Elvis Costello Gritou Meu Nome

Tati Lopatiukinfo
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São Paulo - SP Blocker e eventualmente jammer na Ladies Of HellTown Escritora e web redatora 28 anos Colecionadora de gatos

A história de uma garota que decidiu ser feliz pra sempre.

31 de maio de 2009

How deep is the red.

Algumas boas omissões, alguns sumiços estratégicos. Bem estratégicos. E o telefonema que me acorda, chamando outra pessoa prá sair, mas eu não. Meus amigos.

Queria não precisar tanto do afeto alheio. Veja, eu nem queria ser mais amada. Eu só queria não precisar tanto disso. Não queria ser amada por que sei que no fim sempre termina com muita dor, decepção e um belo par de chifres na sua cabeça. Como foi comigo. Então, não é que eu esteja brava com ninguém, estou é brava comigo. Queria não ser tão carente. Tão ninguém escreve ao coronel. Mas eu ainda estou aprendendo e não tem nada mais educativo do que aprender na prática e à força.

E enquanto fico aqui sozinha, pensando se devo ou não me esforçar para ser amada pelos outros (e eu me esforço!), acabo sempre na questão crucial: será que é uma opção minha mesmo? Hahaha. Pelo o que vejo, não é. Se o amor sempre parte de mim e não encontra nunca ninguém que o queira, então não deve mesmo ser culpa minha. Né?





Pro inferno que sim.

30 de maio de 2009

Secrets, Profane and Sugarcane

Feliz da vida por que já vazou o cd novo do Elvinho, Secret, Profane And Sugarcane. O lançamento será em 02 de junho, mas já escutei a exaustão nos últimos dois dias. Mostrando mais uma vez que tem inúmeras faces, em Secret... Elvis traz uma sonoridade bem diferente do seu último cd, Momofuku, lançado em 2008. Em Momofuku, as músicas são todas felizes, rápidas, cheias de energia. Aliás, o nome do cd foi escolhido em homenagem ao inventor do Miojo e todas as músicas tem menos de três minutos. Mais uma amostra do humor britânico de Costello.

Secret... mostra um Costello bem caseiro, delicado, com blues lindos e tocantes. Tudo bem calmo e bonito. Músicas perfeitas para escutar enquanto se enfia embaixo das cobertas, os pés quentinhos, num dia de chuva. E mesmo que você esteja triste, vai dormir com um sorriso no rosto.




Que é tudo o que se precisa, quando o resto do mundo parece prestes a desabar.

29 de maio de 2009

Conversas no corredor

Sinto que fracassarei. Essa frase é uma constante na minha vida, seja de modo triste ou de modo irônico. Sinto que fracassarei. Hoje eu tô sentindo. Na verdade, não é de hoje. Sabe quando você percebe que a chapa tá esquentando pro teu lado? Mas não de um jeito bom. Tipo que você está perto de se lascar. Levar um pé bunda. Profissionalmente falando. De bowa que eu nunca fui demitida [/oi, esse é o meu 1o emprego BONITO, CERTO, NA CARTEIRA]. Então não sei muito bem qual é o modus operanti neste tipo de situação. Mas mulher tem sexto-sentido, tem não? E eu tô sentindo algo errado no ar. As paredes andam sussurando. Quase gritam.

Sinto que fracassarei.





Mas eu não sei mesmo como proceder. É bacana ser demitido? Eu quero dizer, devo me desesperar? Na minha àrea é fácil arranjar emprego, tem mais escritório de contabilidade do que farmácia nessa cidade.

Por que não estou tão preocupada? Eu estou?

Sinto que.

28 de maio de 2009

Meu Toddy Favorito

Hoje li um texto de Luiz Biajoni, excelente, por sinal, em que ele conta toda a sua história de como "conheceu" Elvis Costello e virou fã até que, anos depois, finalmente sacou qual é a do Costello e aparentemente meiqui se desencantou com ele:

Ele lança discos eruditos, como crooner, discos mais pesados, discos mais pop, românticos, eruditos… Acaba me parecendo uma certa “falta de personalidade”. O cara começou punk, partiu para um pop algo experimental, com letras trabalhadas… Alguém falou que a voz dele é supimpa e ele foi cantar músicas dos outros. Como deve saber ler partitura, foi trabalhar com orquestra. Hoje mistura tudo e parece Toddy com banana. Sabe? Já tomou Toddy com banana? É bom, mas só às vezes, em alguns dias, sob alguns estados de espírito.


Achei engraçado esse ponto-de-vista. Por mais fã que seja, também não sou xiita de tacar pedra em quem discorde dos meus gostos. Na verdade eu fiquei foi pensando. Do modo como as coisas são e de como, mais uma vez, acho uma coincidência inventada entre mim e Costello.

Quando resolvi abrir este blog, mais pessoal e íntimo, teve quem me perguntasse: Mas qual é você afinal? É a Tati do "Respeite Meus Mullets" ou a do "Elvis Costello Gritou Meu Nome"?

Haha.

Como se eu não pudesse ser uma, duas, três, mil. Quem é mulher sabe. Eu me transformo em outras.

Por que ser a mesma o tempo todo cansa. Cansa é quase impossível, eu diria. É mesmo estranho ser toda palhaçona num blog e totalmente triste em outro. Alguns chamariam de bipolar, mas não gosto de usar um termo assim sério - é tão idiota querer tornar uma doença em algo cool!

Mas o que quero dizer é que gosto de Costello assim, sendo de um jeito em cada àlbum. Por que olhando a obra dele, você vê que tudo se encaixa, e que cada mudança absurda na verdade não é tão absurda assim: todas são reflexo de como ele estava na época. Da sua vida, de como ele encarava ela, de como ele se sentia. Elvinho bem sabe, ser o mesmo a vida toda cansa. Ou enlouquece.

Quanto à mim, também sou uma e sou várias e até que gosto de ser assim. Como disse ao meu amigo, eu não sei se sou a Tati do RMM ou a do ECGMN. Poderia dizer que sou uma mistura das duas, mas às vezes um lado sublima o outro. Pro bem ou pro mal.

Se isso é falta de personalidade, não sei dizer mesmo. Mas faz parte de ser quem sou, No fim dessa história toda quem sabe um dia eu possa olhar prá trás e dizer que ficou um mosaico bonito das coisas que fiz e do modo como me portei. Assim como a gente olha hoje a discografia toda loca e eclética do Elvis Costello e acha maravilhosa. Acho que até Luiz concordaria comigo, nesse ponto.




E essa do Toddy com banana eu achei genial, juro por Deus. Me define.

=D

  • [leia aqui na íntegra o texto de Luiz Biajoni]

27 de maio de 2009

I know, this world is killing you.

Dorme chorando, acorda com vontade de chorar. A amiga psicóloga diz que é depressão, mas eu não acho que seja tanto. É só... é só como minha vida está agora. É só que as coisas mudaram muito, de um ano pra cá. E aos poucos a ficha vai caindo, derepente eu gostava mais do jeito que as coisas eram antes. Mas é só questão de se adaptar e achar o meu caminho, como venho dizendo ad infinitum aqui.

E esse tempo também não colabora. Tá certo que eu adoro frio e chuva, mas é muito mais fácil ser feliz no verão. Com esse tempo assim melancólico, parece que não há nada melhor a fazer do que se enfiar embaixo das cobertas, ver Pushing Daisies e se entristecer por um motivo ou outro. Garrafas e mais garrafas de vinho também não vão ajudar...

Me fechar no meu mundo. Só gostar dos pais e do sobrinho. Chorar sem motivo. Ver motivo onde não tem. Dormir mais do que deve. Rasgar velhas cartas e depois se arrepender. Pequenos cortes que nunca cicatrizam e um meio sorriso de quem sabe que isso, um dia, vai passar. O que é isso na tristeza que tem um sabor tão bom?



Mesmo triste, estou feliz. Por que eu me conheço, eu sei como são os meus dias.

26 de maio de 2009

Era assim, todo dia de tarde.

Quando eu era adolescente, era cercada de amigas e tinha umas 3 melhores amigas inseparáveis. Eu via então meus pais com certa dó carinhosa: tadinhos, sempre sozinhos! Trabalhavam o dia todo, no fim do dia assistiam TV e íam dormir. Não haviam nenhuma melhor amiga, nenhum melhor amigo na vida de nenhum deles. Haviam os vizinhos, a moça do mercadinho, com quem eles conversavam. Mas amigos assim como eu tinha então, de telefonar, de sair junto só prá passear, isso eu nunca via. E me perguntava se ficar adulto era isso: ser lentamente engolido pelo cotidiano e deixar de ter amigos por perto. Parecia triste demais, mas eu não me preocupava muito com isso. De fato, eu nunca me preocupei muito com o meu futuro. Mesmo agora.

Mas hoje eu me vejo exatamente igual aos meus pais. Não que eu não tenha amigos. Tenho. E sei que posso contar sempre com eles e sei que até no meu silêncio eles continuam gostando de mim. Mas amigos assim, como eu tinha aos 16 anos, eu não tenho mais. De estar sempre comigo, de aparecer na minha casa só prá passar o dia comigo. De estar sempre ao alcance do meu olhar e que eu não precise olhar duas vezes para que ele entenda o que estou sentindo.

Deve ser por que agora meus amigos todos estão casados e eu tô na contra-mão disso tudo. Bem sei que com o passar do tempo o namorado acaba virando o melhor amigo. Então deve ser isso mesmo. Hoje vejo que meus pais não eram sozinhos, eles tinham [tem] um ao outro. E nesse ponto me sinto só.

Há quem diga que preciso procurar novos amigos, eu não penso assim. Os amigos que tenho são exatamente aqueles que eu sempre quis ter. É só questão de se adaptar. De se adaptar ao fato de que as pessoas mudam, inclusive eu. Acho. Quem sabe o modo com que nos relacionamos agora seja o modo adulto. Não sei se ainda pode existir amizade assim adolescente na vida adulta.

Por que eu sinto falta. Sinto falta do abraço, da conversa, dos segredinhos, dos beijos, dos silêncios, das briguinhas, dos defeitos adorávelmente insuportáveis dos meus amigos.

E eu digo: O que você vai fazer no fim-de-semana? O que você tem feito? Como está o namoro? Vamos sair num dia bonito de sol?

E eu peço: Vamos almoçar juntos? Por que você não posa lá em casa? Vamos no cinema comigo?

E fica sempre por isso mesmo, raramente a gente pode ou tem tempo. Eu entendo, mas não deixo de ficar triste, sabe? Não deixo de me sentir só. E sigo recolhendo migalhas e fazendo essa sopa rala, que mal vai dar prá nós dois.




Também sei que existem outros motivos: os erros que cometi, a falta de tempo, a minha preguiça e a minha timidez incorrigível. Também sei que não é culpa de ninguém e que na medida do possível a gente faz de tudo prá se ver. A intenção deste post não é acusar ninguém de nada, é só prá dizer: eu sinto saudade.

E diz.

25 de maio de 2009

Se demorar muito, esfria.

Então fica assim: quando for falar de Elvis Presley é Elvão, quando for falar de Elvis Costello é Elvinho. Questão de hierarquia e prá facilitar o entendimento. Então hoje eu vou de Elvão:

a little less conversation, a little more action please

E olha que escutei tanto Elvinho esse fim-de-semana que daqui a pouco o Last FM me dá uma medalha. Mas.

Enquanto isso.

Um fim-de-semana inteiro de chuva e frio. E o meu defeito é achar que o sábado é eterno, acabo deixando tudo prá depois. Domingo foi o dia de dormir, ficar sabendo de coisas trash's demais prá minha cabeça e dormir de novo. E então acordar, receber mais uma pedrada de hipocrisia na cabeça e dormir de novo. Depois ainda se admiram com a minha capacidade de dormir e não perder o sono por nada. Vida que eu levo, nego pensa que é fácil.

E não facilita.

Eu quero um pouco menos de conversa e um pouco mais de ação. A minha parte eu sei fazer, resta você tomar uma atitude e fazer a sua. Sei que tudo que escrevo aqui tem um tom meio triste, mas na maioria do tempo o que me move a escrever é mais a raiva do que a tristeza. Sou meio nervosinha mesmo. Mas uma nervosinha quieta, que fica remoendo as coisas ao invés de fazer algo. Questão de atitude também. Então eu te entendo.

Mas.

Still.

a little less conversation, a little more action, please.




Por quanto tempo ainda terei que esperar?

24 de maio de 2009

Mentir, fingir que perdoou.

Pelo jeito é só escolher. É só questão de saber separar e categorizar. Vamos então usar o seu método: algumas pessoas servem para algumas coisas, outras não. Ao que parece, chegou o momento de rever certos conceitos e conselhos. Há quem diga que perdoa, mas nunca deixa de lembrar. Daí não adianta, daí não vai prá frente, meu amigo. Não vou ficar do seu lado se é prá você ficar me lembrando o tempo todo o quanto eu errei. Me desculpe, mas não quero. Eu já tô cansada. Eu não quero mais ter que lidar com isso. Eu não quero uma amizade assim, uma amizade até tal ponto. E dali não passa. Não digo que não errei. Sei que sim. E nisso percebi, ser mais ou menos perdoada é pior do que não ser.

Estou sendo egoísta [já que ninguém pode ser por mim] e estou sendo infantil [meu maior talento] em dizer que, silenciosamente, estou tirando o meu time de campo e covardemente, estou correndo pro braços de quem gosta de mim sem nenhum senão. Já que com você essa história não pode recomeçar do jeito certo, vou tentar ser feliz com quem ainda tenho chance de não perder nunca mais. Assim como perdi você.



Mas, no fim, com a consciência limpa de quem tentou. Eu tentei.

23 de maio de 2009

Só por hoje.

Algumas saudades idiotas, algumas pessoas idiotas. Algumas mentiras, alguns silêncios.
Essa semana, achei que tinha perdido a amizade de uma pessoa que eu gosto muito. Acho que não. Ainda não sei. E muito foi dito e muito foi calado nessa confusão toda, enquanto procuro a minha própria definição de felicidade. E lentamente acho.



Mas é preciso ter calma, não se cobrar tanto. Um dia de sol, passear pela cidade. Pensando bem, ser feliz realmente não é tão difícil assim.

still...

22 de maio de 2009

On the way home.

Well, não gosto muito dessa coisa de ficar copiando texto dos outros, mas hoje recebi por email algo que realmente mexeu comigo. Uma entrevista do Roberto Shinyashiki para a Isto É. De bowa que eu nem sei quem é esse tal de Shinyashiki [/Quem Ama Educa e só], mas gostei do que ele disse. E já que estamos todos nessa vibe da crise dos 25 [ahsdfhsadadf...] resolvi postar aqui alguns trechos que gostei mais. E que me fizeram bem.

Nossa sociedade ensina que, para ser uma pessoa de sucesso, você precisa ser diretor de uma multinacional, ter carro importado, viajar de primeira classe. O mundo define que poucas pessoas deram certo. Isso é uma loucura. Para cada diretor de empresa, há milhares de funcionários que não chegaram a ser gerentes. E essas pessoas são tratadas como uma multidão de fracassados. Quando olha para a própria vida, a maioria se convence de que não valeu à pena, porque não conseguiu ter o carro, nem a casa maravilhosa. Para mim, é importante que o filho da moça que trabalha na minha casa, possa se orgulhar da mãe. O mundo precisa de pessoas mais simples e transparentes. Heróis de verdade são aqueles que trabalham para realizar seus projetos de vida, e não para impressionar os outros. São pessoas que sabem pedir desculpas e admitiram que erraram.



A sociedade quer definir o que é certo. São quatro loucuras da sociedade: A primeira é instituir que todos têm de ter sucesso, como se eles não tivessem significados individuais. A segunda loucura é: Você tem de estar feliz todos os dias. A terceira é: Você tem que comprar tudo o que puder. O resultado é esse consumismo absurdo. Por fim, a quarta loucura: Você tem de fazer as coisas do jeito certo. Jeito certo não existe. Não há um caminho único para se fazer as coisas. As metas são interessantes para o sucesso, mas não para a felicidade. Felicidade não é uma meta, mas um estado de espírito. Tem gente que diz que não será feliz, enquanto não casar, enquanto outros se dizem infelizes justamente por causa do casamento. Você pode ser feliz tomando sorvete, ficando em casa com a família ou com amigos verdadeiros, levando os filhos para brincar ou indo à praia ou ao cinema.. Quando era recém-formado em São Paulo , trabalhei em um hospital de pacientes terminais. Todos os dias morriam nove ou dez pacientes. Eu sempre procurei conversar com eles na hora da morte. A maior parte pega o médico pela camisa e diz: 'Doutor, não me deixe morrer. Eu me sacrifiquei à vida inteira, agora eu quero aproveitá-la e ser feliz'. Eu sentia uma dor enorme por não poder fazer nada. Ali eu aprendi que a felicidade é feita de coisas pequenas. Ninguém na hora da morte diz se arrepender por não ter aplicado o dinheiro em imóveis ou ações, mas sim de ter esperado muito tempo ou perdido várias oportunidades para aproveitar a vida.




E acho engraçado achar uma resposta assim, num email encaminhado, tipo corrente. Acho engraçado e acho bom. Justo eu, que detesto email encaminhado. Devo estar ficando velha mesmo. Sentimental. Boba. Achando meu caminho.






Devo estar no caminho certo.

21 de maio de 2009

Nós dois, um a um.

Acordei atrasada, puta da vida. O dia todo pensei (e anotei) os meus planos e metas, os meus objetivos. Fiz uma lista. Objetivos bem diferentes daqueles sobre o quais falei ontem. São os meus objetivos verdadeiros, não aqueles que a gente imita dos outros só prá se sentir igual a eles. O fato é que fiz planos, fiz uma lista deles e pretendo conseguir realizar todos. O lado ruim é se iludir, mas eu gosto de pensar que anotando ali, escrevendo no papel, é uma chance a mais de eu me esforçar e correr atrás do que eu quero [/falando de metas, não tem como não ser piegas]. Escrevendo se torna concreto, palpável.

Escrevi.

E o dia foi tenso, eu trabalhei tanto que achei que ía ficar maluca, se o relógio não girasse até chegar as 18h18m. O bombom que eu comprei, cheio de bicho dentro. Cara, aquilo foi trash. Nunca vou esquecer, parecia até macumba. Hahahaha.

E cheguei em casa.

E você me diz coisas que me deixaram: espantada, lisonjeada, boba. Claro, mais apaixonada ainda.

E eu te digo isso.

E você titubeia. Não sei muito bem, acho que.

Agora vai dizer que não, mas titubeou sim. Mas como um bom casalzinho [/posso? é cedo ou errado dizer?], nós temos os nossos joguinhos. Nem dez segundos depois e lá vamos nós, falar besteira de novo.




Como sempre, se não me engano, foi você quem começou. Esqueci por um momento todos os outros trinta e um planos e ficou só um. Ter você.

20 de maio de 2009

Meu bem, seus bens.

É de se esperar que eu tenha um carro, uma carreira bem sucedida, consiga um cargo público, um namorado que ganhe bem [/mas me coma mal], no mínimo uma moto, que use aparelho ortodôntico só por modinha, que eu faça academia e aula de inglês.

A calça da moda, o cabelo chapinhado e meia duzia de sapatos de marca que apertam meu pé.

Mas não.

Meu aparente fracasso em tudo até que não me incomoda. Minhas ambições são tão pequenas, cabem numa passagem de avião. O que incomoda mesmo são os outros, me achando inferior só por que me contento e me alegro com a minha pequenez. Querendo fazer eu me sentir culpada por não ser igual a eles. E nessas a gente vê, o inferno são os outros. Não fosse os outros, eu seria tão mais feliz.


Ainda bem que tem outros outros, que me fazem bem. É no abraço dessas pessoas que eu quero me esconder, hoje.

19 de maio de 2009

Educação Sentimental - Parte 1

Manhãs assim como a de hoje, geladas e preguiçosas, me lembram uma certa manhã de muitos anos atrás. Eu estava então na 8a série e por conta de uma inesperada passeata por aumento salarial para os professores, fomos dispensados da aula. Obviamente, minha gangue juvenil deu um jeito de fugir da passeata e nos vimos com uma manhã livre inteira pela frente. Eufóricos, decidimos gastar a manhã em algum bar, jogando sinuca e bebendo. No meio do caminho (quanto mais longe do trajeto da passeata e do colégio, melhor), K. e M., os namoradinhos da turma, anunciaram que não íam mais no bar. Íam prá casa do M., que a mãe dele não tava e o irmãozinho tava na escola. Oi? E a gente não pode ir junto? Não. Vai só eu e a K.

O plano dos dois era óbvio e aquilo foi um choque. Então quer dizer que a K. e o M. transavam? Então quer dizer que as pessoas da nossa idade transavam? Era algo nunca antes imaginado.

Eles foram, a gente continuou rumo ao bar. Mas já não era o mesmo clima. Pesou um silêncio sobre todos, até uma certa mágoa, por termos sido trocados por uma manhã de sexo. Até por que, para os que ficaram, nem havia como comparar qual era mais divertido. Não havia base prá isso. Jogamos uma partida de sinuca, bebemos uma única cerveja. Não tinha muita graça. Eram nove horas da manhã. Fomos embora do bar.

Caminhamos durante o que pareceu ser uma eternidade, compramos vinho e cachaça num mercadinho. Rodamos, rodamos, acabamos parando em frente ao colégio novamente. Sentados no meio fio, três meninas, quatro meninos e um silêncio sepulcral. Acabou a cachaça, acabou o vinho. Ainda aquele silêncio cheio de mágoa e espanto. Um dos meninos foi embora. Depois outro. E então uma das meninas. E eu fui embora também.

Cheguei em casa antes das onze da manhã, derrotada and a little bit drunk. Tirei o uniforme e me joguei na cama. Certamente havia algo na discografia da Legião Urbana que versasse sobre o meu vergonhoso e recém descoberto atraso no campo sentimental e sexual. Algo que me faria sentir pior, mas que me confortasse, de certa forma. Mas por hora eu só queria dormir e esquecer que as pessoas já estavam transando e nem beijado ainda eu tinha. Dormi até sei lá que horas.





Eu tinha 14 anos.

18 de maio de 2009

Acorda e sossega.


~ And mother always told me: Be careful of who you love, be careful of what you do.


Não, não fala nada. Por hora é melhor mesmo ficar quieta. Não, não faz isso. Não vá revelar tantas fotos assim dele, nem espalhá-las por sua bolsa, agenda e travesseiro. Não. Ah, droga, agora você já fez. Seria bom poder controlar os instintos, nem que fosse por um dia. Seria bom ter você por aqui, prá poder controlá-los. Não vá tambem ficar lembrando da voz dele falando contigo. Já lembrou? Okay, agora já foi. Mandar emails, correr atrás. Ligar. Não. Menina, acorda. Acorda e sossega. Sossega e volta a dormir. Se só assim você pára de se preocupar.... Incrível como o que é uma tempestade prá mim, na sua mão se transforma numa única nuvem daquelas bem pequenas, daquelas que precisam de pelo menos mais dez prá significar alguma coisa e nublar o teu céu.



Enquanto eu, tempestade e muita chuva dentro do peito.

17 de maio de 2009

Enquanto durmo.

Funciona basicamente assim: você tem um fim-de-semana inteiro prá dar um jeito na vida e arrrumar toda essa bagunça. Na sexta à noite você não faz nada, você ainda tem o sábado e o domingo. No sábado você faz, mas faz bem pouco, ainda tem o domingo. No domingo, ah, um dia tão lindo que é quase um crime sair da cama. E você dorme a tarde toda, embalada por Company Of Thieves e meia duzia de outras boas lembranças sonoras.

O tempo todo eu fico me cobrando das coisas que preciso fazer e organizar, mas no fim não faço nada, fico só às voltas com meus pensamentos, pensando no que deveria estar fazendo, mas no final não faço nada. Parece que a procrastinação aqui rompe as barreiras da preguiça e vai além, se transforma numa auto-sabotagem, que me impede de ir prá frente, de fazer algo por mim. E aí vira um círculo vicioso. Não faço nada, me odeio por não fazer nada. E me odiando, não tenho vontade de fazer nada por mim. É como se eu precisasse de alguém prá me pegar pelos ombros, me chacoalhar e dizer o que eu tenho que fazer. Vivendo assim sozinha, não tenho cobranças externas nem expectativas. E minha indulgência me permite tudo. Até esquecer de mim mesma, por dois dias que seja, perdida no emaranhado das minhas cobertas e deixando minha vida passar, enquanto durmo.

16 de maio de 2009

There are worse things i could do

Ontem, depois de muito vinho e animada com o frio, assisti Grease pela caralhésima vez. É gostoso ver seu filme preferido assim, debaixo das cobertas. Cantando alto as músicas, seus pais já sabem que você é louca mesmo, ninguém liga. Mas é engraçado, a cada vez que assisto, parece que o filme é mais curto. Por saber de cor todos os diálogos, parece que eles passam tão rápido. Sandy e Danny ficam juntos muito rápido. Rizzo e Kenickie, também. Tudo se resolve tão, tão rápido. Mas é por que eu já sei o final. Não é como na minha vida, em que tudo passa devagar e fico angustiada, pensando no rumo que as coisas estão tomando e se de alguma forma, algum dia, alguma coisa nessa porcaria toda vai dar certo. Nem todo spoiler é negativo, e eu não me importaria de saber o final agora.

Mas sigo sem saber, me incomodando e me surpreendendo com as coisas que me acontecem. E me magoando com o que pensam e falam de mim. Prá quem tem a Betty Rizzo como musa, eu deveria ser um pouquinho mais forte.

Eu vou tentar.

but to cry in front of you, thats the worse thing I could do


E Betty Rizzo sempre, sempre tem razão.

Até mais e obrigado pelos peixes.




Crime inafiançável: Mataram a menina por ela ser amável.

14 de maio de 2009

Debaixo das cobertas, as descobertas.

Esse friozinho chegando, nem dá muito certo tomar umas cervejas na madrugada. E foi assim que a gente se conheceu, bebendo cerveja e falando besteira, lembrando da já empoeirada cena punk de Foz. As lembranças que tenho de você são todas assim: cervejas, roupas curtas, meu cabelo preso no alto, por causa do calor (mas você sempre soltava ele, sem a minha permissão), o ar condicionado do seu quarto congelando os meus pés mas não os nossos sentidos.

Seria bom se você voltasse agora, prá gente descobrir se no inverno também é bom.



Não que eu duvide.

13 de maio de 2009

Por favor.

Eu vivo de mendigar dos outros. Não tenho vergonha de dizer. Nem de pedir. Mendigo atenção e conselhos de Artur. Qualquer um que tivesse a honra e o prazer de conhecê-lo faria igual, então não me sinto errada em dizer todas as noites que o adoro e preciso dele. Mendigo favores em xml e html do Ivan e do Orelha [/por sinal, este banner novinho aqui é dele, do Orelha :o)]. Por que eles sabem mais do que eu, então não custa nada fazer um banner, um adesivinho, custa? Não custa. Todo mundo me ajuda e eu fico feliz. Ó que legal.

Mendigo desenhos pro Marcelo. Dia desses ele me fez um lobinho bem bonito e agora tá fazendo uma menininha segurando uma calculadora [/oi, é tipo um avatar meu, personalizado].

Eu gosto que façam as coisas por mim. Não por preguiça ou oportunismo. Gosto por que me sinto amada, cuidada. Há quem reclame: fulano quer cuidar da minha vida!

Eu digo: Oh, por favor, cuide! Eu já nem sei mesmo o que faço com ela, se puder me ajudar, nem que seja só um pouquinho, já faz um bem imenso.





Ou você não sabe que é assim que as coisas são?

12 de maio de 2009

A edição número 7 grita meu nome

Bom. Publicaram mais um texto meu. Naquela revista. Legal. Mas uma puta vergonha, de saber que meu texto está por aí, prá todo mundo ler. I mean... Já estava antes, foi publicado no RMM no começo do ano e tudo. Mas sei lá. Revista parece que é uma coisa mais solta. Sem o meu controle. E o fato de ter sido distribuída também no meu local de trabalho não colaborou para que eu me sentisse mais confortável. Não me sinto. Ao ver alguém folheando a revista, sinto meu rosto queimar, minhas orelhas pegarem fogo. Tremendamente exposta e envergonhada.

Depois ainda falam que eu devia fazer letras ou jornalismo. Imagine. Calcule. Teria um ataque cardíaco por dia. Eu quero o anonimato confortável do carinho [e eventual ódio dos trolls de plantão] só dos que me leem no RMM [e, agora, aqui] .

Já disse o poeta, escrever não é uma ambição minha, é a minha maneira de estar sozinho. Não é, nem nunca vai ser, a maneira com que quero "aparecer".




Na minha solidão, escrevo. Se isso se torna público e foge do meu controle, me sinto desconfortável.

11 de maio de 2009

Dançando em campo minado

Seria legal ter mais tardes/noites como aquela, em que a gente fica só sentada conversando e bebendo cerveja com as amigas, contando segredinhos de alcova e descobrindo que somos tão depravadas e santas quanto qualquer outra mulher.

Seria legal ter mais sonhos como aquele, em que eu era a princesa de um castelo de plástico e minha coroa nunca ficava certa na cabeça.

Seria legal ter você por perto, mas será que se você estivesse, ficaria mesmo perto de mim? Sendo as coisas como elas são e eliminando a hipótese romântica do tal universo paralelo, em que tudo é perfeito. Será que me escolheria? Quando eu sei (e você também), que é só assim que podemos estar. Em segredo, se esquivando e se escondendo. Dançando em campo minado.

but only when I sleep...

10 de maio de 2009

The era of “yes” has begun

Ver o mesmo filme um milhão de vezes, saber que é um filme feito sobre medida prá você. E pensar: que tipo de pessoa se reconhece tão profundamente numa comédia de Jim Carrey? Taí, uma coisa prá se pensar.

E tenho pensado mesmo, tenho pensado muito e tentado mudar um pouco. Dizer mais sim. Não é fácil, não mesmo. Mas nas pequenas coisas a gente já nota alguma diferença. Responder a mocinha que puxa conversa comigo no ponto de ônibus. Sair beber no meio da tarde com aquela amiga mais querida. E ir na casa de outra que é amiga da amiga, continuar a bebedeira. No fim, acabou terminando num não. Mas vamos com calma. Foi um dia de muito sim. Quase um recorde.

Meu aniversário foi mais ou menos. Começou loucamente bem, com a galërë de Natal me ligando logo no primeiro minuto. Meu aniversário sempre é uma bosta, sempre alguém me faz chorar (de um jeito triste). Esse ano não foi diferente. Mas acho que sou eu que já estou condicionada, já espero por isso todo ano. Talvez devesse mudar meu modo de pensar, tornaria as coisas melhores. Oras, oras, oras... eu tenho tentado. Também é melhor do que ficar parado na chuva. Melhor do que ficar choramingando.

Eu não quero ter o mesmo fim que o Carl estava tendo até ver a palestra. Eu sei que é uma comparação besta. Mas estamos falando de uma pessoa besta, estamos falando de mim. E eu falo sério. Esse filme diz mais sobre mim do que eu mesma poderia falar. Nasce uma paixão.

I do want to take guitar lessons. I do want to learn how to fly. Yes, I would like to learn Korean.






[X] Feliz