Elvis Costello Gritou Meu Nome

Tati Lopatiukinfo
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São Paulo - SP Blocker e eventualmente jammer na Ladies Of HellTown Escritora e web redatora 28 anos Colecionadora de gatos

A história de uma garota que decidiu ser feliz pra sempre.

30 de junho de 2009

Café com leite

As notícias de que Joe Satriani tem uma nova e super banda não abalaram meu pai, não abalaram a mim. Ele ficou abalado foi com a morte do MJ, que tinha a mesma idade que ele. Na noite de sexta veio quietinho no meu quarto, quietinho tal qual o Begod quando acaba a graça de miar prá Lua e ele vai dormir. Trouxe um chá - há pelo menos 20 anos o chá é a desculpa pra puxar assunto nas madrugadas dessa casa - e me perguntou se eu achava normal um cara de 50 anos morrer assim do nada, coisa mais esquisita, né Tadsh? Eu disse que achava verdadeiramente esquisito e conversamos durante quase 20 minutos sobre o quão impossível é, hoje em dia, alguém morrer tão cedo, salvo em caso de tragédia envolvendo aviões indóceis e violência urbana mais indócil ainda.

Ele me explicou, como se eu não soubesse, que ele joga bola, toca guitarra, trabalha e tudo o mais e o Michael não, ele tava parado! É, pai, tá certo, você é que tá certo. Diante da falta de lógica daquela morte repentina e convencido de estar no caminho certo, meu pai se deu por satisfeito com meu apoio sincero - embora vago- e foi dormir.

Eu estava e estou tranquila, ninguém morre. Não, ninguém.

Conversando com um amigo semana passada, contei que tinha ido em apenas em 3 casamentos e em nenhum velório, em toda a minha vida. Ele me perguntou se eu tinha sete anos de idade ou o quê.

Mas não.

Na minha familia é assim, ninguém casa e ninguém morre. Acho mesmo estranho, mas obviamente não reclamo. Eu acho mesmo é que sou protegida por alguma força superior, tipo DEUS, se é que ele existe, por que eu realmente não sei lidar com esse tipo de coisa. Com milhares de coisas, aliás. Mas, parece que é assim. Parece que o universo sempre conspira e dá suas voltinhas prá me proteger e nunca nada de realmente ruim me acontecer, nem a quem eu amo e me ama. Não sei se é por que eu não "mereço" ou simplesmente sou fraca demais prá aguentar qualquer tipo de sofrimento desse nível, então acho que o COSMOS meio que tem dó de mim e me poupa.

É sério.

Eu já me enfiei em dezenas, quase centenas de ciladas e escapei quase ilesa, mais do que sete vidas, eu devo ter mesmo é um anjo muito do bom. Ou coisa que eu valha. Mas eu ainda acho que é tipo dó do universo mesmo. A Tadsh é fraca, deixa ela.

O preço a pagar por ser assim tão imune a grandes emoções dolorosas é que sou imune também a grandes emoções benéficas. Nada de realmente grandioso me acontece, nem pro bem nem pro mal. Minha vida toda sem supresa alguma, sem buquê de flor nem discussões homéricas. Sem nunca ter quebrado nem um osso, sem namorados roubados. Nada. E acho que pelas mesmas razões: sou fraca prá tudo.

Sou café com leite da minha própria vida.




29 de junho de 2009

Fascismo emocional

Mas é tão ruim estar sozinha, justo nessa situação. Sozinha assim, sem ter nem com quem conversar, quem me diga o que fazer. De vez em quando é bom, mas por hora não há colo prá mim. Uma pequena situação desagradável que eu mesma tenho que resolver, e que não consigo falar sobre com ninguém. E essa eu nem inventei. Pelo menos não o problema em si, só os milhares de problemazinhos ao redor. Saúde é foda. Falta dela é pior.

E te dizer que tô triste, tô com raiva, tô com um monte de coisa. Tenho vontade de matar e morrer. Triste assim, vazio assim.

Sozinha assim.

Mas não o tempo todo, eu ainda tenho com quem contar, mesmo alguns virando as costas. Mas amigo menino é complicado contar tudo. Conto só um pouco. Choro. Ele some. Volta e diz, ipsis literis:

Tipo, é isso mesmo que acho: que você mereça mais. Você é incrível. Você é sensacional. Inteligente, sarcástica, engraçada, bonita, gostosa, charmosa, safada. Pense! É tudo que um homem quer. Não acho que você mereça se apaixonar por uma idéia.

Já vai me fazer chorar de novo. Você é tão bobo. O universo ao meu redor de pessoas que amo e que nem sentem a minha falta. Eu queria guardar noites como a de ontem prá sempre.

Se pudesse, tatuava tudo isso que ele disse em mim, prá nunca mais esquecer. Prá lembrar sempre. Principalmente em fases como essa de agora. E vou além: se pudesse, tatuava o autor dessas frases em mim. Prá carregar ele prá sempre no meu corpo, mesmo sabendo que no meu coração ele já está e vai estar prá sempre. Por mais que faça beicinho e diga que não mereça.





Mas entre nós dois já são tantas marcas que eu não sei mais que desenho eu sou no corpo dele, que desenho ele é no meu.


28 de junho de 2009

Não há vagas

O meu coração nunca vai ver a luz do dia
O meu coração nunca vai ver a luz do dia
Mas se um dia visse, será que ele saberia?
O meu coração não reconhece a luz do dia

O meu coração um dia quis sair de casa
O meu coração se permitiu até ter asas
Elas derreteram sob o sol do meio-dia
E ele se escondeu antes de ver o que fazia

O meu coração nunca vai ver a luz do dia
O meu coração nunca vai ver a luz do dia
Mas se um dia visse, será que ele saberia?
O meu coração não reconhece a luz do dia

O meu coração não quer viver assim no escuro
O meu coração um dia já subiu um muro
A queda era baixa e o processo era seguro
Mas ele fugiu pois tinha medo do futuro

Todo dia, todo dia
Meu coração sai do lugar
Ele chia, ele chia
Porque não quer se machucar

~
Ecos Falsos





Se for prá sofrer, já sofro agora. Não há vagas.

27 de junho de 2009

E lentamente ela vai

Era a ocasião de estar alegre. Mas pesava-me qualquer coisa, uma ânsia desconhecida, um desejo sem definição, nem até reles. Tardava-me, talvez, a sensação de estar vivo. E quando me debrucei da janela altíssima, sobre a rua para onde olhei sem vê-la, senti-me de repente um daqueles trapos úmidos de limpar coisas sujas, que se levam para a janela para secar, mas se esquecem, enrodilhados, no parapeito que mancham lentamentamente.

~ Fernando Pessoa


E derepente, assim do nada, eu cansei. Cansei do meu próprio barulho e me cansei do seu silêncio. Cansei de tentar mostrar, a ferro e fogo, quem eu sou. Cansei de tentar qualquer coisa que fosse. Cansei de rirem dos meus heróis, dos mortos e dos vivos. Cansei de ter que relevar tudo e manter a finesse e o bom humor.

Eu não sou uma boa pessoa, de certo modo.

Eu quero dizer.

Eu fico furiosa muito fácil. Alguns poderiam dizer: eu fico brava muito fácil. Eu não, eu fico furiosa, mesmo. De querer morrer e matar, de tanto ódio.

Pequena criaturinha. Poor, poor boy...

Mas isso eu guardo dentro de mim e pequenas mágoas vão acumulando, acumulando até que eu finalmente implodo. É, implodo. Eu morro de raiva, me tranco e choro, como uma idiotazinha de 15 anos.

Que é o que eu sou, independente do que diz meu corpo já em declínio e meu RG já tão batido.

Das coisas que eu amo, eu não suporto que falem mal. Não suporto e não consigo evitar de bater de frente com quem o faz. Eu banco a louca psicótica, acabo com amizades de anos em 3 segundos, minhas unhas cravadas no braço de quem ri dos meus ídolos. É sério. É nesse nível.

E depois do embate, em que invariavelmente saio perdendo e com o ego ainda mais arranhado, eu fico pensando. Vale a pena? Se a gente é o que come, se a gente é o que ama. Vale, vale a pena sim. Vale, mas eu estou cansada. Grito e ninguém me escuta. Já que não me entende, não me julgues, não me tentes. Um tempo longe seria bom.

Um tempo longe até de mim. Me deixar abalar por provocações baratas, chorar inconsolavelmente só por que riem de uma banda que eu gosto. Oh, Deus. Alguém me ajude, me conforte, me tire daqui.

Alguém me tire daqui.




26 de junho de 2009

A nossa vã geografia

"aiai, esse povo q deveria morar por aqui e não mora... eu não gostava de geografia e agora a geografia se vingou de mim "


Me define.

Dormi o sono dos justos, cansada de tanto pensar e remoer problemas que eu mesmo invento. E vou tratando de desinventar, demoradamente, como quem tira um band-aid devagar, com medo de doer.

Agora a geografia se vingou de mim. Quero ir num casamento em Campinas. Quero ir prá Brasília. Quero ir prá Natal.

Eu quero ficar trancada no meu quarto, também. Aqui tá bom. No meio das minhas cobertas e das decisões que tomo em segredo. Que em menos de quinze minutos já esqueço. E da minha vontade de gritar, vontade que nunca passa, by the way. Um dia assim, bem à toa, era quase duas da manhã e pensei em te ligar. Lembrei que não estava bêbada, então nada justificaria uma falta de educação dessa. Você poderia estar dormindo. Acompanhado, não duvido. Olha, eu passei bem uns dois minutos olhando o seu nome no celular.

Se isso é coisa que se faça.

Mas tem dias que a gente se sente assim, miseravelmente sozinha. Dói mais à noite. Dói mesmo que esteja passando filme bom na tevê. Dói mesmo eu sabendo que é assim mesmo.

Mas, veja o lado bom. Eu acordo de manhã e já não dói mais. Se quero, coloco um sorriso no rosto e acredito que sou feliz. E sou. E por que. Você é o amor que eu inventei, que tenho guardado no bolso. Que me deixa feliz e me deixa triste, na mesma proporção. Do jeito que eu quero. Quando eu quero.





Entre a fantasia e a realidade, eu sempre preferia a fantasia. Com a minha vida amorosa não seria diferente. Vivo de sonhar com o impossível e descartar o possível. Seria prá chorar o tempo inteiro, mas como sou eu mesma que invento, até consigo sorrir.

E me segurar prá não te ligar. E te acordar. E bagunçar tudo aquele acordo silencioso que fizemos.

Que você inventou.

25 de junho de 2009

Day off,

Begod on.

Dormindo o dia todo, nesse frio até que é bom. E dessa vez o motivo não é tristeza nem vontade de sumir. É preguiça mesmo. Daí de madrugada não dorme, decide num ímpeto organizar toda a coleção de DVD's dessa vez em ordem alfabética. Vamos? Vamos! Me sinto meio Rob Fleming, mas com motivações diferentes. Pois motivações diferentes parece que são o prato do dia, todos os dias, nestes últimos dias.

Begod não se importa muito com isso. Se levanto da cama ele reclama. Ora, veja só. E tem gente que diz que gato não tem sentimentos. Não conheceram os meus.

24 de junho de 2009

No escurinho do cinema

Sozinha no cinema, cinema quase vazio. Procurei uma fila vazia, sentei bem no meio, que é prá não dar moral. Um rapaz bonitón sentado bem na minha frente, com um menininho gordinho junto. Os dois cochichavam. O gordinho me olhava de canto de olho e cochichava mais. Isso que eu amo em ir sozinha no cinema: desperta a compaixão das pessoas. Deviam estar pensando: mas como, sozinha? Será que levou bolo de alguém? Por que é tão dificil admitir que alguém pode se divertir estando sozinho? Tá bom, preferia que a Marina tivesse ido comigo, mas ela não tem tempo. Ainda assim, tava lá felizona, esperando o filme começar e comendo a pipoca de-va-ga-r, que eu sou pró em comer tudo antes mesmos dos traillers terminarem. E os dois cochichando.

Até que o rapaz não se aguenta. Vira prá traz e me pergunta:

- Aqui costuma atrasar a sessão?

O gordinho me olha com atenção. Vamos ver se ela vai chorar e contar que tá sozinha por que brigou com o namorado.

- Não, teoricamente não.
- Ham.
- Por que, tá atrasado?
- Falta cinco minutos.
- Então não tá.
- =/
- Tem uma galera lá fora, devem estar esperando geral entrar.
- É.
- Então.
- Mas acontece que nem começou os traillers.
- Ó.
- q.
- Começou.

O gordinho riu, o rapaz virou prá frente, sem jeito. Do meu lado sentaram três molequinhos, dois com uns 7 anos de idade e o terceiro era bem picolininho, devia ter uns 4 anos. Ele sentou do meu lado, o picolininho, e ficou o tempo todo na beiradinha da poltrona, prá enxergar melhor. Filme de carro que luta e vira robô, você calcula. O picolininho nem piscava. Só tirou os olhos da tela uma vez, prá virar pro lado e dar um beijo na bochecha do outro menino. Aquilo partiu meu coração, cara. Me deu vontade de pegar aquele picolino e assistir o filme todo com ele no meu colo. Só naquele instante eu me senti mal por estar sozinha. Prá me sentir melhor, comecei a fingir que ele era meu irmãozinho e tava comigo e tudo o mais. Ele tava com um moleton listrado preto-e-branco com capuz, absolutamente fabuloso. E de calça jeans. Miacabo com criança que usa calça jeans.

Filmão destruidor, cinemão pipoca daqueles bons mesmo. O rapaz e o gordinho cochicharam o filme inteiro, tô ligada que aquilo ali deve ser uma parceria pro crime que não é brincadeira. Quando o filme acabou, saímos juntos da sala e o gordinho só no cochicho. Muito bom o filme, né? Sim, muito bom. O rapaz olhou prá mim como se quisesse dizer alguma coisa e eu juro por deus que quase dei uma de yes man e perguntei que que é que afligia tanto ele. Ficaram no fliper, me despedi e fui prá casa.

Devia ter pedido o telefone dele.

Do gordinho, é claro.

:o)



23 de junho de 2009

Uma pausa.

Feliz.

Chuva e frio o dia todo, não tem tempo mais bonito que esse de agora. E mesmo com algum choro reprimido e o costumeiro mutismo seletivo que sempre ataca pela manhã, já perto da hora do almoço eu estava soltando as minhas famosas gargalhadas pelo escritório.

Depois ficou ainda mais bonito, comprei o Crepúsculo, que quero ver há séculos [/exagero], desde que li o livro. Finalmente o perigón de Ed Cullen se tornará visivel diante dos meus olhos. Mal posso esperar, daqui a pouco vou me enfiar embaixo das cobertas, só eu e a vampirada. E o Begod, for shure.

Por conta disso, quase uma hora de histeria coletiva com @atosfalhos e @congeminemos no twitter. Hahdsfshdfashdfashdsa.... Miacabo.

O mais legal de tudo é que vem um feriadão prá mim por aí. Por conta de uns plantões que fiz, peguei o resto dessa semana de folga. Só volto prás minhas amadas notas fiscais na segunda-feira. E até lá....

Quero botar a casa em ordem, por dentro e por fora. Pensar bastante, ir no cinema, caminhar sozinha. Fazer tudo o que eu gosto. Ver se organizo essa bagunça que tá aqui dentro, por que desse jeito, não tem como continuar não.





Olhar um pouco lá fora, quem sabe assim enxergo melhor aqui dentro.

22 de junho de 2009

Não ame o amor.

Queria que me achasse bonita.

Que me achasse magra, ou que disfarçasse o fato de me achar meio gorda. Nunca disse, quem sabe por que não teve tempo.

De qualquer forma.

Ele dizia que prá ele não importava se eu era bonita ou feia, gorda ou magra, não importava nada, ele queria ficar comigo mesmo assim. E o que deveria soar como o máximo do elogio, prá mim bateu diferente. Como se não importasse mesmo por que o foco da sua paixão não era eu. Era o fato de se apaixonar. E então comecei a pensar que ele amava não a mim, mas o amor que sentia por mim. Entende?

Vê?

Foi assim que eu percebi que não daria certo. E o quanto sou idiota ou, pelo menos, tenho uma visão bem torta [/míope?] de amor.

Não era do meu cabelo que ele gostava, da minha boca, da minha voz. Era da possilidade de ter um cabelo para afagar, uma boca prá beijar, uma voz para conversar. Ter enfim alguém, uma companhia. E para isso eu servia e não importava mesmo como eu fosse, contanto que cumprisse o meu papel.

E eu não sei se realmente vi certo isso, meus olhos míopes já tão cansados.

Mas, a questão é essa, entende? Por isso senti que não podia, que não queria. Por que por mais esquisito que possa parecer, eu não quero alguém que me ame acima de tudo. Quero alguém que me ame apesar de tudo. Eu quero alguém que me veja como eu sou, que goste de mim pelo o que eu sou, não pelo papel que eu possa vir a desempenhar em sua vida. Não quero ser a peça que falta no seu quebra-cabeça. Eu quero ser a peça que vai construir um novo quebra-cabeça, que passa a ser montado apartir do começo da nossa história.

Eu sou letra e música, mas eu sou real. E quero que goste de mim assim, cheia de porém, como sou. Que veja e aceite meus defeitos, não que nem mesmo se importe com a existência deles. Que fique uns dias sem falar comigo, por que eu sou meio chata. Que me coloque num pedestal e logo depois me tire, quando a gente brigar. Quem me ache bonita, mesmo se eu estiver chorando. Por que gosta de mim.

É isso o que eu quero. E devo estar errada, eu sinto que estou na contra-mão. Sinto que perdi, que fiz errado. Quem sabe meu jeito de ver as coisas é que é errado, já que todos estão certos em concordar que o amor que ele me oferecia era tudo o que alguém pode querer. Um amor simples assim, em que ele me amava só por amar. Ainda assim, eu joguei isso fora, por que hoje eu tenho uma visão diferente da que tinha há alguns anos atrás. Mas foi assim que aprendi a amar. Detestando cada defeito, me apaixonando por cada qualidade. Mas, acima de tudo, enxergando isso.

E é por isso que eu vejo a cada dia que passa que quanto mais eu vivo mais burra fico, quanto mais sofro, mais desaprendo. E que embora eu deteste esta mochila cheia de conceitos e regras que carrego comigo é só ela que tenho e não consigo me livrar dela de modo algum, nem que seja prá trocar por algo melhor.





E, claro, o que sobra sou eu sozinha, idéias diferentes, lágrimas iguais.

Tente guardar consigo o que foi bom, eu vou tentar.

21 de junho de 2009

Cada escolha, uma renúncia

Não havia mais então necessidade de mentir, de forçar o que sinto ou o que eu sou. Eu sou assim mesmo, infelizmente ou felizmente. Algumas coisas eu já não aceito mais. Algumas situações. Pulo do barco antes que ele afunde comigo junto e é isso mesmo. Me chame de egoísta, eu não ligo. Eu já sofri demais, hoje em dia eu me preservo. Me recuso. Isto não faz sentido, nem vai fazer prá ninguém mais além de mim. E vou parar por aqui, por que neguinho tem um talento prá desvirtuar e subverter o que eu digo que não é brincadeira.

Eu sigo sozinha, não se preocupe comigo. Eu tenho meus amigos e quando a vida dói eu tento me concentrar num caminho fácil.

Não era isso o que dizia aquela canção?



20 de junho de 2009

Qualquer coisa que se sinta

Socorro, alguém me dê um coração
Que esse já não bate nem apanha
Por favor!
Uma emoção pequena, qualquer coisa!
Qualquer coisa que se sinta...
Tem tantos sentimentos deve ter algum que sirva
~ Arnaldo Antunes

Repetidos à exaustão em perfis de orkut, blogs, fotologs, bilhetinhos de namorados, cartas entre amigos, estes versos de Arnaldo Antunes acabaram por se tornar uma verdade geracional, daquelas que qualquer um pode citar, em qualquer ocasião, e sempre vai parecer adequado e causar empatia. Não obstante a melodia bonita e bem elaborada e o fato de ser um pedido de socorro -o que sempre causa empatia-, por que será que as pessoas se identificam tanto com essa música?

Não que eu não entenda por que não sinto o mesmo, às vezes. Eu sinto. Acho que até já citei estes mesmos versos por aqui. Mas a questão toda, que me fez parar prá pensar, é a seguinte: por que a gente tem sempre que estar sentindo alguma coisa?

Eu quero dizer. Que mal há em sossegar, de vez em quando? Os versos parecem falar sobre alguém que já sofreu demais, que já não sente mais nada. Será que isso é realmente ruim? Acho que pode até ser bom! Depois de um período de emoções fortes, de grandes decepções, eu acho até necessário se sentir assim, vazio. Sem estar apaixonado por ninguém, nem com saudade, nem com raiva... Nada.

A necessidade de estar sempre sentindo algo se assemelha muito aquela outra necessidade, a de ser feliz sempre. Sobre a qual já falei aqui.

Quanto à mim, acho bom essa pausa entre um sentimento e outro. No começo não achava, mas agora estou gostando desse "vazio", em que não preciso me preocupar com nada nem com ninguém além de mim. De fato, acho que depois de um tombo muito grande, chega uma hora que você fica exausto de sentir qualquer coisa que seja.

E é lógico que se espera que esse não-sentir seja algo passageiro. Mas, por mim, pode passar beeeem devagar, sem pressa, por que eu tô gostando.





O vazio que vai lá fora cai macio dentro de mim. E, ao menos por enquanto, estou bem assim.

19 de junho de 2009

A falta que ele me faz

Ai, din din
Que falta que me faz, eu corro tanto atrás
e você nunca vem prá mim!
~Seu Jorge

Ah, seu eu pudesse e o meu dinheiro desse... Eu iria até você AGORA, te colocava contra a parede AGORA e você teria que me dizer AGORA qual é a tua. Afinal, ainda somos amigos ou não? Até parece que não lembra mais dos nossos tempos de escola! Ou das madrugadas que passamos em claro, estudando. O pessoal da lovista sempre tinha algo prá dizer, lembra? Dude, por que foi que isso se perdeu? Aqueles pequenos delitos todos que a gente cometia. No more? Never more?

Eu vou te falar uma coisa: hoje vou quebrar a promessa. Vou assistir aquele filme que a gente tinha combinado ver juntos. Vou. Quero nem saber. Tá aqui parado, dude, me lembra você a todo instante. Vou ver logo que é pra ver se desencarde essa coisa que eu tô sentindo, sabe? Você me conhece, sabe que às vezes só a sétima arte me acalma. E chocolate.

Mas não sei se vai adiantar não, sabe? Por que, como prega o capitalismo e Seu Jorge, não tem filosofia zen se não tiver din din. O que eu ganho ainda não dá prá bancar todos os meus sonhos. Nem o nosso. Mas um dia, né? Não pense que vai se livrar de mim tão fácil. Qualquer dia desses eu consigo fazer os nossos planos darem certo. Contanto que eles ainda sejam nossos, que eles ainda se misturem com os seus.





Ai, din din!

18 de junho de 2009

Chronic Dissatisfaction

Quando diálogos de filmes falam por mim:


Maria Helena: Te lo dije o te no lo dije?

Juan: What do you want?

Cristina: I want something different.

Juan: What?

Cristina: I don't know, not this.

Juan: There's no answer, Cristina...

Maria Helena: Antonio, no lo entiendes que no ha conseguido lo que queria, quiere otra cosa, que esto ja no le basta, que es como una efermidad, que nunca le va bastar con nada!

Cristina: Don't get so upset, please.. and can you speak english please? I can't understand you.

Maria Helena: Esta niña nunca le va bastar con nada.

Juan Antonio: Please. Speak. In. English.

Maria Helena: Como lo sabia! Como lo sabia!

Juan Antonio: Speak English, please, so she can understand all right?

Maria Helena: Chronic dissatisfaction, that's what you have. Chronic dissatisfaction. Big sickness. Big sickness.

[...]

Maria Helena: Do you know how much we love you?

Cristina: Yeah, and I love you both.

Maria Helena: No, you don't. No, you don't. Niña de mierda! Niña de mierda! Niña de mierda! Como lo sabia! Como lo sabia!




Mas será que não é hora de saber o que se quer?

17 de junho de 2009

H.a.p.p.y.

Ai, que hoje eu tô tão feliz! Meu primeiro sorriso foi às 7h21 da manhã. Então quer dizer que ainda lembra de mim? Que ainda gosta de mim? Ah, cara....

Hoje ganhei tantos presentes!!! Claro, comprando presente pros outros, tinha que comprar um prá mim também. E meu pai chegou de viagem hoje, me trouxe mais presentes. E o correio trouxe outro tanto.




Feliz só por que ganhou presentes? Ah, deixa eu ser feliz, vai!

:o)

16 de junho de 2009

Deixe a menina sambar em paz

Acordo com uma vontade súbita e despropositada de fazer do meu dia um dia diferente, tentar ver as coisas por outro lado. Menos de meia hora depois de acordar já percebo que é um sentimento bem reles, grudado na minha pele de modo bem vagabundo, feito tatuagem de chiclete. Por que depois do banho, o ânimo todo já havia passado. Escorreu ralo adentro junto com a água do chuveiro. Volto a ser a mesma de sempre, frustrações e medos. Me contento em me vestir, calçar os tênis, me espantar e me aborrecer com as notícias do jornal da manhã, esperar o celular gritar que já são 7h21min e tenho que ir trabalhar.

Das inúmeras coisas que quero mudar em mim e não consigo, das inúmeras coisas que tenho que fazer até que o dia acabe. Tento criar um meio termo entre as obrigações e os desejos, tento achar ali no meio da minha rotina um ponto cego onde posso fazer só o que quero sem que fique eu mesma me cobrando por estar procrastinando quando deveria estar fazendo algo útil.

A noite chega e luto contra uma falta de sono que tem mais a ver com teimosia do que com disfunção. Me escondo debaixo das cobertas que nunca me aquecem o suficiente, vejo filmes que já assisti à exaustão, me apego a enredos, diretores, personagens. Me apaixono por vilões.

Adormeço lembrando de coisas que nunca aconteceram e traçando planos que já sei de antemão que não vou conseguir realizar.

São 6h20 da manhã. Acordo com uma vontade súbita e despropositada de fazer do meu dia um dia diferente, tentar ver as coisas por outro lado.

Faz tanto frio nessa cidade. É cada dia mais gostoso caminhar à noite. E a cada dia que passa eu sei, eu sinto, que embora eu não saiba o que fazer com a minha vida, e muitas vezes me perca, é bem melhor tê-la nas minhas mãos do que colocá-la nas mãos de outros. Que era o que eu fazia antes. Que é o que eu pretendo não fazer mais. Nunca mais.


15 de junho de 2009

Gato por lebre

Achei engraçado que hoje revirando uma papelada de um Sindicato qualquer, achei escrito numa guia de pagamento de mensalidade, em letras garrafais:

Não compre gato por lebre!


Já sei o que você vai dizer. Que até aí nada demais, eu acho graça em tudo. Mas ali eu achei graça mesmo e nem sei explicar direito por que. Depois fiquei pensando em quanto gato disfarçado de lebre eu já peguei, ao longo da minha tortuosa vida amorosa. E fiquei pensando que mesmo eu tendo me enganado, se você olhar bem, que fez papel de bobo foram eles. Fingindo ser o que não são, até que a verdade nua e crua apareceu. Debaixo daquela pele bonita de lebre se escondia um gatinho muito do vagabundo!

É engraçado aconselhar isso: Não compre gato por lebre!

Como se a gente se enganasse intencionalmente!

De qualquer forma, estou bem feliz assim. E não consigo deixar de ter pena de toda essa gatarada fajuta que passou por mim e não dorme tranquila, com medo de que a incauta da vez descubra o seu disfarçe.



Enquanto eu...

14 de junho de 2009

Sigmund Freud, analyse this

Deve ter algum poema do Fernando Pessoa que explique o que estou sentindo agora, mas tô com medo até de procurar. E de repente me deu um desespero de não saber o que sentir e fiz o que sei fazer melhor em momentos de pânico: dormi o dia todo. Acordei só prá ver BTTF. E até Biff ria de mim:

- Hello? Hello? Anybody home? Huh? Think, McFly. Think!

É complicado. Dormi mais, tive sonhos terríveis. Alguém bateu na porta do meu quarto enquanto eu dormia, alguém me ligou enquanto eu dormia. Mas eu quieta, debaixo das cobertas. Cadê meu gato nessas horas? Sonhei também que tinha ganho 5 vestidos e 5 All Stars, que combinavam com cada um dos vestidos. Vestidos estampados, floridos, eu vestia e corria tirar fotos, num dia de muito sol. Acordei. De pijama, descabelada. Oh, boy... Eu quero aqueles vestidos, aqueles all stars! Eu quero pelo menos as fotos!

Que triste.

Vou dormir mais, enquanto não acho uma saída. É essa minha mania besta de querer racionalizar tudo. De querer classificar, padronizar, quantificar. Coloque minha vida num gráfico, caraleo. Me explique, faça uma equação. Me explique, me aponte uma solução.





E funciona sempre assim comigo. Só posso ir embora depois de terminar o exercício.

13 de junho de 2009

Tive razão

Parece incrível, mas mesmo com toda a minha ceninha de filme americano, Senhor Café ainda tem me ligado. Eu não quero o Senhor Café.

Meu silêncio vai acabar por convencê-lo. Espero.

Ontem saí, fui num barzinho que eu sou toda desconfiada. Quem me conhece sabe. Quem não me conhece, improvisa. E faz melhor. Enchi a cara de Heineken, de olhares, de conversas, de gargalhadas. Sim, sou boba. Sim, tudo me diverte. Sim, sim, sim. Me beije um pouco mais. Fiquei acordada até mais tarde. Dormi até mais tarde. Acordei, olhei pro lado e vi que era verdade tudo o que aconteceu na noite anterior - e que eu pensei que tinha sonhado. Te puxei prá mais perto, te beijei e te fiz rir.





Como é bom ser boba, meu Deus! Faz bem até pros rins!

12 de junho de 2009

Chovendo corações pela cidade

A ironia da data. Não sei se foi de propósito, mas hoje é um bom dia prá começar algo. Me desejem sorte.





E boa sorte prá vocês também. Feliz dia dos namorados.

11 de junho de 2009

A felicidade numa caixa


Oh, I said “I’m so happy, I could die!

~ Red Shoes


Hoje eu vou te dar uma boa definição de felicidade. Não é muito nova, é bem boba, na verdade. Mas é das mais raras de se conseguir. A minha definição de felicidade, hoje é:

se sentir amada.

No abraço-surpresa da amiga que diz que você ainda é a preferida [/só por que você ficou muito quietinha no almoço]. Na mão da minha mãe, que aperta a minha mão prá andar na rua. Nos emails que ele escreve prá mim, nas entrelinhas de tudo o que é dito e calado. Nas inúmeras demonstrações de afeto que recebo quase todo dia, por causa do RMM e do ECGMN. Um bilhetinho virtual que diz:

você parece ultralegal, Tatiani :) cá estou eu elogiando, again, seus posts (dos dois blogs).

Simples, sincero. Assim como tantos outros bilhetinhos [como este, este, este, este, este, e este, só para citar os meus favoritos] que me fazem pular de alegria, que fazem tudo valer a pena. Por esses dias fez um mês que comecei este blog. Era prá ser um blog quieto e sorrateiro, um plano B para o que não coubesse no RMM, mas apareceu um bocado de gente que gosta. Gosta e faz mais do que gostar: sempre comenta, falando alguma coisa, contando que com ele também é assim, mostrando que não estou sozinha e, assim, me aconselhando, me ajudando. Ou só me dando o ombro prá chorar, mesmo.

Isso me deixa tão feliz, tão feliz que não posso nem explicar prá vocês. Mayra, Joyce, Hatanne, Holly, Marina, Mica. E ainda tem o Orelha, que sempre tem aquele jeito todo dele de me ajudar. Hahahaha. Vocês moram no meu coração, fuderoso. É tanto carinho que por vezes, ao ler o que vocês me escrevem, tenho vontade de dar um beijo na boca do meu gato [/prá usar uma expressão tão nossa] de tanta felicidade, na falta de vocês aqui.
A felicidade numa caixa


Mas hoje parece que o meu conceito de felicidade extrapolou todos os limites e explodiu no meu coração, ao abrir uma caixinha de Sedex que chegou aqui prá mim. Mas será que era prá mim mesmo? Na caixa dizia: Tati Costello dos Mullets. Meu pai achou que não. Minha mãe teve que convencer ele e o carteiro de que eu era a menina dos mullets - palavras dela.

Dentro da caixinha, um chaveiro que é com certeza o mais lindo que já vi. E uma cartinha que me fez chorar, de tanto carinho contido nela, que me fez sentir tão especial que meu gato, já temendo ganhar um beijo não solicitado, saiu de fininho.

Mayra, eu não teria como descrever o quanto você me deixou feliz hoje. Não só hoje. Todo dia me alegra ter você perto - ainda que seja perto assim desse jeito que a gente pode, pela net. Eu que teoricamente sou boa com as palavras, só sei ficar boquiaberta com tanta carinho. O teu abraço via sedex chegou na hora certa, quando eu mais precisava, e me pegou em cheio.





Por que hoje também, eu descobri que a minha felicidade é feita assim. De palavras, de pequenos gestos e de uma doce euforia que só quem eu gosto sabe me fazer sentir.

10 de junho de 2009

Meu pai e as cores

Uma das coisas que mais gosto no meu pai é que ele não pode ver nada de bonito que já quer transformar em padronagem prá aplicar em alguma guitarra. Tudo que ele vê de bonito quer levar junto consigo, nas suas guitarras. Como uma tatuagem. Agora há pouco chegou aqui com uma idéia na cabeça: uma guitarra camuflada, em tons cinzas!!

É mesmo, vai ficar lindo!, eu concordo, já imaginando uma guitarra bem bonita e meu pai todo contente com ela nas mãos.

Meu pai senta do meu lado no pc e juntos procuramos padronagens militares. Fuçamos e fuçamos, até que consigo achar exatamente aquela que ele quer. Sabe deus onde ele viu esse padrão. Olha e analisa: é, mas prá mim pintar assim vai dar um trabalhão!

E deve dar um trabalhão mesmo. De longe parece uma pintura simples, a gente dá um zoom e descobre um milhão de nuances. Pequenas, mínimas, impossíveis. Conversamos por uma meia hora sobre como transformar aquilo num molde vazado, prá aplicar naquela guitarra branca lá, aquela que o rapaz trouxe consertar e não pegou mais. O rapaz não voltou? Não!

Deus!

Por fim meu pai olha, olha, tece planos mirabolantes para um jeito novo de pintar, planos que dois minutos depois, à luz da razão, se mostram totalmente impraticáveis. Pensa. Pensa mais um pouco. Diz:

- Ah, deixa. Nem sempre dá prá pintar tudo do jeito que a gente quer.

E sai do quarto.





Mas é mesmo, pai. Nem sempre dá prá pintar da cor que a gente quer! Sabe pai, prá mim também foi preciso um zoom prá perceber as nuances que antes eu não tinha percebido. Prá perceber que aquelas cores não eram bem como eu pensei. Prá ver que eu deveria parar de vez de tentar achar cores bonitas onde elas de fato não existem.

9 de junho de 2009

Suspensa

O que você ganha quando se apaixona? Um cara com um alfinete, furando os seus balões.

[I'll Never Fall In Love Again- Elvis Costello]




Quem me segura se eu cair?

8 de junho de 2009

Qualquer coisa

Hoje eu queria qualquer coisa sua, que pudesse me fazer acreditar que ainda pode dar certo. Que eu não estou sozinha, que você vai me defender. Que fizesse eu me sentir amada, mesmo a gente sabendo que você não pode ficar aqui comigo. Qualquer coisa sua que fosse mais do que palavras. Qualquer coisa, por favor.





Com tanto sentimento deve ter algum que sirva.

7 de junho de 2009

Luca Paccioli gritou meu nome

O café esfriou na xícara, enquanto eu espalhava criteriosamente os relatórios pela mesa, colocando a mão no queixo e analisando por meia hora se o cálculo do imposto daquele mês estava certo ou não e por quê.

Certas coisas são tão confortáveis e seguras: números, alíquotas, retenção de ISS, guias pagas e despesas fixas ou variáveis. A aliquota dentro do estado é de 18%, não se credita o ICMS nos custos com imobilizado ou materiais de uso e consumo. Salvo possível interpretação errônea neste terreno arenoso chamado legislação tributária, nada pode dar errado neste imposto que presumo. Nada. E isso é o que eu mais amo na contabilidade, o seu pragmatismo. E mesmo sendo inegável que a contabilidade já me fez chorar [/não é sempre que o balanço patrimonial fecha!], até hoje não encontrei nada tão digno do meu amor quanto ela.

Faço minhas as palavras de Fernando Pessoa, contador e medroso como eu:

Tenho ternura, ternura até às lágrimas, pelos meus livros de outros em que escrituro, pelo tinteiro velho de que me sirvo, pelas costas dobradas de Sérgio, que faz guias de remessa um pouco para além de mim. Tenho amor a isto, talvez porque não tenha mais nada que amar - ou talvez, também, porque nada valha o amor de uma alma, e, se temos por sentimento que o dar, tanto vale dá-lo ao pequeno aspecto do meu tinteiro como à grande indiferença das estrelas.


Vê, tanto faz o amor que tenho para dar. Ele sempre resulta inútil. Sendo assim, melhor dedicá-lo às minhas guias, minhas contas, minha mesa sempre lotada, meu telefone sempre tocando. É o meu refúgio mais querido, mais confortável, mais precioso.





Meu único amor plenamente correspondido, afinal.

6 de junho de 2009

Como perder uma mulher em 10 minutos

Existem vários tipos de caras na vida de uma garota, caras que passaram pela sua vida/cama. Destes caras, tem aqueles que ela detesta, aqueles que ela adora, aqueles que ela deseja.

E existe aqueles que ela pode pegar sempre - mediante um prévio e silencioso acordo tácito entre os dois. Quando é assim, tanto faz o que ela sente por ele [/se é que sente algo] e o que ele diz prá ela. Mas sabe quando você está conversando com um carinha deste tipo, muito sossegada e sem intenção alguma? Sem intenção por que você sabe que só depende dele, então você tá muito de boa, conversando amenidades e sem nada em mente. E no meio da conversa, ele diz uma besteira tão grande, mas tão grande, que você olha para ele, ofendida e surpresa, sem acreditar no que acabou de ouvir.

E para o seu completo horror, ele continua falando, sem perceber o tamanho da sandice que falou. Achando que está abafando. E aí você vê que ele não falou aquilo por maldade. Falou por burrice mesmo. Quando falo em "burrice", não me refiro à falta de cultura. Me refiro aquele tipo de burrice desastrosa dos que querem causar boa impressão e não sabem como. Isso sim é burrice, prá mim. Pois não é que ele seja burro por completo - em nenhum dos dois sentidos. Pelo contrário. Mas ali, naquele momento, naquela observação feita, ele demonstrou todo o brilhantismo de sua ignorância - que até então estava muito bem disfarçada. Como se deixasse cair a máscara, sem perceber. Por que, uma coisa é não saber sobre determinado assunto. Outra coisa é não saber, bancar o arrogante e fingir que sabe, achando que engana os outros - o que invariavelmente termina em diálogos espantosos como o da situação que estou contando aqui.

Mas pior do que ouvir a asneira, é o baque que vem depois, quando você coloca a mão na consciência e se dá conta, com um arrepio íntimo de vergonha:

- E pensar que eu dei prá esse cara!!!

Das várias vantagens da relação de friends with benefits, nenhuma parece ser forte o suficiente para encobrir a vergonha de se dar conta de que você deu para um idiota. Nenhuma. Nesses casos, discutir não adianta e nem vale a pena. E agora? Vale a pena ficar [/ainda que apenas esporádicamente] com uma pessoa que não passa de um pretencioso bem-intencionado? Ou querer salvar uma relação que na verdade nem existe? Não há nada a fazer senão levantar da mesa, dizer:

- Olha, meu amigo, sinceramente...

E ir embora prá nunca mais voltar.




Foi o que eu fiz.

5 de junho de 2009

Paciência.

Saí prá caminhar, mãos nos bolsos. Uma noite tão gelada e mansinha, parecia me chamar prá um passeio solitário. Sem hora prá voltar, já avisei lá em casa e prometi um Hot Wheels pro sobrinho, assim ele não reclama se a sua Tadsh chegar algumas horas mais tarde do que o usual hoje.

Quem sabe caminhando essa bagunça faça algum sentido.

E derepente deu um saudosismo fudido, procurei no playlist algo que me desse algum conforto. Acabei caindo em Guns N' Roses. Ah, meus 14 anos... Quando começou a tocar Patience vi que tinha feito a escolha certa:

I've been walking the streets at night / Just tryin' to get it right (need some patience) / It's hard to see with so many around / You know, I don't like being stuck in the crowd (could use some patience) / And the streets don't change but, baby, the names / I ain't got time for the game (gotta have some patience) / 'Cause I need you yeah, yeah, but I need you, (all it takes is patience)

O que fazer quando o que você tanto queria parece prestes a acontecer? Um pouco de paciência, caminhar pela noite, sempre os mesmos velhos jogos.

Essa saudade que eu sinto, essa vontade que nunca passa. E a sensação de que não é só minha essa solidão.


4 de junho de 2009

My turn

Mas ao mesmo tempo, o que eu mais quero é que esse jogo continue. Será que podemos chamar assim? Parece que aos poucos vai se desenhando assim. Por que.




Por que é da minha natureza, sentir o que não devo e ver possibilidades onde não existem. Hoje uma tristeza muito forte bateu, ao me dar conta de que virei passado. E a culpa mais uma vez foi toda minha por -pela ordem- ter sentido o que não devia e ter visto uma possibilidade onde não existia, de fato.

Me diga que estou enganada.

Se ainda puder dizer algo.

3 de junho de 2009

Todo colorido.

Sentadas na beira da rua, sob o Sol do meio-dia, vendo os carros passarem. Eu e duas amigas. De repente, uma delas me chacoalha pelo braço:

- Olha lá, Tadsh, o teu gordinho!!!!!

Não é exatamente meu. É a minha paixão platônica. Não sei nome, nem onde trabalha, nem nada. Só sei que é gordinho, barbudinho, que tem as pernas tatuadas. My kind of guy. E que passa por mim às vezes, na rua.

- Ai, como ele é lindo!!!
- Ele deve trabalhar aqui perto.
- É sério, cara. Ele é tipo um gibizinho, todo desenhado e pronto prá colorir.
- Vai lá e colore ele, Tadsh.
- Ou fala: moço, me colore!

Gargalhadas. Abaixo a cabeça enquanto ele passa, do outro lado da rua, à caminho da lanchonete.

- Nooooossa, ele te deu uma encaraaaada...
- Mentiu.
- Deu sim.
- Morri.
- Mas às vezes, ele pode ter pensado: mas que menina esquisita, me olhando de um jeito tão esquisito.
- Ou por que eu sou feia.
- Também pode ser.
- Mas deu uma encarada boa, tu perdeu 5kg só com a olhada dele.
- Olhou mesmo?
- Olhou. Deu uma olhada bem demorada.
- E eu tô bonita?

Mais gargalhadas.

- É sério, eu sou bonita?
- Olhou de novo.
- Vai lá.
- ASDFASHDFAHSFDHASFDHSD.... Morri.
- Pede prá ele o nome dele.
- Pede se pode sentar com ele.
- É, pergunta se ele gosta de toddy.
- ADFSAFDHSAFDHAS.... Pára, caraleo.
- Tadinho, almoçando sozinho.
- Tá olhando.
- Pára, seus capeta'.
- Mas que olhou, olhou.

Enquanto eu me perguntava internamente se era correto uma pessoa de 25 anos ter uma paixão platônica, e elas já falavam sobre outro assunto o qual eu nem prestava atenção, ele passou de novo. Abaixei o rosto.

Passou assim por mim, pelos carros e pelo barulho todo da avenida.

E então já não importava mais o motivo dele ter me olhado. Provavelmente eu nunca vou saber mesmo. E então, também não importava se eu me sentia assim tão feliz só por ele ter olhado prá mim. O que importa é que ele olhou prá mim.

E que isso me fez acreditar, por alguns instantes, que era possível gostar de alguém.


2 de junho de 2009

I Hope You're Happy Now!

Uma manhã de muito frio, faço uni-duni-tê na minha coleção de cachecol e escolho randomicamente aquele que vai me aquecer pelo dia todo. É frio demais enquanto espero o ônibus, brinco que sou fumante e solto fumaça gelada. Olho pro lado, todo mundo está brincando também, entre bocejos e cigarros de verdade.

Novas funcionárias no meu trabalho, brinco que sou super simpática enquanto planejo secretamente ser a pessoa mais legal deste escritório. Quase sou. Minhas gargalhadas ecoam pela sala, gerando mais e mais risadas dos outros, só por que hoje eu quis dar uma chance prá eles e prá mim. Me comove e me alegra o quanto as pessoas ali estão sempre dispostas a ser gentis comigo, e como sempre está nas minhas mãos receber essa gentileza ou não.

São 18horas e 18minutos, eu vou embora. Corro mesmo sabendo que o motorista sempre me espera. Os fones de ouvido sempre prestes a cair e se eu ouvir esse estalo mais uma vez quando sentar juro que lembro de não colocar mais o MP4 no bolso de trás do jeans.

Mas agora, eu cheguei aqui e abri minha caixa de email e quase morri com tanta doçura e leveza, enquanto Elvis Costello ainda gritava no meu ouvido I Hope You're Happy Now!.

Mas agora, alguém do meu msn me dá uma notícia que me deixa feliz afudê, mas feliz mesmo, mesmo.

E aquele email, que de tão lindo eu nem sei como responder.

Hoje também foi o lançamento mundial de Secret, Profane & Sugarcane.

Em setembro eu vou poder te abraçar.




Sim, eu estou feliz agora.

:o)

1 de junho de 2009

The era of "yes" can wait

Na cena inicial de Yes Man, Carl está numa Blockbuster, escolhendo uns filmes e tentando se desvencilhar de um amigo que, ao celular, o chama para sair. Logo de ínicio a gente vê que Carl não é dos mais animados, mesmo que lhe chamem. Postura essa que, ao longo do filme, ele luta para mudar. E sendo Yes Man o filme que me norteia [sim!] e que de certa forma até me motivou a criar este blog, é de se esperar que eu nunca vá numa locadora pegar uma caralhada de filmes e me internar no meu quarto pelo resto da vida, não?

Não.

Hoje eu fui na Blockbuster. Não tinha cadastro lá e achei legal a idéia de sair do trampo e andar PRÁ CARALEO [/o shopping é longe do meu trabalho], no frio e sozinha, até a locadora e pegar uma pá de filmes. Achei legal e fiquei contente.

Fiquei contente por que acho que os meios justificam os fins. Realmente, locar um milhão de filmes e desligar o celular não é uma postura muito Yes Man. Mas, resolver ir a pé até a locadora, planejar uma semana toda de filmes na coberta e ainda ficar feliz afudê com isso, é, para os meus padrões, a coisa mais legal que eu já fiz por mim nessas últimas semanas. Então acho que não tem problema, cada um é feliz como pode, do seu jeito, segundo as suas possibilidades.

Até por que, enquanto eu estava lá escolhendo - SURPRESA! - ninguém me ligou chamando prá porcaria nenhuma, o que comprova por a+b que toda regra tem a sua exceção. Até por que, essa semana [/passada] eu chamei duas pessoas prá sair e nenhuma quis, então você nota que eu também não posso ser culpada por escolher me internar no meu quarto, nesse frio polar, bebendo vinho e vivendo só de cinema americano.




Carl me entenderia.