Tem algumas coisas sobre as quais eu evito escrever. Certas situações e sentimentos, que me incomodam e me magoam, por exemplo. Por que escrever sobre eles é torná-los reais, eternos, palpáveis. Não gosto, prefiro fingir que não existem, mas vez ou outra essas situações e sentimentos aparecem e de forma tão intensa que eu não consigo deixar passar batido.
Como quando você promete, jura por Deus, que nunca mais vai fazer tal coisa. E vai lá e faz, na primeira oportunidade que aparece. O problema comigo é que eu sou absurdamente, ofensivamente sincera. E quando bebo, fico valentemente sincera. De certa forma, sempre penso que se estou dizendo uma verdade, a pessoa não vai se ofender, por que a minha intenção é boa. Por mais que seja uma coisa que vá magoar essa pessoa. Invariavelmente me estrepo por pensar assim. Mas eu me estrepo ainda mais quando encontro gente que pensa como eu. Talvez nem ele saiba disso, mas ele age exatamente igual a mim, nesse sentido.
E então temos eu, fazendo algo que já jurei um milhão de vezes nunca mais fazer e temos esse cara dizendo verdades inegáveis e dolorosas na minha cara, fazendo eu me arrepender amargamente ter sequer olhado para ele.
Como em
American Pie, naquela cena em que a corista diz:
-
Eu me arrependo do dia em que pus os olhos em você!E sai correndo chorando e todo mundo ri. Bem assim. Menos a parte de todo mundo rindo, na verdade só a parte de chorar, por que eu não corri, fiquei sentada ouvindo.
E eu vejo que ele não está falando por mal, que a intenção dele é boa. É só essa verdade que é ruim demais, mesmo. Sendo assim, não posso nem ficar magoada, por que estaria me contradizendo, não é mesmo? Então fica assim mesmo. Me faz chorar e eu ainda dou razão a ele.
Mas é aí que entra o lado bom da minha psicologia de farmácia, por que apartir do momento em que me dou conta de que por mais que me magoe, o que ele está falando é verdade e ele não está falando por mal eu consigo parar de chorar e ainda por cima rir disso tudo. E mandar ele se foder e sair de perto de mim. Coisa que ele não faz, mas aí quem tá se contradizendo é ele. Azar.
Mas o mais importante é que assim consigo ver mais um motivo para jurar nunca mais fazer isso de novo. Espero lembrar disso, da próxima vez.
