As notícias de que Joe Satriani tem uma nova e super banda não abalaram meu pai, não abalaram a mim. Ele ficou abalado foi com a morte do MJ, que tinha a mesma idade que ele. Na noite de sexta veio quietinho no meu quarto, quietinho tal qual o Begod quando acaba a graça de miar prá Lua e ele vai dormir. Trouxe um chá - há pelo menos 20 anos o chá é a desculpa pra puxar assunto nas madrugadas dessa casa - e me perguntou se eu achava normal um cara de 50 anos morrer assim do nada, coisa mais esquisita, né Tadsh? Eu disse que achava verdadeiramente esquisito e conversamos durante quase 20 minutos sobre o quão impossível é, hoje em dia, alguém morrer tão cedo, salvo em caso de tragédia envolvendo aviões indóceis e violência urbana mais indócil ainda.
Ele me explicou, como se eu não soubesse, que ele joga bola, toca guitarra, trabalha e tudo o mais e o Michael não, ele tava parado! É, pai, tá certo, você é que tá certo. Diante da falta de lógica daquela morte repentina e convencido de estar no caminho certo, meu pai se deu por satisfeito com meu apoio sincero - embora vago- e foi dormir.
Eu estava e estou tranquila, ninguém morre. Não, ninguém.
Conversando com um amigo semana passada, contei que tinha ido em apenas em 3 casamentos e em nenhum velório, em toda a minha vida. Ele me perguntou se eu tinha sete anos de idade ou o quê.
Mas não.
Na minha familia é assim, ninguém casa e ninguém morre. Acho mesmo estranho, mas obviamente não reclamo. Eu acho mesmo é que sou protegida por alguma força superior, tipo DEUS, se é que ele existe, por que eu realmente não sei lidar com esse tipo de coisa. Com milhares de coisas, aliás. Mas, parece que é assim. Parece que o universo sempre conspira e dá suas voltinhas prá me proteger e nunca nada de realmente ruim me acontecer, nem a quem eu amo e me ama. Não sei se é por que eu não "mereço" ou simplesmente sou fraca demais prá aguentar qualquer tipo de sofrimento desse nível, então acho que o COSMOS meio que tem dó de mim e me poupa.
É sério.
Eu já me enfiei em dezenas, quase centenas de ciladas e escapei quase ilesa, mais do que sete vidas, eu devo ter mesmo é um anjo muito do bom. Ou coisa que eu valha. Mas eu ainda acho que é tipo dó do universo mesmo. A Tadsh é fraca, deixa ela.
O preço a pagar por ser assim tão imune a grandes emoções dolorosas é que sou imune também a grandes emoções benéficas. Nada de realmente grandioso me acontece, nem pro bem nem pro mal. Minha vida toda sem supresa alguma, sem buquê de flor nem discussões homéricas. Sem nunca ter quebrado nem um osso, sem namorados roubados. Nada. E acho que pelas mesmas razões: sou fraca prá tudo.
Sou café com leite da minha própria vida.

Ele me explicou, como se eu não soubesse, que ele joga bola, toca guitarra, trabalha e tudo o mais e o Michael não, ele tava parado! É, pai, tá certo, você é que tá certo. Diante da falta de lógica daquela morte repentina e convencido de estar no caminho certo, meu pai se deu por satisfeito com meu apoio sincero - embora vago- e foi dormir.
Eu estava e estou tranquila, ninguém morre. Não, ninguém.
Conversando com um amigo semana passada, contei que tinha ido em apenas em 3 casamentos e em nenhum velório, em toda a minha vida. Ele me perguntou se eu tinha sete anos de idade ou o quê.
Mas não.
Na minha familia é assim, ninguém casa e ninguém morre. Acho mesmo estranho, mas obviamente não reclamo. Eu acho mesmo é que sou protegida por alguma força superior, tipo DEUS, se é que ele existe, por que eu realmente não sei lidar com esse tipo de coisa. Com milhares de coisas, aliás. Mas, parece que é assim. Parece que o universo sempre conspira e dá suas voltinhas prá me proteger e nunca nada de realmente ruim me acontecer, nem a quem eu amo e me ama. Não sei se é por que eu não "mereço" ou simplesmente sou fraca demais prá aguentar qualquer tipo de sofrimento desse nível, então acho que o COSMOS meio que tem dó de mim e me poupa.
É sério.
Eu já me enfiei em dezenas, quase centenas de ciladas e escapei quase ilesa, mais do que sete vidas, eu devo ter mesmo é um anjo muito do bom. Ou coisa que eu valha. Mas eu ainda acho que é tipo dó do universo mesmo. A Tadsh é fraca, deixa ela.
O preço a pagar por ser assim tão imune a grandes emoções dolorosas é que sou imune também a grandes emoções benéficas. Nada de realmente grandioso me acontece, nem pro bem nem pro mal. Minha vida toda sem supresa alguma, sem buquê de flor nem discussões homéricas. Sem nunca ter quebrado nem um osso, sem namorados roubados. Nada. E acho que pelas mesmas razões: sou fraca prá tudo.
Sou café com leite da minha própria vida.






























