Cartinha pra Bibi e pro da Guia.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Meus gatos não fazem ideia de quantas dores de cabeça, crises de mau humor, de choro e de desesperança já me curaram. Quietos em sua mudez natural, não podem nem imaginar quantas vezes foi o silêncio deles que me deu força para levantar da cama e retomar a minha própria voz.

Quem diz, cheio de preconceito e preguiça, que gato é um bicho egoísta de certo nunca teve um em casa que lhe fosse intimo. Sim, eu reconheço, eles não são conquistáveis de imediato. Pra ganhar a confiança de um gato leva-se um tempinho. Meses, anos até. Mas vale a pena. Ter suas lágrimas enxugadas por lambidas carinhosas depois de um dia ruim é algo que eu gostaria que todos pudessem ter, pra que a vida fosse mais leve. Por que a gente merece um pouco de leveza.

A leveza de ter um gatinho que chega de mansinho e deita do seu lado justo quando você começa a se sentir sozinho. E que faz isso sem o menor orgulho: você olha pra ele e ele faz aquela cara de "O que foi, não é nada demais!". Não é nada demais mesmo, é só carinho. Amor. É o mínimo, mas faz tanta falta que a gente não consegue deixar de se admirar quando demonstram isso por você.

Mas o gato não vem falar da importância disso, ele vem falar, mesmo mudo, da importância de não se importar. Você está lá pensando nas contas a pagar, no trabalho que ficou pra amanhã, nas pessoas que magoou naquele dia e o gato senta do seu lado como se dissesse:  nada disso importa, não se preocupe com isso. E entre afagos e ronronados você esquece. Puxa ele pra perto, ele fica puto e sai. É isso. Sem exageros, por favor. Sou só um gato.

Ter um gato coloca as coisas no lugar. Te conforta nos dias ruim. Te diverte nos dias em que ele corre feito doido pela casa por causa de uma caixa de papelão que você trouxe do mercado.

Em um dia triste qualquer em que um dos meus gatos me fez sentir melhor, tentei dizer isso pra ele. Ele me olhou e disse (eu imagino, pelo olhar dele): Tati, você como sempre tão dramática. Deixa disso, menina. Vai viver, vai!

Não pude deixar de concordar com ele.

- Lá vem a Tati com as histórias dela...

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O que realmente importa?

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Ah, quanto tempo eu levei para responder essa questão... E pensando bem, nem tenho muita certeza se ela já foi respondida em definitivo. Afinal, as nossas prioridades mudam o tempo todo. 

Aos 15 anos o que importava pra mim era conseguir ser popular no colégio. E falhei miseravelmente! Hahaha... Hoje meus objetivos e necessidades já mudaram e muito. Mas no fundo é sempre o mesmo ideal que a gente busca, ainda que ele envolva coisas tão dispares quanto obtusas como ser popular no colégio ou concluir um mestrado. No fundo a gente não muda. Só muda foco. 

Vai lá em Lipton e veja o que estou falando sobre o que realmente importa pra mim. 


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If i could fool myself

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Muito sem querer descobri hoje essa versão de Pay It Back e achei SENSACIONAL. Não conhecia, pelas infos é o próprio Costello que canta (Declan MacManus), mas tá estranho, parece super antigo. Vou pesquisar mais. Gostei mais dessa versão do que da original, do álbum My Aim Is True.

E tudo isso por que eu estava com o verso "If i could fool myself, then maybe i'd fool you too" na cabeça. Agora tenho mais uma música (versão) legal pra ouvir, como é boa a internet, como é lindo viver, etc.


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Meus bons amigos, onde estão?

terça-feira, 15 de maio de 2012

Contabilista toda a vida, aprendi a ver o ambiente de trabalho como um lugar onde ninguém estaria nem perto de ter a mesma sintonia que eu para então poder construir alguma amizade. E foi assim, me acostumei. Depois as coisas mudaram, troquei de profissão e me vi em uma empresa onde não só as pessoas são o meu tipo de pessoa, como são capazes de gostar de mim. Encantada, fui construindo amizades, compartilhando histórias, criando uma história só nossa, minha e desses amigos com quem convivo todos os dias, divido moedas pro café e eventuais palavrões xingando qualquer um - que amanhã não lembraremos quem é.

Isso é bom por que alivia a tensão do trabalho, mas é ruim por que não dura pra sempre. As coisas mudam, surgem novas oportunidades e aquela sua turminha do barulho de coworkers de repente se desfaz, entre viagens, novos jobs e tantas outras voltas que a vida dá.

Sim, podemos marcar de sair ou conversar pelo facebook, manter contato por whatsapp, comentar em todas as fotos. Mas, ainda falta alguma coisa. Por vezes vejo as atualizações de amigos agora distantes e sinto que o 'tô com saudade' que escrevo já não corresponde por completo à realidade. É pouco, perto do que eu sinto. Não sintosaudade de você. Sinto saudade de você na minha vida. De te ver todos os dias, conversar com você, chamar pro almoço e sem falar nada já saber que seu job tá foda - por que o meu tá foda também.

Eu sinto essa saudade e não posso fazer muita coisa. A vida segue, outras pessoas surgirão. Eu tenho que aprender que meus amigos não são só mais meus. Tudo bem, eu vou tentar. Mas ainda vou seguir sendo saudosista, teimosa e ciumenta em ter a certeza de que, como diz a canção, depois de você os outros são os outros e só!

Eu, princesinha e princesinho.

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Algumas palavras duras.

domingo, 13 de maio de 2012

Todo mundo quer. Você mostra algo que é seu, que você lutou para conseguir, que você luta todos os dias para manter e conquistar e as pessoas querem. E te perguntam como conseguiu, como se fosse fácil, como se  todas as lutas pudessem ser conquistadas colocando em um carrinho e passando no caixa. Abrindo a carteira, avisando que é débito e digitando a senha. Não é.

As pessoas querem o status que as coisas trazem, não as coisas em si. Querem poder dizer que por ter algo ela são algo. Desejo desesperado por mais um skill pra colocar na estante e depois nunca mais usar. 

Então fica naquele joguinho. Nossa, queria tanto. Para os outros ficarem falando "vai, você consegue", "eu te ensino". Pra ser o centro das atenções por um instante, mas sem tirar nunca a bunda da cadeira, levantar e ir atrás do que quer. Por que se der o mínimo de trabalho, já não quer mais. Desiste. Diz que não era aquilo.

Nessa época de fast food, de consumo desenfreado, de fotos que só servem pra redes sociais, ninguém quer fazer nada que exija mais do que quinze minutos da sua atenção. Querem só o status de ter feito.

Eu cansei de tentar ensinar o caminho das pedras pra quem diz querer me seguir. Por que ninguém me segue. Desistem sem nem tentar. Tem que acordar cedo? Abrir mão do final de semana, da noite de descanso? Pessoa arrega sem nem pensar duas vezes. E também, tudo o que conquistei foi por que meti as caras, fui lá e fiz. Não fiquei esperando carona nem ajuda de ninguém. Não que eu tenha conquistado sozinha tudo o que tenho hoje. Mas algumas coisas, quando você quer mesmo, tem que partir de você. É necessária uma certa garra pra se manter vivo. Pra ter algo e poder dizer que é mesmo seu.

Sendo assim, considero até uma ajuda maior não ficar carregando os outros pela mão o tempo todo. Quer muito uma coisa? Se vira, levanta da cadeira, corre atrás. Você consegue. Eu consegui. Depois a alegria e o orgulho das suas conquistas serão só seus. 

E isso ninguém tira de você. Fica pra vida. Pra vida inteira.

Nervosa no trampo em alguma tarde qualquer.

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Linda caneca de Berlim.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Chegando em casa depois do trabalho, do meio da pilha de papel e bagunça caiu uma carta. A data era de um ano atrás. Um trecho me encheu os olhos de lágrimas:

Espero que esta caneca te traga muitos chás quentes em momentos difíceis, tal como seu pai fazia com você. Espero que te traga o café forte do Alex para aguentar o dia, semana, mês, ano de trabalho. Espero que também que te traga vinho para pensar mais na vida. Enfim, espero que esta caneca te traga a sensação boa que eu estava sentindo quando a comprei.
Todos os meus amigos me fazem falta, mas alguns fazem mais. E alguns deles se fazem presentes assim, através de uma caneca comprada em uma viagem a Berlim. Ivan, eu uso a caneca sim, como você pediu e exatamente da forma que você recomendou. Obrigada por fazer parte da minha vida e por estar sempre presente nela. Até na caneca de chá que eu bebo. Mas, principalmente, nas cartas e nos gestos de amizade.


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Ame e cuide de você.

terça-feira, 8 de maio de 2012

Amar a si mesmo em primeiro lugar. Parece complicado, né? E leva tempo. Não é de uma hora pra outra que a gente consegue se colocar no topo das suas próprias prioridades. Por nada a gente deixa na mão dos outros a nossa felicidade, o nosso bom humor. Não pode, gente. Calma. Respira.

Essa semana tô lá em Lipton falando disso: que se é pra cuidar do seu amor, comece cuidando do maior amor que você pode ter: você mesmo. Eu bem sei que não é assim de supetão que a gente constrói esse amor. Mas, vamos começar. Um passo de cada vez. Comece agora a gostar mais de você. Seja você quem for.

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Vinte e oito.

Mais perto dos 30 do que dos 20, agora. Ainda teimando, mas me conhecendo muito bem e sabendo o que é manha e o que é sincero. Na maioria das vezes, mas não em todas as vezes, claro. Me iludindo e tendo o coração partido pelos mesmos motivos. Lembrando de mim mesmo em tempos passados e ficando com os olhos marejados.

E, ainda assim, feliz.

Hoje completo 28 anos e a minha sensação é de espanto. Espanto comigo mesmo, com tudo o que já fiz, com as coisas que ainda quero fazer. Com o fato de ter chegado até aqui. Tendo descoberto a fórmula da minha felicidade: desejar sempre mais.

Lust for life.

Agora é que tá bom. E tudo o que aconteceu antes foi uma preparação para o agora. Iggy Pop estava certo. Lust for life, todos os dias, a cada dia mais.


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And a pop song saved my life
Made my troubles harmonise
And I know I'll be alright
Yeah a pop song saved my life

[
A Pop Song Saved My Life]

Oh, I used to be disgusted
And now I try to be amused
But since their wings have got rusted,
You know, the angels wanna wear my red shoes
But when they told me ‘bout their side of the bargain,
That’s when I knew that I could not refuse
And I won’t get any older, now the angels wanna wear my red shoes

[Red Shoes]
Romeo was restless, he was ready to kill
He jumped out the window 'cause he couldn't sit still
Juliet was waiting with a safety net
He said, "Don't bury me 'cause I'm not dead yet"

[Mystery Dance]

Why do you have to say that there's always someone
Who can do it better than i can?
But don't you think that i know that walking on the water
Won't make me a miracle man?

[Miracle Man]

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