha pressa de ler o conteúdo e com o infinito cuidado de não estragar um centímetro sequer daquele envelope que já me é tão caro.

Dentro, um cartão. Que se desdobra em partes, cuja narrativa é auxiliada por flechas indicativas, que me dão o caminho. Leio e desabo.

Desabo o choro contido há dias, que não me permiti chorar na noite de sábado, quando o meu amor desistiu de mim. Choro por tudo o que quero e nunca poderei ter. Choro de surpresa, aquela surpresa genuína de quem se sabe sozinho e de repente descobre alguém ao seu lado.

Me perco nesse tempo, o cartão na mão e as mãos no rosto, ainda tenho o cuidado de não manchá-lo com minhas lágrimas. Minha mãe corre ver, tira o cartão das minhas mãos.

- É notícia ruim? O que aconteceu?

Entre soluços explico. É um amigo que lembrou de mim. Ela lê.

- Olha, que lindo, que coisa mais chique. Olha como você é amada.

É a senha para que eu chore mais ainda, os ombros tensos de tanto pensar agora desabam junto comigo. Quando finalmente consigo parar de chorar me sinto exausta, cansada, moída. Quero só deitar esquecer de tudo. E não. Quero abraçar quem me mandou o cartão, quero lhe contar da importância do gesto dele e de como ele veio ao meu encontro justo quando eu mais precisava dele.

Mas, desesperadamente, quero acima de tudo dizer para o meu amor que ainda o amo. Mas eu não sei se devo ou se posso ou se seria o certo. Da grandeza dos pequenos gestos de amor, eu nunca sei se ainda querem os meus.


4 de agosto de 2009

As leves asas do amor

Quando estava no colégio namorei um cara extremamente inteligente e culto, que era apaixonado por teatro e arte em geral. Além de ter feito eu me sentir especial por alguns meses por ter me escolhido entre tantas [ele era muito paquerado] o que mais tenho a agradece-lo é por ele ter me mostrado Shakespeare. Até então eu não conhecia nada de Shakespeare além de citações, mas depois em menos de um ano eu já tinha lido toda a sua obra.

De cara gostei muito mais das tragédias. Achei as comédias datadas e os poemas rebuscados demais, na minha mentalidadezinha de 16 anos. Li toda a obra de Shakespeare em uma mesma coleção, que trazia inúmeras notas do tradutor no rodapé. Isso me ajudou muito a entender o contexto histórico das tramas, as ironias utilizadas pelo autor e seu processo de criação, contribuindo assim para que eu me apaixonasse de verdade pelas histórias. Até hoje acho que se tivesse lido uma versão crua, sem contextualização, não teria gostado tanto.

Sempre releio Macbeth, minha peça favorita, mas é de Romeu & Julieta a minha citação predileta de Shakespeare. Não é das mais famosas, mas é a que mais amo e que sempre guardo comigo, que me veem à memória sempre, especialmente em momentos como estes de agora. E é Romeu quem diz o que, para mim, é o que há de mais bonito na obra de Shakespeare:

Com as leves asas do amor transpus estes muros, pois os limites de pedra não servem de empecilho para o amor. E o que o amor pode fazer, o amor ousa tentar.

E sempre achei que isso fosse o bastante para o amor: poder fazer e ousar tentar. Mas hoje me dou conta de que talvez seja preciso um pouco mais. Só poder e ousar já não basta, é preciso um pouco mais para as coisas darem certo e durarem. Quem sabe um terceiro fator, que desconheço qual seja. Ou quem sabe o amor que tive é que não foi forte o suficiente até agora, para transpor os vários muros que se apresentaram e o fizeram morrer, desistir ou acabar.

A questão que permanece, tão sólida quanto a obra de Shakespeare, é se um dia conseguirei encontrar um amor assim, de asas leves, capaz de transpor todo e qualquer impecilho. Isso, é claro, acreditando-se que isso exista e que não seja apenas fruto da imaginação dadivosa de um inglês muito talentoso e romântico. Pois, nunca se esqueça, Romeu & Julieta é antes de tudo uma ficção.



3 de agosto de 2009

But walking in a straight line

Wake me up lower the fever
Walking in a straight line
Set me on fire in the evening
Everything will be fine
Waking up strong in the morning
Walking in a straight line
Lately I'm a desperate believer
But walking in a straight line

~ Silverchair


A despeito de todos os tombos e decepções, ainda consigo seguir em frente. Milagrosamente eu consigo. Hoje foi um dia muito bom, voltei de férias do trabalho e fui recebida calorosamente por todos, até por alguns clientes que disseram sentir minha falta. Me deixa feliz pensar que se consigo despertar o afeto alheio em meio ao campo de batalha que é uma contabilidade quem sabe eu não seja tão ruim assim.

Um amigo muito querido me disse que eu sou uma pessoa muito forte e corajosa e ele disse isso enquanto eu chorava, o que de começo me causou um pouco de espanto. Depois entendi, acho que ele quis dizer que eu consigo ver as coisas com clareza até quando estou perdendo. Pois mesmo sofrendo eu sempre tento racionalizar o que eu sinto, entender, ver algum sentido. Isso me faz mais forte mesmo. Achava que racionalizar fosse covardia, que fosse um jeito frio de lidar com o sofrimento, mas agora vejo que é uma prova de força. Posso errar um milhão de vezes, mas em todas eu me mantive atenta. Minha intenção era acertar e eu sabia o que estava fazendo. Depois, se não deu certo... Oras, pelo menos eu tentei.

E sigo tentando. Posso desistir de algumas coisas, mas não ainda desisti de mim.


2 de agosto de 2009

Sobre todas as coisas

Why can't a woman be just what she seems?
Must she be tarnished by men who can only be men in their dreams?
When beauty meets ignorance they shout in the street
Repeating their offer to each girl they meet

The respect that she needs, it isn't a gift
But it gets hard to lift yourself up
When you don't have the strength to begin with
Why can't a woman stand alone?

[Why Can't A Man Stand Alone? - Elvis Costello]


Eu sinto que vai chegar uma hora em que eu vou me cansar disso aqui. Não de escrever ou de me sentir deste ou daquele modo. Vou cansar de ter que me explicar depois. De ter que traduzir, explicar e justificar. Pedir desculpas, prometer mudar.

Eu vou cansar.

Como se todos vocês não se sentissem assim, também. Como se não chorassem escondido, trancados no banheiro da empresa ou no silêncio ensurdecedor das madrugadas solitárias [ainda que acompanhados].

Como se não fossem todos iguais a mim. Quem sabe é por isso que incomodo tanto. Que querem me consertar.

Eu não sou nem mais feliz nem mais triste do que qualquer outra pessoa no mundo. Só tenho a coragem de dizer o que sinto, todos os dias. Mas o fato de eu me expôr assim não lhe dá o direito de me ofender, de abusar da minha boa vontade e da minha honestidade. Por que não escrevo prá você nem por você. Escrevo prá mim e por mim. Escritora não chora, coa. Você já deveria saber.

Um passinho prá trás, por favor, a moça quer passar.

Esmurrando palavras, coando lágrimas e transformando em textos, madrugada a dentro.

E não vão me deter.


1 de agosto de 2009

Nau à deriva. No asfalto ou em alto mar.

Penso que deve ser bom morar perto do mar. Não só passar férias ou ir prá lá a cada trimestre. Morar mesmo, desde pequeno, sem saber que existe outra opção. Vendo fotos, eu fico imaginando.

Se eu seria mais triste ou mais feliz morando perto do mar. Da mesma forma que eu fico pensando se sou mais triste ou mais feliz por ter ouvido tanta música pop durante a minha vida. A influência das escolhas que fazemos sempre foi um tema que me intrigou muito. E nas aulas de filosofia aquela velha questão sempre me fascinou: O que pesa mais no pêndulo: a genética ou o ambiente? E se eu tivesse nascido em outro lugar, se tivesse sido criada por outras pessoas que não as da minha família, eu seria diferente? Muito diferente? Quanto?

Aqui é só concreto e calor, a despeito das borbulhantes e premiadas Cataratas. Eu não reclamo, nunca fui muito de natureza e acampamentos e praias e pesque-pagues da vida. Mas, se morasse perto do mar, provavelmente seria diferente. Eu seria diferente, de alguma forma.

O meu jeito de pensar.

Ou então não. O mar não tem nada a ver com isso ou então o mar só aumentaria a minha melancolia e o meu derrotismo.

Eu vejo as fotos. Fico imaginando.