Elvis Costello Gritou Meu Nome

Tati Lopatiukinfo
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São Paulo - SP Blocker e eventualmente jammer na Ladies Of HellTown Escritora e web redatora 28 anos Colecionadora de gatos

A história de uma garota que decidiu ser feliz pra sempre.

31 de julho de 2009

Upside down

Mas que coisa esquisita é se sentir assim. Defendo tanto meu jeito de ver o mundo e por ser tão meu ele é também tão frágil, pois qualquer passo em falso já me faz questionar se estou certa ou não. E então já não tenho muito em que me apoiar, já que sempre tenho apenas a mim mesma.

A vista é boa, o caminho é bonito. A estrada é tortuosa e eu tô andando do jeito errado. Ainda assim eu gosto.

Só queria ter mais certezas.


30 de julho de 2009

See you in my dreams

Tarde da noite, desligo a luz do quarto. Vou tateando no escuro, até achar minha cama. Acho, me enfio embaixo das cobertas e ele me abraça, me envolve com seu calor. Enrosca seus pés nos meus e diz no meu ouvindo, encostando seus lábios na minha nuca:

- Eu sou real, tá vendo? Eu tô aqui, eu amo você.

Ficamos em silêncio. Ele passa o braço pelo meu peito e me puxa prá mais perto. Seguro sua mão e a beijo. Dormimos.


Acordo sozinha e triste, de um jeito feliz.

29 de julho de 2009

Eu sou Ibiza.

Se a minha felicidade mora em receber o afeto alheio. Okay.

E então dizem que a gente tem que achar a felicidade dentro de si, e não nos outros. Okay, turn over.

E então dizem que não se pode ser feliz sozinho. WHAT?

Ou seja: não dependa dos outros para ser feliz. Mas, não seja egoista. Não se isole.

Dá prá entender a esquizofrênia dos conselhos que nos dão, no decorrer da nossa vida e das nossas crises emocionais?

Eu procuro achar um meio termo e só encontro mais confusão. Ou eu sou a cuzona que não sai e não conversa com ninguém ou eu sou a chata grudenta mandando sms na madrugada para amigos que precisam dormir. Vou ao extremo dos conselhos, acreditando que viver de extremos é fazer o certo. E não é.

Mas nada nunca é, então eu deveria estar no caminho certo, hum?

E não.

De todos os conflitos que eu mesmo invento e todas as manhas e birras que fazem de mim essa pessoa tão chata e peculiar. De todo amor que eu tenho e me parece injusto não ter ninguém para abraçá-lo.

Desisto e já não quero que me amem.

Turn over again, me pego chorando, pedindo desesperadamente que gostem de mim.


28 de julho de 2009

Em dias como hoje.

Dos sentimentos mais sinceros e doloridos que tenho, dos que não se confessa nem a si mesmo, um tem me machucado muito ultimamente.

Sempre se tenta bancar a durona. Oras, eu não ligo. Não quero, não preciso. Está tudo bem. Mas nem sempre eu consigo ser assim o tempo todo. E muitas vezes nem é preciso ter pedaços meus pelo chão para que eu deseje que alguém me pegue no colo, me conforte, me conserte.

Um pequeno deslize e toda a força se vai.

Era isso, é isso então. Queria que alguém me pegasse no colo. Cuidasse de mim. Eu tenho tantos sonhos e tantas expectativas... O coração cheio e ainda me sinto vazia. Sei do amor e do carinho dos amigos distantes. Sei do amor calado e compreensivo dos meus pais e do meu irmão. Mas eu me sinto tão só, tão dolorosamente só. Em dias como hoje.

Quando tudo o que eu queria parece estar tão longe do meu alcançe, moendo a esperança que trago no peito.

Em dias como hoje.


27 de julho de 2009

Sneaky feelings

Now everybody's breakin' up somebody else's home,
before somebody else starts breaking up their own.

I get you in my dreams. You should hear the things you say.
It's not that it's so much fun, but it's safer that way.
Sneaky feeling, sneaky feelings,
you can't let those kind of feeling show.
I'd like to get right through the way I feel for you,
but I've still got a long way to go.
~ Elvis Costello

Filmes ruins, conversas tensas. Uma foto, na madrugada. Mando ou não? Desligo o celular e me recuso a atender, ele diz que não posso fazer isso. Meu conceito de "aproveitar a vida" sempre foi meio obtuso, mesmo.

Ligo o som o mais alto possível, canto a plenos pulmões todas as verdades cortantes de My Aim Is True. Daí faz de conta que eu era a cantora.

Depois, dá calor.

Queimo meus dedos fazendo brigadeiro. Tive a brilhante idéia de acreditar na Ana Maria Braga e fazer uma receita dela de brigadeiro de microondas. Explodiu tudo, tudo! Corri pegar a vasilha, queimei meus dedos. Mas ficou uma delícia.

Agora chove um absurdo. Eu tô sozinha em casa e Elvis Costello canta I'm Not Angry! só prá te mostrar que sou sincera. Pinto as unhas.

Coloco roupas malucas, fico meia hora penteando o cabelo, demoradamente. Ando com o gato no ombro pela casa. Se o deixo no chão, ele me segue por toda parte.

Durmo. Sonho com o menino que eu gosto.

É bom estar de férias.


26 de julho de 2009

Esse silêncio todo me atordoa

Como é difícil acordar calado, se na calada da noite eu me dano. Quero lançar um grito desumano, que é uma maneira de ser escutado. Esse silêncio todo me atordoa. Atordoado eu permaneço atento.
~ Chico Buarque.

Amizade é mais que amor. Tanto no ciúme quanto na devoção. Crio intrigas imaginárias e faço do meu silêncio a minha demonstração de mágoa. Fico triste contigo e você nem sabe. E nem sabendo, um belo dia volta sua atenção prá mim, como se nada tivesse acontecido. Nada aconteceu, te recebo com a alegria canina de quem ama sem exigir nada em troca. Já que no meu silêncio, não exigi nada e você voltou prá mim sem que eu pedisse.

Você voltou prá mim.

É engraçado ser assim. Manipular as pessoas só com a força do pensamento. Acreditar que manipula, então. Não faço nada, só quero você comigo. Faço pouco, quero você prá sempre.

Sinto ciúme, me mordo e me calo. Faço coisas para te agradar.

Amizade é quase amor.

E me confunde.


25 de julho de 2009

Chutando cachorro morto

Mau-humor de acordar cedo, de não estar com quem eu quero, de estar sozinha. A violência vazia dos filmes de Guy Ritche não vão adiantar, também. Frio, preguiça e saudade mandam toda a minha determinação pelo ralo e lá vou eu ficar embaixo das cobertas o dia todo. Num àtimo decido sair, só para me sentir pior e voltar correndo prá minha cama. Dor de cabeça. Hoje eu mordo.

Dizendo não quando deveria dizer sim. Dizendo sim e se arrependendo depois. Calma, uma hora isso passa. Não é sempre assim. É o inverno que faz isso comigo. Eu acho.



24 de julho de 2009

And start new when your heart is an empty room

Burn it down till the embers smoke on the ground
And start new when your heart is an empty room
With walls of the deepest blue
~ Death Cab For Cutie

Esses dias sozinha tem sido muito bons. Assistindo dezenas de filmes, lendo minhas revistas e meus livros, saindo passear e tirar fotos à tarde. Parece que voltei à minha vida de uns 6 anos atrás. E me lembro que eu era bem feliz naquela época. Então, parece certo.

Fall fades how it ages when you're away
Spring blooms and you find the love that's true
But you don't know what now to do
Cause the chase is all you know
And she stopped running months ago

Na solidão do meu quarto, na madrugada vazia entre um filme outro foi que me dei conta de que talvez seja isso mesmo. Talvez seja necessário chegar até o fim do poço prá poder voltar. Se decepcionar tanto com alguém a ponto de não acreditar mais no amor, para então, depois de um tempo, voltar a acreditar de novo. Bom, quem sabe eu nunca tenha deixado de acreditar, de fato. Mas tinha medo. Agora já não tenho medo mais, pelo menos não tanto.

And all you see is where else you could be
When you're at home and out on the street
Are so many possibilities to not be alone

Agora, sabendo que posso cair mil vezes e que conseguirei levantar de novo, parece que já não importa tanto. Se eu acredito ou não. Se vai acontecer ou não. Eu tenho os meus sonhos, tenho meu amor aqui dentro de mim. Todo o resto não depende totalmente de mim. Num piscar de olhos tudo mudou, tudo ficou mais bonito e mais claro. Abri a porta do meu quarto e saí. E tudo estava lindo lá fora, tão lindo como costumava ser, antes de eu ter me fechado e me negado a ver.

The flames and smoke climbed out of every window
And disappeared with everything that you held dear
And you shed not a single tear for the things that you didn't need
Cause you knew you were finally free




E mesmo na solidão da minha felicidade, ainda cabe alguém. E nuvens já não são mais sinônimo de melancolia. Não mais.

23 de julho de 2009

Am I... will I be Al Pacino in this scenario?

Girls are taught a lot of stuff growing up: if a guy punches you he likes you, never try to trim your own bangs and someday you will meet a wonderful guy and get your very own happy ending. Every movie we see, every story we're told implores us to wait for it, the third act twist, the unexpected declaration of love, the exception to the rule. But sometimes we're so focused on finding our happy ending we don't learn how to read the signs. How to tell from the ones who want us and the ones who don't, the ones who will stay and the ones who will leave. And maybe a happy ending doesn't include a guy, maybe... it's you, on your own, picking up the pieces and starting over, freeing yourself up for something better in the future. Maybe the happy ending is... just... moving on. Or maybe the happy ending is this, knowing after all the unreturned phone calls, broken-hearts, through the blunders and misread signals, through all the pain and embarrassment you never gave up hope.
Do filme: He's Just Not That Into You [Ele Não Está tão A fim de Você]


Eu realmente não achei que uma comédia romântica pretensamente bestinha ía me fazer chorar e rir na mesma medida, ao mesmo tempo em que me reconhecia em praticamente todos os conflitos amorosos mostrados. A menina que se apaixona por um cara pela internet, a outra que distorce tudo o que seus pretendentes dizem, buscando acreditar que eles estão apaixonados por ela. A menina que já namora há quase uma década e o namorado não quer casar. A que é casada e ficou chata e é traída. Ele Não Está tão A fim de Você é daqueles filmes prá ver sempre, prá ver pelo menos a cada três meses, prá nunca esquecer.

E tem também aquele cara, o Alex. Na verdade, foi com ele que eu mais me identifiquei.


Gigi: I would rather be like that, then be like you.
Alex: Excuse me? What's that supposed to mean?
Gigi: I may dissect each little thing and put myself out there so much but at least that means that I still care. Oh! You've think you won because women are expendable to you. You may not get hurt or make an ass of yourself that way but you don't fall in love that way either. You have not won. You're alone. I may do a lot of stupid shit but I'm still a lot closer to love than you are.


E é por isso que eu tenho que ver esse filme sempre. Prá lembrar do que é certo e do que vale a pena.




E é por isso que eu gosto de você, por que você me faz acreditar.

22 de julho de 2009

Se eu tiver que escolher.

Entro na livraria e digo prá mim mesma: Okaaaaay, tadsh. Escolhe só um, então.

Entrar em livrarias é se perder. É esquecer de si mesmo. Diante dos livros nas estantes, oscilo doidamente entre as mais variadas vertentes literárias possíveis. Penso: vou comprar um super lançamento, desses best sellers fudidão. Escolho um. Penso. Awn, vou comprar um livro só por modinha? Não. Vou comprar então um desses livros queridões meu, desses que moldaram meu caráter, que me marcaram quando eu era uma contumaz devoradora de livros e lia dois por semana, da biblioteca munipal. Escolho um. Um clássico. Edição n. XXX, capa bonita e destruidora, feita especialmente para conquistar o leitor de hoje, que nunca o leu. Eu não preciso desses truques de sedução. Conheco esse livro de cor, costumava citar trechos dele em cartinhas para as amigas. Abro ao acaso, leio uma frase qualquer e toda a minha adolescência volta, como um soco no estômago. Meu Deus, eu não preciso disso agora. Devolvo o livro na estante. É demais prá mim.

Quem sabe então um livro diferente, que eu não tenha referência nenhuma? Escolher assim na loca, deve dar certo. Blind date bibliotecário, deve dar certo.

Ando por toda a loja procurando alguma capa que me chame atenção, um nome de autor que eu nunca tenha visto. É bonito ver como a literatura virou objeto de consumo, como tem alguns nichos de literatura que são puro modismo. Adoro isso. Por isso adoro Crepúsculo, por mais que falem que é fasfalho. Pode até ser, mas pelo menos a molecada tá lendo. Crepúsculo é só o começo. Pelo menos não tiveram que começar com José de Alencar, igual a gente.

De repente me deparo com aquele livro. Aquele, que foi tema das nossas primeiras conversas. Que você me disse que adora, que eu nem conhecia. Aquele. Sento no chão mesmo e leio um bom pedaço. Puxa, puxa vida. Bacana mesmo, como você falou. Levanto correndo ver o preço na máquina de consulta. Sou toda ansiedade. Comprar aquele livro seria ter um pedaço seu comigo. Um primeiro objeto nosso, que eu pudesse levar onde eu quisesse. Seria também admitir que você já é parte importante da minha vida, eu estaria comprando um livro só por que você falou. E teria para sempre na minha estante aquele livro, lembrando de você, do que senti por você. Será que em alguns anos eu iria folheá-lo e sentir uma punhalada no peito, como senti relendo aquele outro? A máquina de preços apita. Olho o preço. Caraleo, e tá barato ainda por cima. Volto pra estante. Sento no chão de novo. Folheio o livro. A capa lindamente laranjada traz um casal. Sentada no chão o mundo gira devagar, quase que uma volta a menos. Compro ou não compro esse livro? Deixo ou não você entrar definitivamente na minha vida?


21 de julho de 2009

Sing a song

20 de julho de 2009

Me trouxe um raio de Sol

Fui dormir muito cedo ontem e como resultado acordei no meio da madrugada. Vi então, para minha surpresa, que uma pessoa tinha me mandado um raio de Sol. Ou seja, enquanto eu dormia alguém se deu ao trabalho de tirar uma foto do Sol se pondo e me mandar. Esse gesto de delicadeza e carinho diz muito sobre essa pessoa. O fato de eu ter chorado com essa foto diz muito sobre mim, também.

Li em algum lugar que as pessoas que se dizem blasées nunca sentiram coisa alguma. Que sensibilidade não se gasta. Chorando ao receber a foto, vi que não se gasta mesmo. Aquele refrão da Ecos Falsos de que só sou sentimental quando eu me fodo realmente não se aplica aqui. Sou sentimental até quando ganho um raio de Sol, presente nunca antes ganho. Sou sentimental até quando estou feliz. E eu fiquei feliz.

Ao contrário do senso comum, eu não encaro a fantasia como um modo de fugir da realidade. Eu a encaro como um modo de interpretá-la. E embora sempre haja quem diga que a minha ótica é errada (e ela sempre é, fico impressionada!) ainda prefiro a minha ótica à dos outros. Afinal, não tem como querer que eu veja o mundo como você vê, da mesma maneira que você não pode viver a minha vida por mim. O conceito de "certo" e "errado" é muito subjetivo e relativo quando se trata do modo de sentir que cada um tem.

Sendo assim, posso até estar errada no seu conceito mas, no fim das contas vale a pena. Quem mais aqui tem o privilégio de ver o Sol brilhar e te aquecer em plena madrugada?

Em vista da dura realidade que você insiste em jogar na minha cara, eu tenho que admitir: são tempos dificeis para nós, os sonhadores. Mas isso não me faz desistir. Não mesmo.





Não vou publicar aqui a tal foto por que ela agora pertence só a mim e a quem me mandou. E isso diz muito sobre nós dois.

19 de julho de 2009

Me traz um raio de Sol.

Minha vida num quadro de Gustave Caillebotte, minha vida em músicas que eu nem lembrava mais que existiam e agora fazem todo o sentido do mundo. Minha vida em ponte aéreas imaginárias e em beijos que eu nunca imaginei mas agora quero tanto.

Tentei organizar ontem uma caravana prá qualquer lugar que fosse. Não deu em nada, fiquei só. But not at all. E então, foi melhor ter ficado em casa. Ainda mais sabendo que o mundo lá fora não tá bolinho. Você me diz que mesmo assim eu tenho que enfrentá-lo, mas não me dá sua mão quando te peço para vir comigo. Deve ser mesmo o jeito certo, não há outra maneira de fazer isso sem ser de frente e sozinha. Entendi, entendi o recado.

Eu tenho uma alegria dentro de mim que se eu penso demais vira tristeza. Um sonho bem bonito, que se eu olho pelo aspecto prático, me faz chorar. Ainda assim, levo comigo esse sonho no bolso, quase um ano já. Um dia a gente consegue, não é? Não desistam de mim, todos vocês. Não me esquecam, não deixem de me gostar.

Um dia eu consigo, entende? Um dia eu consigo e vou.




18 de julho de 2009

Oh c'mon, let me know!

Me parece que o que tenho já não me serve, então eu me esquivo de encarar de frente as coisas e me esquivo de tomar decisões. Mas só me parece, não sei ao certo. Pergunto aos meus amigos. O que eu faço, o que eu faço, o que eu faço? Como já disse, prefiro que decidam por mim e o que decidirem, tá jóia.

Enquanto fico nessa de Should I stay or should I go, o mundo gira e as decisões são tomadas. Mas não muda a sensação que tenho, agora. De que algo está errado, algo está faltando, algo não se encaixa. Depois dessa semana, alguns conceitos mudaram.





Parei de chorar e comecei a pensar.

17 de julho de 2009

Depois da queda, o coice.

Há quem diga que gosta é do estrago. Eu não gosto. Gosto é de ficar no meu canto quieta, extraindo da vida o mínimo possível, deixando ela passar sem que eu me arranhe. Lido com a minha vida como lido com algum cachorro bravo que cruze o meu caminho: passo devagar, finjo que não ligo, não quero que ele me note e me morda.

Mas tem horas em que não se pode fugir. Me armo de coragem, filosofia yes man no bolso, algumas cervejas e vou. Potencializada pela banda que está tocando no bar, minha vida pulsa, me morde e me arranha sem que eu de fato estivesse pedindo por isso. E sem que eu possa evitar, o estrago está feito.

Bater de frente com inimizades, encontrar velhos amores, me surpreender com demonstrações de orgulho ferido, encontrar velhos amigos e fazer novas amizades na fila do banheiro. Tudo isso em uma noite em que eu poderia ter ficado em casa. Poderia. Deveria. Se tivesse ficado, meu universo estaria exatamente o mesmo de ontem. Mas eu quis sair. Mesmo morrendo de medo da vida me morder, eu quis, e agora diante da ferida aberta o que eu sinto é uma vontade de gritar, de chorar, mas a minha voz sai pequena, moída, do fundo do peito.

Como se fosse muita, muita coisa prá uma noite só. E foi. Entre uma música e outra eu olhava pro chão, temendo olhar pros lados. Por que prá onde quer que eu olhasse havia um ponto da minha vida clamando por uma solução, um aval, um pouco de afeto. É possível que se alguém encostasse em mim naquele momento eu me partisse em mil pedaços pelo chão. Me agarrei então às canções, parei de olhar pros lados. O poder do rock: lavar a alma, exorcisar fantasmas do passado, me esconder. Me escondi ali nas músicas que a banda tocava, como quem se cobre até a cabeça com a coberta, esperando a tempestade passar.

Depois, não esperava por aquele silêncio magoado na volta prá casa. Nem esperava as evasivas, nem esperava que a nossa música não fosse mais tocar. Daí então o silêncio não era completo. Não mesmo. Havia um barulho sim. Barulho de algo se quebrando. Minhas deduções estavam erradas, não foi preciso nem que alguém me encostasse.


16 de julho de 2009

Hoje só amanhã




Fui curtir um roque, a Dr. Roque, e já volto!

15 de julho de 2009

E eu ainda te espero chegar.

Não telefone, não mande cartas
Não mande alguém me avisar
Não vá prá longe, não me desaponte
O amor não sabe esperar

~ Paralamas do Sucesso e Marisa Monte


Entro no carro, meu coração é só ansiedade e timidez. Ele não me dá oi. Me cobre de beijos e aumenta o som. Diz que essa é a nossa música e embora eu faça charminho e diga que não sei de nada, não posso negar que a letra dela é toda sobre nós. Fala sobre estar longe de alguém e estar sempre à sua espera, ainda que ladinamente, ainda que sem contato algum. Sem cobrança alguma. É o mais perto de amor que eu tenho e o máximo que me permito, quem sabe por isso tem dado certo há tanto tempo.

Dos meses que passamos longe ele não fala muito, concordamos que são sempre as mesmas histórias e ocupamos o nosso tempo de agora com assuntos tão randômicos quanto rasos, qualquer coisa que nos faça rir e teorizar vagamente sobre já serve. E há o problema de nós dois termos risadas totalmente espalhafatosas, atraindo olhares curiosos mas compreensivos e compreensíveis do resto das pessoas no bar. Hoje é terça-feira, o que eu tô fazendo num bar?? Me beijando ele diz que não, que hoje é sexta-feira, que eu estou enganada. O bar lotado me causa espanto. Hoje é terça-feira, esse pessoal não trabalha amanhã cedo, não? Me beija um pouco mais e com seu sorriso simplesmente destruidor me diz novamente que estou errada, que hoje é sexta-feira. Na minha cabeça, começa a fazer sentido. Somente uma sexta-feira imaginária me tiraria de casa em plena terça, meio da semana, frio acachapante, cansaço já de uma semana toda que nem bem começou. Só um sexta-feira imaginária e esse cara.

Não me lembrava dele ser tão bonito. Não me lembrava de ser tão bom, de ser tão fácil me permitir ser feliz.


14 de julho de 2009

As aventuras de Arturzinho - Parte I

A caminho de casa, andando rapidinho com o Arturzinho no colo.

Tatdsh: - Artur, vamô rápido que eu tô quase fazendo xixi nas calças!
Artur [horrorizado]: - Não pode fazer nas calças!!!
Tadsh [aproveitando prá ensinar] : - É, né? Tem que fazer no banheiro, né? ^_^
Artur [é aí que entra o aprendizado] : - Ou na fralda!


A caminho do Shopping, dentro do ônibus ele vira pra moça do banco de trás e dispara:

Artur: - Meu nome é Artúi e eu vô no shopping!
Moça: - No shopping, aquele lugar horroso!
Artur [horrorizado²] : - Você tá loca! O shopping é a coisa mais linda, uma delícia. Prá comer batata. Hot Whells. Coisa mais linda. Você tá loca!!!!!

Naquele dia, ninguém foi prá casa sem aprender uma lição.


13 de julho de 2009

A vida além do cobertor

Não bastasse o frio insuportável, acordar parece especialmente doloroso em dias como hoje, em que os sonhos que tive me fazem não querer acordar nunca mais, de forma alguma. Dormindo, sonho com amigos e amores que há tempos não vejo e possívelmente não verei mais, me vejo em situações absurdas mas com um fundo de verdade, sinto saudades que não admitiria quando acordada. Mas tenho que acordar.

Acordo e os sonhos são outros. Daydreamer profissional que sou, aos poucos, ainda debaixo das cobertas, comparo os sonhos que tive com os sonhos que tenho, na vida real. Analiso, avalio, pondero. Suavemente os sonhos todos dão lugar à realidade e, enquanto ainda não sei ao certo o que prefiro, o despertador me chama novamente, avisando que já passou da hora de levantar.

O chuveiro quente, resisto em sair do banho. E começo a achar graça dos sonhos que tive. Quem vive de passado é museu, quem vive de passado é biblioteca, quem vive de passado... sou eu? Não. Jogo aqueles sonhos fora como quem desliga bruscamente o chuveiro e corta a redoma de calor que lhe aquece. Desligo o chuveiro, então.

Já vestida, incontáveis blusas, casacos e cachecóis, enfrento o frio lá fora e o começo do que será minha última semana completa de trabalho, antes das merecidas férias. Nos meus ouvidos, perdido em meio aos outros versos da canção, Jammes Hetfield grita Take my hand, we're off to never never land. Seguro na mão dele e vou. Não há mais espaço para o passado aqui, em vista dos sonhos que tenho hoje, com os olhos abertos, que me parecem tão mais atraentes, tão mais perfeitos, tão mais confortáveis do que os que tenho com os olhos fechados. Encaro então a minha vida de olhos bem abertos e vou.


12 de julho de 2009

Adeus você

Porque será que a gente vive chorando os amigos mortos e não agüenta os que continuam vivos?
~ Mário Quintana

Queria ter coragem de romper, de dizer adeus. Queria ter alguma certeza. Queria não arriscar. Queria parar de ficar colecionando mágoas e juntando migalhas de atenção. Mas eu não estou bem certa se estou sendo justa, sendo o coração aquela velha máquina de distorcer os fatos e torná-los cabíveis com o que quero sentir no momento. Se estou feliz contigo, você sempre me amou. Se estou magoada contigo, você sempre foi relapsa. Aquela velha e cansada máquina que nunca sossega.

Numa rápida aula sobre arrogância me ensinam que o segredo está em primeiramente fingir que não se importa para, num estágio superior, realmente não se importar, sem nem precisar mais fingir. Falho miseravelmente, já de começo.

Fosse mesmo uma máquina, eu poderia controlar.

Mas a gente é tão bobo. Quer acreditar, dá uma segunda chance. Terceira, quarta, quinta. E espera. Espera, diz que não vai mais tentar. Tenta de novo. E não dá em nada.

A velha máquina cansada não pára, mas desiste. Escolhe um filme, folheia uma revista. Pega o celular, pensa em mandar uma mensagem mas não manda. Pensa e repensa tudo. Se coloca no lugar. Se ressente. Ensaia discursos, decide que não vai falar mais nada. Decide que vai parar. Entre tentar pela caralhésima vez entender o que está acontecendo [/e não receber nada em troca] e tentar fingir que nada está acontecendo [/e não receber nada em troca, da mesma forma] a velha máquina decide pelo caminho mais fácil: não vai fazer mais nada. Nem desistir, nem tentar.

Não vale (mais) a pena.


11 de julho de 2009

Cuidar de mim

Vê? É sempre assim. Te amo eternamente, para o resto da minha vida, nossa, uau, te amo mesmo. Mas... Vamos terminar. Te amo, mas. Mas. Sempre tem o mas. Incrível. E depois ainda nos condenam, aindam ME condenam, por não acreditar mais no amor. Uma dança das cadeiras, onde ora você é o carrasco, ora você é a vítima. Um crime sem culpados, onde não faltam vítimas machucadas espalhadas pelo chão. É. Termina a carta mandando ela cuidar de si. Eu acho graça. Sim, é isso mesmo. Tá certo. Vá cuidar de si, vá se perder em si mesmo. Não coloque nunca mais sua vida e sua felicidade na mão de alguém. Corre o risco dele devolver sua vida assim, toda destruída e de um jeito que você não sabe mais nem de que jeito consertar. Para quem gosta de amor ainda existe o cinema, a música pop, a literatura e todos aqueles casais amigos seus que parecem infinitamente felizes mas no fundo não se suportam. Fora isso, não tente mais nada. Por que. Por que no fim sempre acaba e corre o risco de ser você a juntar seus pedaços pelo chão. Ou então, ser o responsável pelo estrago todo. Não sei o que é pior. Já estive dos dois lados e não sei. Prefiro agora não saber mais.





Mais:

10 de julho de 2009

Imagination is a powerful deceiver

Imagination is a powerful deceiver
When you try to believe her just a little too much
Imagination is a powerful deceiver
I'll go out of my mind, if I'm losing your touch
~ Elvis Costello


Trocando uma ilusão por outra, vivendo de ilusão. Acreditando em elogios e gentilezas, sussurrando segredinhos em plena madrugada, escrevendo e reescrevendo bilhetinhos que acabam ficando sem ser mandados. Escrevo o nome dele num papel, escrevo com todas as grafias estilosas e infantis que consigo, me canso, desisto, guardo o papel. Faço uma nova playlist, com todas a músicas raivosas sobre amor que tenho guardadas. Escuto com atenção, tentando ensurdecer o que sinto.

Qual é o sentimento mais bonito, amor ou ilusão?

Com qual estamos lidando, no momento?


9 de julho de 2009

Um pouco mais alto, por favor

Houve [/houve?] uma vez um poeta visceral e genial, chamado Oneide Pelebróder ou Dee Diedrich, como ele preferia ser chamado. Vocalista da extinta Pelebrói Não Sei? banda que tive a felicidade de ver alguns shows, me quebrar em algumas rodas-punk e até subir ao palco para cantar [/berrar] as minhas favoritas, no verão da minha vida [/agora estamos no inverno]. É dele essa música/poesia que cito aqui, como definição perfeita do que eu sinto no momento.

Aos Farsantes Com Carinho

Muitas vezes penso em ficar sozinho
Preterir a louca companhia de vocês
Penso seguir meu caminho
Esquecer que tudo realmente aconteceu
Penso em falar bobagens
Matar a vontade que me trouxe até aqui
Choro, fico tão magoado

Faço belas frases pra depois as destruir

Muitas vezes penso em ficar na minha
Não falar mais nada ou tentar me esconder
Ficar
cantar a vizinha
Ficar na sacada e ver o sol anoitecer
Penso em falar bobagens
Matar a vontade que me faz ficar aqui
Choro, fico tão magoado

Faço belas frases pra depois as destruir

Lembra, são tantos caminhos
E tão de repente sinto falta de vocês
Sem vocês me sinto sozinho
Com vocês me sinto igual



Só isso já seria o suficiente para me deixar unhappy, mas então um amigo me indica uma banda nova e diz: Cuidado com as faixas 5 e 11, são muito tristes! Pronto. Toda a minha euforia e alegria derrubada em 15 minutos, por meia dúzia de canções. É certo isso? O que diria Rob Flemming?

Oh, boy. E relendo pela caralhésima vez Alta Fidelidade, um trecho que eu não lembrava em absoluto me faz saltar das cobertas:


Estamos tão contentes, de fato, que entre expulsar os fregueses e dar o dia por encerrado, listamos nossas cinco melhores canções de Elvis Costello (eu vou de "Alison", "Little Things", "Man Of The Time", "King Horse" e uma versão estilo Merseybeat de "Everyday I Write The Book", que tenho numa fita pirata em algum lugar, a obscuridade da última contrabalançando inteligentemente a obviedade da primeira, pensei, e assim anulo preventivamente qualquer tentativa de menosprezo por parte de Barry), e, depois do mau humor e das brigas da semana passada, é bom pensar em coisas assim novamente.


Vindo de Nick Hornby, parece até um tipo de certificado do quanto ouvir Elvis Costello pode salvar sua vida. Ou pelo menos, em alguns momentos. Sei que é questão de escolha. Quem dá o play sou eu, entre me martirizar ouvindo Death Cab For Cutie e Pelebrói Não Sei? ou saltitar ouvindo Elvis Costello ou Someone Still Loves You Boris Yeltsen. Mas ainda assim... Pois em Alta Fidelidade mesmo Nick Hornby propõe a grande Paradoxo de Tostines da nossa geração:


Somos tristes assim de tanto ouvir música pop ou ouvimos tanta música pop por que somos tristes?


Sim, sim. Quem dá o play sou eu. Impossível dizer que a culpa é de Pelebrói Não Sei?, Death Cab For Cutie ou Elvis Costello. Impossível culpar a música pop pela maneira que me sinto e que sinto por todos esses anos.

Será?

Por via das dúvidas, aumento o som e me protejo do mundo fazendo Costello gritar mais e mais o meu nome.



And I hope you are happy now.

Sim.

8 de julho de 2009

O encontro

Na hora de passar o cartão de crédito, a mocinha me sorri um sorriso gigante e diz:

- Você é Tatiani, com i no final?
- Sim, Tatiani com i no final!
- Olhaaaaaaaaaa, eu também sou Tatiani!
- Com i no final?
- Com i no final!
- Oooooooooolha! Que coisa rara!
- Somos as únicas!
- Não conheço mais nenhuma Tatiani com i, no mundo todo!
- Nem eu, não sei de mais ninguém, só você e eu!
- Ooooooooooolha!
- A gente é, tipo, raridade!
- É, a gente é tipo as únicas do mundo, eu e você!


Não fosse a fila aumentando atrás de mim, acho que ficariamos até agora naquele diálogo nonsense, totalmente encantadas com o nosso exclusivo i no final. Aliás, se fosse há alguns meses atrás, esse diálogo nem teria existido, por que né? Yes Man. Parece besteira, mas até com mocinha do balcão eu tenho vergonha de conversar. Mas então. O espanto dela me deixou feliz. Alguns passos depois, entendi por que. Por que me fez lembrar aquele poema do Quintana, das rimas que se encontram, sabe?


O encontro

Subitamente
na esquina do poema, duas rimas
olham-se, atônitas, comovidas,
como duas irmãs desconhecidas...


Sei que sou quase que uma Fernando Pessoa full time. Então comemoro muito minhas Quintanices! Sobre tudo essas assim, espontâneas e inesperadas.




- Oooooooooooolha!

7 de julho de 2009

Everyday I write the book


Don't tell me you don't know the difference
Between a lover and a fighter
With my pen and my electric typewriter
Even in a perfect world where everyone was equal
I'd still own the film rights and be working on the sequel
~ Elvis Costello


Não entendo qual é a pira dessas manias de "Get 10,000 Followers, EASY!: http://bit.ly/15j9qB" do Twitter. Prá que dez mil? Prá que mais dez mil? Dez mil! Se eu já tenho 159 seguidores e toda semana pelo menos uns 5 novos pedidos aparecem. Eu fico cabreira. Não consigo alcançar o sentido disso. Como ter mil seguidores poderia me beneficiar, considerando que eu só escrevo fasfalho? Desde que entrei no twitter já arranjei minha turminha, umas sete ou dez pessoas que eu gosto e sigo por que gosto. Daí então, surgiram mais pessoas legais, acho que hoje tem umas vinte pessoas ali que eu realmente gosto e me importo. Prá mim, já é o suficiente. Foi no começo do ano, acho, que decidi bloquear meus updates. Não por que não quero que saibam o que eu digo, mas por que não quero chamar a atenção para o que eu digo. Por que é fasfalho. Eu vejo o twitter como uma forma de me comunicar e trocar links e idéias com as pessoas que eu gosto. Não como um campeonato prá ver quem tem mais seguidores e é mais popular. Aliás, ser popular na internet é o conceito mais torto de popularidade que eu conheco. Maravilhoso o seu blog! Ir no cinema comigo, ninguém vai.

Mas sempre aceito os novos pedidos e sigo a pessoa também, em retribuição. Assim, conheco mais e mais gente legal e vou me apegando. De vez em quando dá um desespero! É muita coisa, é muita gente! Onze updates alheios por minuto e eu me sinto feito o Jim Carey abrindo o email de Deus e recebendo trilhões de mensagens por segundos, em Todo Poderoso.

E dá uma vontade de largar tudo e sair correndo. Todo esse twitter, esses dois blogs que são a minha única voz e, ao mesmo tempo, a distorcem tanto. Escrever esse tanto, se expôr esse tanto é dar margem à uma série de mal-entendidos dolorosos, rancores e paixões que muitas vezes não me encontro disposta a encarar. Me vejo tendo que peneirar, repensar, censurar e avaliar de todas as formas o que publico, com medo de alguém se queimar. E ainda assim... O que escrevo é um espelho do que sinto e nesse espelho alguns se veem refletidos também. Muitas vezes, de maneira equivocada.

Mas, caraleo. Eu gosto, gosto mesmo de escrever. Não quero perder isso. Então eu fico nesse impasse: dou a cara a tapa e aguento os eventuais tabefes ou me calo de vez? É engraçado perceber que a coisa toda chegou num ponto em que, apesar dos pesares, eu não considero mais a hipótese de deixar de escrever, de blogar. Mesmo com os contratempos. Não mesmo. Então eu já não tenho muita escolha, não? Ligo o computador e me deixo levar.

Aprendo a lidar com os outros e comigo mesma atraves das palavras que escrevo.


6 de julho de 2009

Do que passou e do que vai ficar

Segunda-feira produtiva e cansativa. Restos da noite na minha memória. Cada lembrança deixa um sorriso a mais no meu rosto. Meus amigos, meu irmão. Grandes canções, cerveja gelada, tiro um milhão de fotos até você sorrir prá mim. Um pouco de sinceridade cruel e uma inesperada demonstração de carinho que até agora não sei se devo creditar totalmente ao àlcool ou não. Por que é verdade que a gente faz algumas coisas absurdas quando está bêbado. Mas não são coisas totalmente inventadas. Na maioria das vezes a vontade sempre esteve ali. Faltava só coragem de fazer. Coragem que o àlcool dá.

Bom, pelo menos eu penso assim. A verdade sobre esse acontecimento eu provavelmente nunca vou saber. Ou, quem sabe, no próximo show.

Still.

Começo a reconhecer que é realmente impossível passar impunemente pela vida das pessoas. Eu sempre penso que prá mim ninguém liga, i mean, não estou querendo bancar a coitadinha, só estou querendo dizer que sempre penso que posso ir embora, posso fazer o que quiser e ninguém vai se importar. Mas, começo a pensar que não. Mesmo um brutamontes tem um coração. Mesmo um brutamontes pode sacar meu plano secreto e não cair nele. Quem diria.

As notícias sobre a minha morte foram muito exageradas.

Sinto que estou voltando.




5 de julho de 2009

Bienvenido a roda punk

Tem algumas coisas sobre as quais eu evito escrever. Certas situações e sentimentos, que me incomodam e me magoam, por exemplo. Por que escrever sobre eles é torná-los reais, eternos, palpáveis. Não gosto, prefiro fingir que não existem, mas vez ou outra essas situações e sentimentos aparecem e de forma tão intensa que eu não consigo deixar passar batido.

Como quando você promete, jura por Deus, que nunca mais vai fazer tal coisa. E vai lá e faz, na primeira oportunidade que aparece. O problema comigo é que eu sou absurdamente, ofensivamente sincera. E quando bebo, fico valentemente sincera. De certa forma, sempre penso que se estou dizendo uma verdade, a pessoa não vai se ofender, por que a minha intenção é boa. Por mais que seja uma coisa que vá magoar essa pessoa. Invariavelmente me estrepo por pensar assim. Mas eu me estrepo ainda mais quando encontro gente que pensa como eu. Talvez nem ele saiba disso, mas ele age exatamente igual a mim, nesse sentido.

E então temos eu, fazendo algo que já jurei um milhão de vezes nunca mais fazer e temos esse cara dizendo verdades inegáveis e dolorosas na minha cara, fazendo eu me arrepender amargamente ter sequer olhado para ele.

Como em American Pie, naquela cena em que a corista diz:

- Eu me arrependo do dia em que pus os olhos em você!

E sai correndo chorando e todo mundo ri. Bem assim. Menos a parte de todo mundo rindo, na verdade só a parte de chorar, por que eu não corri, fiquei sentada ouvindo.

E eu vejo que ele não está falando por mal, que a intenção dele é boa. É só essa verdade que é ruim demais, mesmo. Sendo assim, não posso nem ficar magoada, por que estaria me contradizendo, não é mesmo? Então fica assim mesmo. Me faz chorar e eu ainda dou razão a ele.

Mas é aí que entra o lado bom da minha psicologia de farmácia, por que apartir do momento em que me dou conta de que por mais que me magoe, o que ele está falando é verdade e ele não está falando por mal eu consigo parar de chorar e ainda por cima rir disso tudo. E mandar ele se foder e sair de perto de mim. Coisa que ele não faz, mas aí quem tá se contradizendo é ele. Azar.

Mas o mais importante é que assim consigo ver mais um motivo para jurar nunca mais fazer isso de novo. Espero lembrar disso, da próxima vez.



4 de julho de 2009

Deixa essa tristeza prá mais tarde

Da solidão opcional, da preguiça de fazer qualquer coisa que seja. Da vontade de dormir o dia todo, que é atrapalhada por batidas na porta do meu quarto, me chamando para caminhar. Um dia bem bonito de Sol, decido dar uma chance àquela tarde e vou. Coloco minha camiseta da yoga, de quando eu fazia yoga. Era tão legal aquele tempo, pena que não volta mais. Uso a camiseta querendo que ele voltasse. Mas não.

Minha mãe parou de fumar há duas semanas. É incrível como ela está bem, das outras vezes que ela tentou foi bem tenso, ela não conseguia nem por dois dias. Mas agora ela tá fazendo com acompanhamento médico, semanal. Bem bacana mesmo. Enquanto conversamos e ela me conta seus progressos, eu escuto quieta, pensando em que progresso tenho eu para contar.

Me confundo com o conceito de progresso. Acabo falando dos meus dias no trabalho, de amenidades. Conto para ela que a solidão é opcional, mas que hoje eu queria sair. Queria beber, ficar ensurdecida e enlouquecida por alguma banda tocando em algum bar onde o barman fosse a coisa mais fofa. Mas tem a preguiça que me impede e tem a timidez que me faz ficar.

Minha mãe me chacolha: Não, você tem que sair, chega de ficar em casa.

Quer saber? Pela ordem natural das coisas eu não iria, pela ordem natural das coisas e pelo tanto de pipoca de microondas e filmes que tenho aqui, eu não iria. Mas. Yes man foi o que combinamos, não foi? Então eu vou. E também, eu devo isso para alguns amigos. Amigos verdadeiros, reais, que nunca me abandonam. Que sentem a minha falta, que pedem a minha presença. Já que a solidão é opcional, hoje vou optar por não ficar sozinha. Vou sair, deixar esse silêncio aqui. Amanhã carrego ele nas costas de novo.

Hoje eu quero barulho. Preciso.


3 de julho de 2009

Marca essa página prá mim

Gente, a complicação que é ler Blade Runner!! É tudo tão cinza, triste e claustrofóbico! É tão Admirável Mundo Novo, tão 1984! Sabe? A mesma vibe: a Terra dizimada, só os fortes sobrevivem. E os fortes na verdade são bem tristinhos, até descobrir que são fortes e lalalalala. Eu gosto, acho fodão, mas é complicado fazer como eu faço: ler logo pela manhã, a caminho do trabalho.

Por que eu acordo toda feliz, ligo um Elvinho no MP4 e vou, toda faceira. Aí, me deparo com trechos assim:
Silêncio. Ele irrompia da estrutura de madeira e das paredes; castigava-o com um poder terrível e total, como se fosse gerado por uma enorme fábrica. Erguia-se do solo, atravessando o tapete cinzento e puído que se estendia de parede a parede. Soltava-se dos utensílios quebrados e semiquebrados da cozinha, as máquinas mortas que não trabalhavam desde que Isidore vivia ali. Do inútil candeeiro de pólo da sala de estar, ele esvaia-se, enredando-se com a sua própria descida vazia e muda do teto manchado de moscas. Conseguia, de fato, emergir de todos os objetos ao alcance de sua visão como se ele - o silêncio - pretendesse suplantar todas as coisas tangíveis. Daqui, ele assaltava não só os seus ouvidos, mas também os olhos; enquanto se encontrava perto do inerte aparelho de TV, Isidore experimentou o silêncio como se fosse visível e, à sua própria maneira, vivo. Vivo! Ele já sentira muitas vezes antes a sua austera aproximação; quando vinha, irrompia sem sutileza, evidentemente incapaz de esperar. O silêncio do mundo não podia refrear a sua avidez. Não quando tinha virtualmente vencido.

Tenso. Aí já fico meio baqueada. É como ler O Apanhador no Campo de Centeio. É muito bom, mas mexe com a gente aquela tristeza toda, não tem como não ficar meio tristinho também.

Mas eu tô bem. Quero que vocês entendam isso. Sei que não dá prá ficar feliz todo dia. Nem triste também. Mas vamos combinar assim: fico feliz aqui do lado de fora e a tristeza fica aqui do lado de dentro. Do lado de dentro do livro. Pode ser? Só um pouquinho? Só hoje?

Vamos tentar.




Ou você acha que foi por acaso que inventaram a literatura e a fantasia?

2 de julho de 2009

Todos dizem "eu te amo"

Ai, que feliz. Tá bom que meu dia não teve nada demais, mas cheguei em casa e tinha maaaais um presentinho: a Mari do Bitpop me mandou um dvd! É do filme Todos Dizem Eu Te Amo, do Woody Allen. Morri, né? O pouco que eu amo Woody Allen!

E nessas eu me dei conta que não tenho nenhum Tarantino. Fail total. Tenho dois Kubricks e nenhum Tarantino.

Tenho um Guy Richie, serve?

- N

Uerever.

Tá ficando bonito, tá ficando bom. Minha chefa vai me dar férias no fim deste mês!! Vai ser meio que um rodízio entre os funcionários, dois saindo de férias de cada vez. Quero MIACABAR de ir no cinema às 3hs da tarde, em pleno dia útil. Vai que encontro o gordinho criminoso de novo?

#bestinha.

E hoje vi os vídeos dos ensaios do MJ, de dias antes dele morrer. Meu Deus, que coisa mais triste. Ainda não me recuperei, sabia? Por mais bobo que possa parecer. Ontem mesmo, passei por uma loja de discos [oi? isso ainda existe?] e tava passando num telão um show dele, cantando Billie Jean, beeeeem novinho. Parte meu coração no meio. Olhando agora em perspectiva, ele parecia mesmo ser a pessoa mais infeliz do mundo. Não é fácil mesmo ser feliz.

Mas eu sigo tentando.




E mais uma vez, obrigada a todos que comentam aqui. Principalmente à Mayra, minha picolina querida.

1 de julho de 2009

Cafeína ou Ocitocina?

Após um tempo considerável de devaneio absoluto, olhando para minha xicara de café sem de fato vê-la, firmei o olhar nela e me dei conta: gente, que xícara suja. Eu dificilmente levanto da minha mesa. É sempre algum colega que passa por mim e se oferece prá me buscar café. Sempre aceito, mas nem sempre lavam a xicara antes de colocar mais. Eu nem reparo. Mas em algum ponto do dia sei que vou ter que levantar e ir lavar.

Levantei então e fui lavar a xícara. Os papeis na mesa podiam esperar um pouco mais, o devaneio eu já não garanto. Da janela da cozinha se pode ver o quintal da vizinha, uma senhorinha de sei lá quantos anos que mora sozinha. Na calçada recém lavada, três cachorrinhos dormiam tranquilamente sob o Sol tímido do começo do inverno.

Pensei nas decisões que tomei nestes últimos dias e, com a mesma tranquilidade dos cachorrinhos que dormiam, me convenci de que estava agindo certo. Com um sorriso no rosto tomei mais um café, enchi a xícara novamente e voltei prá minha mesa.

Vi então que meu celular brilhava com luz azulzinha, indicando uma mensagem recém recebida que dizia:


Menininha, sua vida vai melhorar: tô indo prá Foz te ver.


Achei graça nesse jeito de dizer. E não sei se foi o excesso de café, mas confesso que não posso deixar de lhe dar razão: desde que li a mensagem, parece que a minha vida melhorou mesmo.




E logo vou poder tirar aquela dúvida que ficou.