Elvis Costello Gritou Meu Nome

Tati Lopatiukinfo
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São Paulo - SP Blocker e eventualmente jammer na Ladies Of HellTown Escritora e web redatora 28 anos Colecionadora de gatos

A história de uma garota que decidiu ser feliz pra sempre.

15 de junho de 2013

Isso está acontecendo agora.

São, São Paulo meu amor
São, São Paulo quanta dor
São oito milhões de habitantes
De todo canto em ação
Que se agridem cortesmente
Morrendo a todo vapor
E amando com todo ódio
Se odeiam com todo amor
São oito milhões de habitantes
Aglomerada solidão
Por mil chaminés e carros
Caseados à prestação
Porém com todo defeito
Te carrego no meu peito

[São, São Paulo - Tom Zé]

Não tenho tido vontade de escrever. Estou com o silêncio engasgado na garganta. Mesmo as poucas coisas que escrevo parecem cair em um poço sem fundo, que não me traz nada de volta, além de eventuais respostas que só fazem eu me arrepender de ter escrito. Não raro, no final do dia, vou lá e apago tudo o que publiquei no dia. É como se nenhuma resposta me servisse e o silêncio anulasse até a vontade de dizer algo.

Enquanto isso, meu telefone nunca mais tocou. E eu sigo exagerando no que sinto, tornando assim sem valor tudo o que eu digo. Então, me calo mais ainda.

Enquanto isso, a cidade entra em ebulição diante dos nossos olhos e eu tenho medo. De coração apertado, com medo, segurando o choro, eu vejo as notícias, fotos, depoimentos. Eu fico aqui, cheia de angústia, vendo a cidade que eu amo tanto apanhar todo dia e dói em mim. Enquanto eu sou só silêncio, São Paulo vai às ruas e grita pelo o que quer e acredita. E, mais uma vez, a cidade me ensina algo.

Foto: Rodrigo Soares via 24 Momentos dos Protestos em São Paulo que você não verá na TV

13 de junho de 2013

Resenha: Mas não se mata cavalo? (Horace McCoy)

Editora Abril Cultural - 153 páginas

A depressão econômica da década de 1930 nos Estados Unidos fez as pessoas tomarem medidas drásticas para sobreviver. Popularizaram-se no país as maratonas de dança. Em um período de fome e desespero, parecia uma maneira simples de ganhar um dinheirinho. Mas tais concursos escondiam uma agressividade e uma violência social usualmente não associadas aos salões de dança. Neste livro, Horace McCoy apresenta Robert Syverten e Gloria Beatty, duas pessoas sem perspectiva alguma, que decidem participar de uma maratona de dança achando que, assim, granjearão alguma oportunidade de trabalho em Hollywood. 





Comecei dois livros para o mês de junho no DL2013 e deixei  ambos de lado, pois nenhum parecia atender o tema proposto (romance psicológico). Meio por acaso, consegui Mas Não Se Mata Cavalo?, que queria ler desde janeiro, no Skoob e ele cabia no tema desse mês. Solicitei, demorou uns 5 dias pra chegar e eu levei menos de 4 horas para ler.

O livro é curtinho, 150 e poucas páginas, e ótimo. Traz uma história fictícia ambientada em algo que realmente aconteceu. Nos anos 30, os EUA estavam em profunda depressão econômica e a população, apática e sem esperanças, se submetia a qualquer coisa por um pouco de dinheiro e comida. Foi assim que surgiram as Maratonas de Dança, onde em troca de comida e um prêmio ao vencedor as pessoas se submetiam a horas de dança ininterrupta diante de platéias tão apáticas e desesperançosas quanto elas. As maratonas podiam durar meses e muitas pessoas morriam ou entravam em coma durante a competição.

É nesse cenário que conhecemos Robert Syverten, personagem principal e narrador de Mas Não se Mata Cavalo? Pobre e sem perspectivas, ele encontra em Gloria Beatty uma chance de conseguir algum dinheiro e um "passaporte" para Hollywood, grande sonho de ambos. Gloria o convida para ser seu par em uma maratona de dança e ele, sem saber o quanto aquilo mudaria sua vida, aceita. A empatia entre ambos acaba poucos dias após o começo da Maratona, quando Robert percebe que Gloria é muito mais soturna e depressiva do que ele poderia imaginar. Ainda assim, continuam competindo juntos.

É incrível ler uma história dessas e saber que isso aconteceu de verdade. O livro é muito detalhista nesse sentido e você se vê dentro da história. Acompanhamos a angústia e o total abandono de Robert, nessas maratonas desumanas e mórbidas onde as pessoas dançavam por horas e tinham intervalos de apenas onze minutos para comer, tomar banho e dormir. Elas moravam nas pistas de dança por meses. Só no final dos anos 30 as competições foram proibidas e a maior delas chegou a durar seis meses. Você consegue se imaginar dançando por seis meses sem parar? É assustador e fascinante ao mesmo tempo.

O livro em si é ótimo, cativante. Sentimos empatia por Robert desde os primeiros parágrafos e, mesmo já sabendo o inevitável fim (a história é contada em flash back), não tem como não torcer para que de alguma forma ele se safe da armadilha em que caiu. Eu recomendo muito a leitura, além do livro ser excelente, esse viés histórico serve para mostrar que apesar do mundo hoje ser um caos, aparentemente ele já foi bem mais cruel.

Para saber mais:



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Livro lido para o Desafio Literário 2013! Leitura referente ao mês de junho, cujo tema era "Romances psicológicos". Para saber o que já postei sobre este Desafio Literário, clique aqui!

4 de junho de 2013

Não seria eu.

Se não fosse o silêncio na sala vazia, não seria eu. Se não fosse a lista do que fazer, o medo de não dar conta, a vontade de não falar nada, não seria eu. O olhar baixo, a cabeça baixa, a boca fechada, o sorriso só para dizer que, sim, estou ouvindo, não seria eu. As lembranças que gosto de alimentar tentando criar uma atmosfera mental antes de dormir, a saudade inútil de coisas que nem quero de volta, não seria eu.

Se não fosse essa vontade de nunca mais voltar, não seria eu. E a teimosia em continuar tentando, mesmo já desconfiando que não dá mais. Vou perdendo motivos para continuar, lentamente eles vão se perdendo como as pétalas de uma flor, mas se eu não continuasse mesmo sem nem saber por que, não seria eu.

Gosto de pensar que tudo o que está acontecendo tem uma razão e que mais pra frente descobrirei, feliz, que fiz o que podia ter feito. Mas, se não houvesse essa angústia incerta em cada passo meu, não seria eu.


* Meme criado pela Analu do blog "Minha Vida Como Ela é". Quem me indicou foi a Nambs. Indico pra Nicas, pra Lele e pra Conge.*


Gabi. <3

3 de junho de 2013

Bem menos, bem mais.

Posso estar enganada, mas agora acho que o processo é de fora pra dentro. Tanto faz se deu certo, pelo menos eu tentei, eu fiz, eu não fiquei parada, eu não fui embora antes da hora de ir embora. Não importa o que aconteça, não faça isso de ir embora antes da hora.

Tenho raiva de quem desiste, deve ser por que eu sempre estou na corda bamba. Tem horas que penso: "O que ainda estou fazendo aqui?". Enquanto não desisto, ainda estou aqui, tentando achar um significado para alguma coisa.

Ainda não sei o que fazer, mas sei o que não quero fazer. Não quero escrever para cumprir meta, para encher espaço. Ninguém precisa disso, muito menos eu. Não tenho compromisso com nada nem ninguém. Se eu ficar dois anos sem postar aqui, quem é que vai reclamar? Ninguém. Então...

Vamos diminuir o passo, já que não estamos indo a lugar nenhum. Estamos aqui a passeio.

Photo Credit: bubbo.etsy.com via Compfight cc

2 de junho de 2013

Caderno de anotações - Fragmento #1

Sobre valor
Uma coisa não tem valor se você faz só uma vez.
Também perde o valor se em seguida você faz algo ruim.
Também não tem valor se você faz e ninguém vê.
Também não tem valor se você faz só por fazer.
No fim das contas, pouco do que você faz tem valor. E, mesmo que tenha valor hoje, não é garantia de que terá pra sempre. 
O que hoje valia muito, amanhã pode não valer mais nada. E, a medida que o que você faz perde o valor para os outros, acaba perdendo valor pra você também.

Sobre tentar
Nunca vou saber se estou perdendo meu tempo insistindo. Ninguém pode me dizer isso. Nem eu.
Tem dias que isso é ruim - quando eu falho isso é ruim.
Quando me dou bem, eu não me importo.

Sobre sofisticação
Todo muito é muito blasé, mesmo tendo coração bom. É uma proteção que as pessoas vestem para não serem humilhadas. Eu esqueço disso e confio nas pessoas e elas riem de mim.
Aí eu falo "nunca mais". E riem de mim por eu ser calada. Tanto faz. Melhor assim.

Sobre nada
Moça, está tudo errado, desista de tudo, pare de botar tudo a perder, não vê como é burra, o coração cortado dentro do peito e ainda aí dando murro em ponta de faca ("você é louca")
É maluquice
sempre ter razão.
Uma pessoa que calada está errada, indecisa está errada. Uma pessoa que se desespera.
Espero poder voltar amanhã.
Com melhores notícias.

Photo Credit: dongga BS via Compfight cc

31 de maio de 2013

Pule!

Uma coisa interessante sobre a música Jump, da Van Halen.

Ou, melhor, duas.

Jump foi um single do álbum 1984 da Van Halen, lançado em, ahnm, 1984. É o ano em que nasci. Aliás, o ano de 1984 teve muitas músicas legais, veja na playlist que fiz sobre isso. Jump é uma música genial que fala sobre nada em especial. Pule, vá em frente, etc. Mas, mudou o que era a Van Halen na época, tornou a banda mais comercial para as rádios e mais palatável para o público e fez com que ela realmente estourasse mundialmente.

Isso é história. A parte sentimental e "coisa interessante" vem agora.

Bom, meu pai é guitarrista e a minha infância toda foi ficar em volta dele enquanto ele tocava guitarra em casa. Teve uma fase, eu devia ter uns 5 anos e meu irmão 7, em que o meu pai ficava tocando no quintal. Acho que dentro de casa fazia muito barulho e minha mãe não gostava. Então, todos os dias meu pai chegava do trabalho, comia alguma coisa, pegava a guitarra, a caixinha amplificadora, alguns pedais "só pra brincar" e ia pro quintal. Lembro do Sol indo embora e a gente lá. Meu pai tocando guitarra e eu e meu irmão brincando. Normalmente já teríamos entrado, mas como o pai tava lá fora, podíamos brincar um pouco mais.

A gente brincava de barro ou então de dublar o que meu pai tocava, o que era mais emocionante, já que a gente não sabia que música viria. A minha música favorita era Jump, por que eu fazia uma performance especialmente caprichada para ela, ficava correndo pelo "palco" e pulava o mais alto que conseguia (subia até em uma pedra que tinha) na hora do refrão. Até hoje não sei como eu sabia que jump era pule em inglês. Acho que eu sentia pela música, ou tinha visto o clipe. Sei que era o grande momento. "Maxwell jump!" eu cantava e pulava de montão.

Ali, do alto dos meus 5 anos eu pensava com toda a força do meu coração "Meu Deus, como pode um música ser tão legal? Vou amar essa música pra sempre!". O que eu sabia da vida, nessa época? Provavelmente, não muito mais do que sei hoje, mas o fato é que essa intenção acabou permanecendo. Hoje, aos 29 anos, toda vez que escuto Jump meu coração se enche tanto de alegria que até dói. Eu lembro da tarde caindo, do meu pai tocando guitarra, do meu irmão apostando comigo quem pulava mais alto, da minha mãe avisando lá de dentro de casa que o jantar estava na mesa... E, novamente tenho a certeza de que vou amar Jump pra sempre.

30 de maio de 2013

O mundo é um pote de sorvete recém aberto.

Eu sou maluca por sorvete. Sei que é um tema bobo, mas gastarei o post de hoje só para contar para vocês vários fatos que comprovam isso que eu já disse na primeira frase dele. Podia ter guardado segredo, feito mistério até o final do texto. Mas, pra quê, se a verdade é essa? Eu sou maluca por sorvete.

Que eu gosto de sorvete eu sempre soube, mas me dei conta de que era maluca por sorvete só recentemente. Fui ligando os pontos. Reparei que toda vez que estou triste penso "Vou tomar um sorvete, só de raiva!". Na maioria das vezes, nem tomo o sorvete. A raiva passa, a sorveteria fica longe... As coisas vão se colocando na frente e o sorvete fica pra depois. Mas, só de pensar em tomar sorvete, já fico mais feliz. Só de pensar em tomar um sorvete amanhã ou daqui uma semana, minha vida já fica mais animada.

Esse ano o Lelesqui organizou uma festa surpresa de aniversário pra mim. Era aqui no salão de festa do prédio e eu tava trabalhando em um freela na hora. Que desculpa ele me deu pra me fazer sair de casa? Exatamente, ir tomar sorvete.

Tem uma sorveteria lá em Foz que é a melhor sorveteria do universo. Não, não é Oficina do Sorvete, insiders. Fica ali na República Argentina, se chama Tutty Yogo, se não me engano. Isso não é um publi, é só pra explicar mais um fato da minha maluquice por sorvete. Pois bem, essa Tutty Yogo tem um garotinho de uns 7 anos que atende. Filho do dono. Ele é muito educadinho e empreendedor, sabe aquela vibe? Chega a partir o coração da gente de tão fofo. A sorveteria tem Yogo no nome, mas serve não só yogo, serve sorvete de massa também. Isso é legal. Aí, tem esse garotinho que atende. Ele é brother do meu sobrinho Arthurzinho, da mesma idade dele. O mais legal é ir a essa sorveteria com o Arthurzinho. Ele entra todo pimpão cumprimentando o garotinho: "Oi, Tutty!". Dá pra acreditar nesse moleque? Aí você pega o seu sorvete por quilo, enche de coberturas, pesa, o preço é um miséria, pois você agora vive em SP e comparado à SP todo preço é uma miséria, se senta e degusta seu sorvete com a sua família. É muita alegria e a República Argentina é a próxima Avenida Brasil, vocês sabem.

Falando em Oficina do Sorvete, (pra quem não sabe, a sorveteria "top" de Foz) eu já trabalhei lá. Por essa você não esperava, né? Deixei mais pro final. Trabalhei lá no começo da adolescência, só nos finais de semana. Fazendo o quê? Exatamente, montando sorvete. Banana Split, Morango Split, Sunday, Colegial, Cataratas (Cataratas é o X-Tudo do sorvete, vai tudo o que tem no cardápio, multiplicado por três). Era um trabalho bem ok, eu ganhava tipo 50 reais por final de semana e comia sorvete, baguete e brigadeiro a milhão. E o mais legal é que eu trabalhava junto com a minha mãe e foi nessa época que passei a perceber como ela é, de fato, uma mulher extremamente trabalhadora e querida por todos.

Aqui em São Paulo, minha sorveteria favorita é a Ice Mellow, por que tem uma aqui perto de casa, mas principalmente por que é um lugar para os puristas, é o templo do sorvete. Eu quero dizer, é uma sorveteria tão abandonada, ninguém vai lá como se fosse um programa social, para encontrar os amigos ou paquerar. Quem vai na Ice Mellow vai pra tomar sorvete e só. Como disse, é um local para os verdadeiros fãs de sorvete. O atendimento é sem emoção alguma, o que sempre emociona. Você chega, enche uma baciada de sorvete e a atendente nem te olha, é como se você fosse transparente. Você pode pegar 7kg de sorvete em um potinho que só cabe 500gr que a atendente nem altera a respiração. Não há julgamentos na Ice Mellow. Infelizmente, meu vizinho Eric é mayor de lá. Isso fere o meu orgulho, mas estou trabalhando para mudar esse cenário em breve. Parece que o mayor ganha algum descontinho, se não me engano.

Meu sorvete favorito é o Classic Duo, da Nestlé. Descobri isso quando fui na casa da minha amiga Lilian e ela me deu um pote inteiro pra comer enquanto a gente conversava. E eu comi tudo. Dali em diante sempre que penso em sorvete, penso nesse. O meu tipo favorito de sorvete é o de massa, seguido pelos yogos e, por fim, os sorvetes italianos. Não considero picolé um sorvete. Picolé é picolé.


Bom, embora não se encontre potes infinitos de sorvete no mercado, este é um assunto que não se esgota. Poderia ficar falando mais sobre a minha maluquice, mas dentro do meu coração sei a verdade e sou feliz. E maluca por sorvete.

Photo Credit: poppet with a camera via Compfight cc